Por quê Tabata Amaral tem sido tão estigmatizada?

Por Alife Campos 13/07/2019 - 20:12 hs

Tabata Amaral, congressista e ativista pela educação brasileira. Filiada ao Partido Democrático Trabalhista - PDT, é deputada federal por São Paulo, tendo sido a sexta candidata mais votada no estado, com 264 450 votos, nas eleições de 2018. Ainda é cofundadora do Movimento Mapa Educação, e do Movimento Acredito, movimento político nacional e suprapartidário, que busca a renovação do congresso. Em outubro de 2017, foi uma das onze lideranças a participar de um encontro com o ex-presidente americano Barack Obama em sua passagem por São Paulo. Em julho de 2018, foi a mais jovem liderança a participar de um debate com a ativista paquistanesa e Nobel da Paz  Malala Yousafzai  em sua primeira visita ao Brasil. Formada em ciências políticas e astrofísica pela Universidade Harvard, representou o Brasil em cinco competições internacionais de ciências, tendo sido também colunista da rádio CBN em São Paulo e da revista Glamour. Desde abril de 2019, é colunista do jornal Folha de S.Paulo. [Extract Wikipedia]

Não votei nela, por não viver no estado pelo qual ela se elegeu, mas poderia ter votado. Não digo isso só por ela ter posicionamentos bem parecidos com os meus em questões que são de meu interesse, tanto no que se refere a consciência de responsabilidade social quanto aos conceitos de macro e microeconomia nos quais ela acredita, mas também pelo histórico de vida dessa mulher que apesar de ter construído uma experiência de vida diferenciada de boa parte da população é uma amostra precisa do que grande parte da “gente como a gente” vivencia.

Não sei se em algum momento ela se posicionou contrária à reforma da previdência. Também não sei se essa eventual mudança de posicionamento teria sido motivada por razões espúrias.

Mas, dito isso, se tivesse votado nela, estaria, de maneira geral, satisfeito com a sua atuação. Embora não concorde com esta reforma da previdência, que tem se apresentado como uma verdadeira deforma para os direitos dos mais vulneráveis.

Ao votar favoravelmente à reforma, e assumindo que o fez de boa-fé, ela:

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Demonstrou que tem capacidade (e coragem) de se posicionar sobre um projeto com base em um julgamento sobre seu conteúdo e seus efeitos potenciais, e não meramente porque está associado a um governo ou a uma categoria política; o que bate com a ideia de que o PDT, assim como qualquer outro partido que ela poderia ter entrado por maior compatibilidade de ideais, estaria apenas sendo usado como um instrumento de inserção política, tendo em vista que o Movimento Acredito não conseguiu angariar força suficiente para se tornar um partido a tempo das eleições de 2018.

Indicou estar alinhada com o binômio "progressista na pauta social" e "liberal na economia", que, como princípio geral, me parece uma boa combinação.

Digo mais: gostaria que houvesse mais gente tomando decisões de voto com base em razões como essas. Se existir algo como uma 'nova política', preferiria que a cara dela fosse essa.

Obviamente, se eu tivesse votado nela por ser do PDT acreditando que ela realizaria uma oposição do tipo mais 'tradicional' (="sou contra tudo o que vem de quem é meu opositor"), estaria bem desapontado.

Em resposta a indagação título desse post, diria que o estigma se baseia no temor de que ela roube o discurso de oposição, quando se manifesta diferentemente da oposição tradicional. Infelizmente, na política tem muito disso. Não importa se a ideia ou a prática é boa ou prejudicial ao país. O que importa é se ela foi proposta/feita por algum de “nós” ou dos “deles”. Se for “deles”, será detonada não importa seus méritos.

Essa é a política burra e pequena que impera no nosso país.