Cultura, BBB e Politica

Por Pablo Troczinski 29/01/2018 - 13:10 hs
Cultura, BBB e Politica
Jean Wyllys venceu a quinta edição do Big Brother Brasil e atualmente é deputado Federal

Nesta época de inicio do ano, carnaval, passando pela quaresma e se estendendo até a páscoa, é muito comum vermos um fenômeno cultural de massas que é deprimente e muito bom para ser tema de um debate sociocultural profundo e sério, afinal, por quais motivos um reality show, como o Big Brother Brasil, consegue ser tão popular enquanto temas políticos e econômicos acabam sendo classificados como temas burgueses e basicamente não tem a importância e atenção que devem receber em uma sociedade minimamente decente? 


Platão, ainda na antiguidade, já dizia, “Não há nada de errado com aqueles que não gostam de política, simplesmente serão governados por aqueles que gostam”. Oras, então por quais motivos a cultura brasileira insiste na ignorância? Por quais motivos o brasileiro insiste em ser um povo pacato, um povo que aceita tudo que é imposto a si de forma absurda sem qualquer tipo de reação? Principalmente, por quais motivos um reality show é tema nacional enquanto politica é um tema “chato”? 


Mudar o futuro tem como pré-requisito a compreensão do passado e a manutenção do presente. Voltado ao passado, conseguimos logo de cara ver um país explorado pelas grandes navegações portuguesas, ao contrário dos Estados Unidos, cujo quais foram colonizados pelo imperialismo britânico, com uma grande influência dos conceitos protestantes em seu âmbito cultural. Pulando ao fim da monarquia portuguesa, vemos o positivismo militar, o golpe militar que originou a república brasileira em 1889, anos depois, nos deparamos com a ditadura de Getúlio Vargas em 1937-1945 e o Regime Militar de 1964-1985.  


Devemos consultar o teórico comunista italiano, criador da teoria da hegemonia cultural, Antônio Gramsci, para entender a mudança cultural no Brasil e a apatia a politica em nossa população, enquanto assuntos fúteis, como Big Brother Brasil são centros de discussão no país.  


Gramsci, comunista assumido, teorizou a hegemonia cultural no Brasil. O entendimentoque o comunismo revolucionário não é um partido, ideologia ou ideia, mas sim uma cultura, é crucial para a compreensão do Brasil hoje, em suas bases politicas e culturais. Gramsci e a Escola de Frankfurt teorizaram a teoria da hegemonia cultural após quedas constantes dos regimes comunistas no mundo. Gramsci tinha a proposta da infiltração cultural para que em termos culturais, a revolução comunista aconteça. 

 

É preciso entender desde já que as bases culturais da sociedade ocidental são elas: 


1) Direito Romano. 2) Filosofia Grega. 3) Cristianismo. 


A proposta de Gramsci era a infiltração e quebra dessas pilastras culturais no Ocidente. A infiltração e deturpação de valores morais, conceitos de família, educação, politica, religião, mídia, jornais, televisão, música e todo o cotidiano que nos cerca, deturbando nossa moral e cultura de dentro para fora.  


A teoria de Gramsci nos explica não somente a alienação popular em programas como BBB, como também a apatia politica, a alienação popular e a criação de uma grande massa de manobra popular que vem desde o regime militar, com o positivismo militar, a preocupação com a ideia e a ignorância, a vedação para com a cultura.  


A mudança cultural, a alienação e a apatia politica do brasileiro não é só desgastante e lastimável mas também nefasta e perigosa para os destinos do nosso país, em âmbitos políticos, econômicos e culturais, a destruição das nossas bases culturais não só significam a perversão cultural do nosso país, mas também os destinos do nosso país que clama por mudanças e muitas vezes nos estamos omissos a isso. 

 


Recomendações de Leituras: 


1) Hegemonia e Cultura – Antônio Gramsci.  2) O Príncipe – Maquiavel. 3) Como ser um Conservador – Roger Scruton.