Juiz da Lava Jato do RJ, Marcelo Bretas, é acusado de negociar penas

O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira, que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no qual acusa o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, de negociar penas, combinar estratégias com o Ministério Público e direcionar acordos

05/06/2021 - 17:02 hs
Foto: Arquivo Pessoal

247 - O advogado criminalista Nythalmar Dias Ferreira, que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) no qual acusa o juiz Marcelo Bretas, da Lava Jato no Rio, de negociar penas, combinar estratégias com o Ministério Público e direcionar acordos. De acordo com reportagem da revista Veja, Ferreira teria apresentado aos promotores uma gravação em que Bretas fala em 'aliviar' a pena de Fernando Cavendish, um outro delator preso na operação Lava Jato.

No áudio, segundo a reportagem, o juiz diz a Nythalmar que havia conversado com o Ministério Público sobre um acordo e que poderia “aliviar” a pena de Cavendish caso tudo saísse como o esperado. “Você pode falar que conversei com ele, com o Leo, que fizemos uma videoconferência lá, e o procurador me garantiu que aqui mantém o interesse, aqui não vai embarreirar” diz Bretas na gravação. “E aí deixa comigo também que eu vou aliviar. Não vou botar 43 anos no cara. Cara tá assustado com os 43 anos”, diz em outro trecho do diálogo. 

O Leo citado por ele é o procurador Leonardo Cardoso de Freitas, então coordenador da Lava-Jato no Rio de Janeiro. Os "43 anos" se referem à decisão que condenou o almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, ex-presidente da Eletronuclear, o que gerou temor generalizado nos réus.