Bolsonaro diz que agora é 'luta direta' contra o presidente do TSE: 'Sua palavra não vale nada'

Em tom ameno com apoiadores, Bolsonaro voltou a atacar o presidente do TSE dizendo que 'nós sabemos o quanto o senhor Barroso deve ao Luís Inácio Lula da Silva'

03/08/2021 - 11:55 hs

Em tom ameno após a abertura do inquérito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), diferentemente do que adota normalmente, Jair Bolsonaro (Sem partido) afirmou a apoiadores na manhã desta terça-feira (3) que os ataques ao sistema eleitoral não miram a corte eleitoral e o Supremo Tribunal Federal (STF), mas sim o ministro Luís Roberto Barroso, a quem declarou uma “luta direta”.

“O que eu falo não é um ataque ao TSE ou ao Supremo Tribunal Federal. É uma luta direta com uma pessoa apenas: ministro Luís Barroso, que se arvora como dono da verdade. Uma pessoa que não pode ser criticada. Se o Barroso acha que ele pode passar por ciam do artigo 5º da CF, ele está enganado. Não é o caso de eu ou ele mostrar quem é o mais macho. Não é briga de quem é mais macho. Mas, aqui não abro mão de demonstar quem respeita ou não a Constituição”, disse Bolsonaro.

Na sequência, Bolsonaro voltou a desferir ataques ao atual presidente do TSE, atribuindo novamente declarações já desmentidas como, por exemplo, de que o ministro defende a “redução da maioridade penal para estupro de vulnerável”.

“O ministro Barroso presta um desserviço, cooptando gente do TSE como se fosse uma briga minha contra o Supremo ou o TSE. Não é contra o TSE, nem contra o Supremo. É contra o ministro do Supremo, que é presidente do TSE, querendo impor sua vontade. Nós sabemos o quanto o senhor Barroso deve ao Luis Inácio Lula da Silva, até lá atrás quando ele foi advogado para defender o Cesario Battisti. Mas, não quero buscar uma maneira de desqualificar o ministro Barroso, mesmo defendendo a liberação das drogas, do aborto e a redução da maioridade para estupro de vulnerável. Hoje em dia é 14 anos, queria passar para 12”, afirmou.

Bolsonaro, então fez nova ameaça ao ministro, após destilar ódio por quase 30 minutos diante dos apoiadores.

“Se o ministro Barroso continuar sendo insensível – que é um processo contra mim. Uma concentração na Paulista como ultimo recado para que entendam o que está acontecendo, eu estarei lá. Se o povo estiver comigo, vamos fazer a vontade popular. Não vou deixar de cumprir o meu dever de presidente da República”, disse, emendando ao final: “Barroso, sua palavra não vale nada”.

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