Lockdown para não vacinados, uma possibilidade?

Medida adotada por país europeu e já discutida no Brasil intensifica o debate

Por Sidney Oliveira 16/11/2021 - 13:46 hs

Após o início da vacinação no Brasil em janeiro, chegamos ao final do ano com aproximadamente 75% da população com a primeira dose e pouco mais de 50% com o esquema vacinal completo. Além disso, a dose de reforço já foi disponibilizada para os grupos de comorbidades, idosos e profissionais de saúde e educação. 


Problemas de falta de vacinas que ocorreram em alguns períodos já não são mais uma realidade e há imunizantes para todos que procuram. O Ministério da Saúde também já liberou a dose de reforço para todos os adultos a partir de 18 anos e reduziu o intervalo de 6 para 5 meses para a aplicação.


A partir de agora, o debate que começa a ocorrer tendo a vacinação como tema é a respeito das pessoas que recusam a ideia de se imunizar contra a covid19. Uma discussão global tendo em vista que a campanha de desinformação por parte dos anti vacinas é pesada e totalmente alheia a fatos científicos. 


Já faz um tempo que a maioria das internações e óbitos em decorrência da covid19 são de pessoas não vacinadas. Diante disso, alguns países já começam a tomar medidas concretas em relação a isso. A Indonésia decidiu que o sistema público de saúde não arcará com despesas médicas de pessoas não imunizadas que adoecerem, e na última semana a Áustria declarou Lockdown para as pessoas não vacinadas, isto é, só poderão sair de casa em casos de extrema necessidade e estarão passíveis de punição em caso de descumprimento, medida extrema para alguns analistas. Vale ressaltar que a Áustria possui um governo conversador, de centro direita. 


No Brasil, o Estado de São Paulo já estuda medidas para a população não vacinada, e com a repercussão do lockdown austríaco o debate ideológico (que não deveria ser) sobre o direito de não se vacinar e o dever coletivo de proteção sanitária se acalorou mais uma vez nas redes sociais.


Um jornalista da Jovem Pan teve a infame ideia de comparar o lockdown de não vacinados com os campos de concentração nazistas da segunda guerra, fiquemos nesse exemplo para ver o nível da argumentação. O fato é, há pessoas que insistem em não se vacinar e alegam que isso é um direito individual, liberdade de escolha, e do outro lado há a necessidade de usar a única arma que pode - e vem demonstrando que pode - acabar com a pior Pandemia enfrentada pela humanidade que já ceifou a vida de mais de 600 mil pessoas só no Brasil. E essa discussão só está começando.