ADIAR O ENEM É QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL - Sidney Oliveira

Por Sidney Oliveira 14/05/2020 - 19:41 hs
ADIAR O ENEM É QUESTÃO DE JUSTIÇA SOCIAL - Sidney Oliveira
Sidney Oliveira

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) é a principal porta de entrada dos jovens brasileiros para as universidades públicas e para programas de bolsas de estudo e financiamento estudantil como o Prouni e o FIES. Realizado anualmente, os estudantes que almejam uma vaga por essas formas de ingresso, se preparam cumprindo rigorosos calendários escolares, contando com aulas presenciais, participação em “aulões” e também em cursos preparatórios. 

Os estudantes das escolas públicas disputam com os alunos de escolas privadas em situação de desigualdade. De início, enquanto muitos alunos do ensino médio público trabalham no contraturno para ajudar na renda familiar, estudantes das particulares se dedicam exclusivamente aos seus estudos. 

Contudo, com o advento da Pandemia do novo Coronavírus que começou no país em meados de março, as aulas foram suspensas e não há nenhuma possibilidade, ao menos por hora, de retorno; e os decretos de suspensão dessas aulas vão apenas sendo prorrogados. Se a disputa por uma vaga de uma universidade pública em Rondônia já era desigual, esse ano será uma tragédia para muitos se o ENEM não tiver seu calendário adiado.

A esmagadora maioria dos alunos da rede estadual de ensino não contam com uma mínima estrutura para aulas a distância. Muitos não possuem computadores e Internet banda larga, ou ainda  possuem aparelhos celular, mas sem planos de dados suficiente para acesso aos conteúdos e vídeo aulas, visto que são linhas pré-pagas.

Se o ENEM tem por objetivo democratizar o acesso ao ensino superior gratuito, nessas condições só demonstrará o enorme abismo social que há no nosso país. Não há justiça enquanto poucos contam com toda a estrutura para estudar e grande parte do alunado não tem o mínimo necessário. Adiar o exame não é discussão política, é uma discussão social que precisa ser pautada para que a grande maioria dos alunos que não tem condições de estudar em casa, possam concorrer ao menos com a desigualdade dos anos anteriores, que já se tratava de uma gigantesca barreira para muitos.