Porto Velho tem viés ideológico para eleger candidatos da esquerda?

O terreno perigoso da nacionalização do debate nas eleições municipais.

Por Sidney Oliveira 29/01/2020 - 16:12 hs

As eleições de 2020 estão tão próximas que chego a ter a impressão que amanhã já é o dia de votação. A população de Porto Velho vai definir os mandatários para os próximos quatro anos em outubro próximo. Historicamente o eleitorado portovelhense não tem viés ideológico, ora elege um político de direita, ora de esquerda e as vezes de centro. Já tivemos administração dos petistas, socialistas, e de tucanos.

O que há na capital de Rondônia é um eleitorado que recorrentemente concede eleição e reeleição a um indivíduo e após o aposenta compulsoriamente da vida pública. Mauro Nazif foi o único que não foi beneficiado pela reeleição, mas recebeu um novo mandato de deputado federal tempo depois.

O importante é que o debate das eleições municipais sempre se situou nos problemas da cidade, e são sempre os mesmos: alagações, falta de pavimentação, falta de saneamento, transporte coletivo, saúde, educação, regularização fundiária entre outros; o que reforça a falta de ideologia por parte do eleitorado na hora de votar. O pensamento é o seguinte: Não importa o partido, a população aposta no indivíduo e que ele terá a capacidade de resolver esses problemas. A mesma população que elegeu o petista Roberto Sobrinho, um desconhecido a época, anos depois elegeu o tucano Hildon Chaves, também desconhecido.

Mas parece-me que em 2020 corremos o risco de termos o debate municipal contaminado pela polarização que assola o cenário nacional. Podemos ver os postulantes do Prédio do Relógio trocando a falta de saneamento e a deficiência crônica do transporte coletivo por pautas mais abstratas e recheadas de retórica, mas sem efetividade nenhuma para a cidade.

Porto Velho tem problemas demais para se dar ao luxo de dar ouvidos a quem quer usar a retórica beligerante de ambos os extremos para conquistar um eleitorado que nunca votou por ideologia e está extasiado por essa “novidade” que nunca foi novidade. Quem vota por ideologia não vota em pessoas, vota em partido, vota em projeto de poder. É um direito votar por ideologia, mas antes é preciso aprender como funciona isso.