Não deveria, mas tive que partir

Por Uirá Froes 16/11/2016 - 23:11 hs

Acordo cedo em um dia chuvoso, e sem motivos começo a arrumar as roupas do meu quarto. Em um dia atípico, o que mais poderia me surpreender se não fosse esse clima agradável? Afinal, tudo na minha vida foi improvável, e o tempo, não me surpreenderia mais, apesar de esperar ser surpreendido todos os dias.

As gotas caindo no telhado evidenciam que será difícil fazer planos. Aliás, que planos tenho? Nem sei, mas não seria legal permanecer deitado vendo chegar o sol... Sol, quanto tempo te esperei, qual foi o motivo de ter demorado tanto? Sai do quarto de mochilas prontas, o meu caminho já estava traçado, o problema é que eu não me preparei para isso.

-Quais adversidades somos capazes de superar, sem termos o mínimo de preparo possível? Ficarei em silêncio. Pra mim, não é a melhor resposta, mas é a que tenho no momento.

Pronto, cheguei à metade do dia, com a mochila pronta e com uma roupa de aventureiro no corpo e a mente cauterizada querendo ficar. Se eu permanecer no local, levantar cedo, não teria significado. Mas preciso de significado para fazer algo? Senti vontade de por uma bússola no bolso, pois soube por alto que precisarei. Só espero que eu não vá pelo mar, lá as águas são turvas e a noite, a escuridão consome a esperança. Qual motivo de ter esperança tendo na sua frente um infinito de águas que te parece querer submergir. Mas espera, eu nem decidi pra onde irei e já estou preocupado? Eu não era assim, talvez o tempo tenha me indicado que a emoção não pode superar a racionalidade. Mas preciso ir?

Pronto, fiquei em dúvidas novamente, e as primeiras horas da noite começam a querer chegar. Talvez eu tenha desanimado, e era o que mais temia. Se chegar até aqui foi difícil, imagine largar tudo e ficar com a sensação de ver os projetos indo por água abaixo só por pura falta de capricho? Mas descumpri o protocolo, e reativei o desejo do meu coração. Acordar cedo, arrumar a mochila e sair sem destino, foi sempre a vontade que me segurava no mesmo lugar até hoje. Como assim me segurava, se minha vontade era de estar em trânsito? Talvez pelo motivo entre pensar e potencializar a objeção, sejam distintos. E era justamente isso que eu errava. Mas hoje, não erro mais. É? A partir de agora, me desculpe, não deveria, mas tenho que partir...

 

Autor: Uirá Fróes