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Porto Velho,24/09/2026

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SAÚDE E CONHECIMENTO

Diabetes pode causar cegueira sem sintomas prévios, alerta especialista em retina

Retinólogo Dr. Elmar Torres Neto explica que a retinopatia diabética evolui silenciosamente e defende exame de fundo de olho a partir do diagnóstico, mesmo sem queixas visuais

Divulgação
Diabetes pode causar cegueira sem sintomas prévios, alerta especialista em retina Dr. Elmar Torres Neto é médico oftalmologista especialista em retina e vítreo (CRM-RO 5672 | RQE 1915).
Resumo: O oftalmologista Dr. Elmar Torres Neto, especialista em retina e vítreo, alerta que a retinopatia diabética — complicação do diabetes que atinge os olhos — pode evoluir por anos sem causar nenhum sintoma perceptível, até chegar a estágios que ameaçam a visão de forma irreversível. Segundo o médico, o cuidado com a retina deve começar já no diagnóstico do diabetes, e não apenas quando a visão começa a piorar. Diagnóstico precoce e acompanhamento regular são apontados como os principais fatores capazes de evitar a cegueira causada pela doença.

EUIDEAL - Um dos efeitos mais silenciosos do diabetes pode se instalar nos olhos muito antes de qualquer sintoma aparecer. É o alerta feito pelo médico oftalmologista Dr. Elmar Torres Neto, especialista em retina e vítreo, sobre a retinopatia diabética, complicação que figura entre as principais causas de cegueira evitável relacionadas ao diabetes no mundo.

O que diz o especialista

  • A retinopatia diabética pode evoluir por anos sem provocar sintomas perceptíveis
  • Quanto maior o tempo de diabetes, maior o risco de desenvolver a doença nos olhos
  • Diabéticos tipo 2 devem fazer avaliação ocular completa já no diagnóstico
  • Existem tratamentos eficazes, mas o objetivo principal é evitar os estágios mais graves
  • Segundo a IDF, cerca de 589 milhões de adultos no mundo vivem com diabetes

Um problema de saúde pública em expansão

Levantamento da Federação Internacional de Diabetes (IDF) citado pelo médico estima que aproximadamente 589 milhões de adultos entre 20 e 79 anos convivem hoje com diabetes ao redor do mundo, número que tende a crescer nas próximas décadas. Diante desse cenário, cresce também a preocupação com as complicações associadas à doença — entre elas, uma que costuma passar despercebida: os danos à retina, tecido essencial para a formação da imagem dentro do olho.

De acordo com Dr. Elmar Torres Neto, é comum que pacientes associem o diabetes a problemas nos rins, no coração ou na circulação, deixando a saúde ocular em segundo plano. Segundo ele, essa complicação recebe o nome de retinopatia diabética e pode comprometer a visão de forma definitiva quando não é identificada a tempo.

Como o diabetes prejudica a retina

Segundo o especialista, níveis elevados de glicose no sangue, mantidos ao longo dos anos, podem danificar os pequenos vasos sanguíneos responsáveis por nutrir a retina. O processo costuma começar com pequenas hemorragias e alterações vasculares discretas.

Com a progressão da doença, pode surgir edema macular — acúmulo de líquido na região central da retina — ou o crescimento de vasos sanguíneos anormais, quadro classificado como retinopatia diabética proliferativa. Nos casos mais avançados, esses vasos frágeis podem se romper dentro do olho, causando hemorragia vítrea, ou formar tecidos que tracionam a retina e provocam o chamado descolamento de retina tracional.

A retinopatia diabética pode evoluir durante anos sem provocar qualquer sintoma perceptível

Tempo de diabetes e controle metabólico aumentam o risco

O médico cita estudos científicos consolidados, como o Wisconsin Epidemiologic Study of Diabetic Retinopathy, que associam diretamente o tempo de duração do diabetes ao aumento da frequência e da gravidade da retinopatia. Quanto mais anos de convivência com a doença, maior a probabilidade de desenvolver alterações na retina.

Além do tempo de diabetes, outros fatores influenciam o risco: controle da glicemia, pressão arterial, níveis de colesterol e triglicerídeos, e presença de doença renal, entre outras condições clínicas. Segundo Dr. Elmar Torres Neto, o Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) demonstrou que manter a glicemia sob controle reduz significativamente as chances de a retinopatia surgir ou avançar.

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Esperar a visão piorar é o maior risco, diz especialista

Um dos pontos mais reforçados pelo médico é o erro de procurar avaliação oftalmológica apenas quando a visão começa a apresentar problemas. Segundo ele, é possível enxergar normalmente e, ainda assim, já ter alterações importantes na retina causadas pelo diabetes.

Sintomas como visão embaçada, manchas escuras, moscas volantes, distorção de imagens ou perda repentina da visão costumam aparecer apenas quando a doença já está em estágio avançado. Por isso, o especialista defende que a avaliação da retina não espere o surgimento de queixas visuais.

Quando começar a examinar os olhos

Segundo as orientações apresentadas pelo médico, pacientes com diabetes tipo 2 devem passar por avaliação ocular completa logo após o diagnóstico, já que a doença pode estar presente no organismo anos antes de ser identificada. No diabetes tipo 1, a avaliação oftalmológica também deve começar nos primeiros anos após o diagnóstico, considerando idade e tempo de doença. A partir daí, a frequência dos exames passa a depender dos achados na retina e dos fatores de risco de cada paciente.

Papel do especialista em retina no diagnóstico

Dr. Elmar Torres Neto explica que, dentro da oftalmologia, existem diferentes áreas de especialização, e o retinólogo é o profissional com formação específica para diagnosticar, acompanhar e tratar doenças da retina. Segundo ele, o oftalmologista geral cumpre papel importante na triagem inicial, mas diante de alterações na retina, suspeita de retinopatia diabética ou pacientes de maior risco, a avaliação com o especialista permite uma investigação mais direcionada.

Além do exame de fundo de olho com dilatação da pupila, o médico cita exames complementares — como retinografia, tomografia de coerência óptica (OCT) e angiografia da retina — capazes de identificar e documentar alterações que ainda não provocam sintomas.

Diagnóstico precoce, o caminho para preservar a visão

De acordo com o especialista, hoje existem tratamentos eficazes para boa parte das complicações da retinopatia diabética, que variam conforme o estágio da doença: laser de retina, medicamentos aplicados dentro do olho por meio de injeções intravítreas e, nos casos mais avançados, cirurgia de vitrectomia.

Ainda assim, o médico reforça que o principal objetivo é evitar que o paciente chegue às fases mais graves da doença. Para isso, defende que o controle da glicemia, da pressão arterial e dos demais fatores de risco caminhe junto com o exame periódico da retina — mesmo quando a visão parece estar perfeita.

Especialista consultadoDr. Elmar Torres Neto, oftalmologista especialista em retina e vítreo
Registro profissionalCRM-RO 5672 | RQE 1915
Complicação abordadaRetinopatia diabética
Principal recomendaçãoAvaliação ocular completa a partir do diagnóstico do diabetes
Fonte estatística citadaFederação Internacional de Diabetes (IDF)

Nota do Eu Ideal
Este conteúdo tem caráter educativo e informativo, com base em orientações do médico especialista consultado. O acompanhamento e a periodicidade dos exames oftalmológicos devem ser individualizados conforme o tipo de diabetes, o tempo de doença, o controle metabólico e os achados oculares de cada paciente. Esta matéria não substitui consulta médica.
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