ENTREVISTA: Pré-candidato a deputado estadual, Hermínio Coelho diz que vai lutar para transformar prédio da ALE em um novo João Paulo II

É muito triste você ver um hospital como o João Paulo ali caindo e ter um “predião” daquele ali (ALE) pra nada, disse o ex-deputado

Por Redação 30/05/2022 - 12:27 hs
Foto: Eu Ideal

José Hermínio Coelho, natural de Petrolina-PE, pai de cinco filhos, casado e desde o começo da sua trajetória política foi simpatizante da causa sindical. Chegou em Porto Velho em 1990 e iniciou sua vida profissional como cobrador de uma empresa de transportes da capital. Em 1992, liderou a chapa de oposição no Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Transporte Urbano do Estado de Rondônia e foi eleito com 78% dos votos. No mesmo sindicato, foi reeleito por duas vezes.

No ano de 2000, com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), Hermínio Coelho candidatou-se ao cargo de vereador e foi eleito com 1.634 votos, sendo o candidato mais votado do partido à época. Já em 2002, disputou uma das cadeiras da Assembleia Legislativa de Rondônia, mas não obteve êxito para assumir uma vaga.

Em 2004, foi reeleito pelo PT ao cargo de parlamentar municipal e dois anos depois, assume a presidência da Câmara Municipal por unanimidade, um fato inédito na história do parlamento mirim portovelhense. Foi reeleito em 2008 com 2.888 votos, na mesma legislatura, também para a presidência da Casa de Leis. Eleito deputado estadual pelo PT em 2010 com 9.846 votos, foi, novamente, o mais votado do partido.

Suas bandeiras legislativas transitam por diversas pautas: defesa da regularização do serviço de táxi e mototáxi na capital, defesa da figura do cobrador de ônibus; o fim do monopólio no transporte coletivo de Porto Velho; asseguração de direitos das famílias em situação de rua e baixa renda; instituição em lei pelo fim da cobrança de pedágio pela travessia de balsa do rio Madeira e àquelas voltadas aos servidores públicos.

Assim, o Eu Ideal inicia sua série de entrevistas com personalidades e atores políticos do estado de Rondônia com o objetivo de levar a você, leitor, mais dinamismo na informação e conhecer curiosidades sobre os nossos convidados. Confira abaixo a entrevista com o ex-deputado estadual Hermínio Coelho.

Eu Ideal: Em 2018 o senhor tentou a reeleição para deputado estadual mas não obteve sucesso, acredita que isso tenha se dado por uma insatisfação com o seu mandato?

Hermínio Coelho: Bom, não acredito que isso tenha sido o porquê da minha não reeleição. São vários fatores. Naquele ano, não estava em um momento bom, também não estava bem de saúde e não tínhamos conseguido montar uma estrutura boa para fazer campanha. Também teve muita coisa: a onda Bolsonaro, a cassação da Dilma (ex-presidente da República), o Temer… Tudo isso ajudou a nossa votação diminuir. Ainda tem a questão partidária. Em 2018 eu estava no Partido Comunista do Brasil (PCdoB), porque eu saí do meu antigo partido, o PDT, dada a entrada da Rosângela Donadon. Eu tentei entrar no PSB do Daniel Pereira (ex-vice-governador), no próprio Podemos do Léo Moraes (atual deputado federal). Então, houve um problema com as nominatas desses partidos, não foi o Dr. Mauro (PSB) ou Léo (Pode) que não me aceitaram, mas as próprias nominatas não me aceitaram, porque achariam que uma vaga poderia ser direta pra mim. E eu fui para o PCdoB, onde me aceitaram com todo o carinho e fui muito bem recebido. Dos vários partidos que eu já passei, o PCdoB foi o que mais me deu estrutura para uma campanha, mas infelizmente, naquela onda da arte polida, e pelo próprio fato do partido ter comunismo na sigla, isso tudo atrapalhou um pouco. Por onde ando, as pessoas até falam “você não deveria ter saído da Assembleia”, mas eu digo “vocês não votaram em mim”.

Eu Ideal: Muitas pessoas comparam as legislaturas do estado e dizem que essa é a pior da história. O senhor concorda com isso?

Hermínio Coelho: Pelo menos a que eu participei não era tão horrível. Não era essa Coca Cola toda não, mas tínhamos uns deputados bons lá. Eu gosto muito dos 21 deputados que estão lá hoje, mas é muito ruim essa legislatura atual. O governo deita e rola e você não vê uma crítica ou debate sobre nada, sabe?!

Eu Ideal: Não tem oposição?

Hermínio Coelho: A gente não vê. Na nossa época era diferente, não gosto de me colocar como melhor que ninguém, mas quando eu estava na Câmara de Vereadores e na Assembleia, o povo respeitava o parlamento. Às vezes eu estava até xingando algum político que prejudicava os trabalhadores. Tá aí, você pode puxar várias situações, como vigilantes, policiais civis, professores, enfim. O parlamento existia pra valer. Na nossa época, nós fazíamos o parlamento a casa do povo. Hoje não é! Inclusive, aquela Assembleia nova ali não tem nada a ver com o povo. Eu sei que eu não vou conseguir, mas uma das minhas bandeiras é chegar na ALE e acabar com aqueles terceirizados lá de trabalhadores, voltar aquele pessoal da limpeza, manutenção ao quadro comissionado da própria ALE. Eu lembro que na época que eu era presidente da ALE, o piso mínimo daqueles trabalhadores era R$ 2.300,00 (dois mil e trezentos reais). Em 2013, quem fazia café, limpeza… o menor era R$ 2.300,00. De 2014 pra cá, o menor ganha R$ 1.200,00 (um mil e duzentos reais), hoje eles ganham metade do que ganhavam antes. Hoje o custo para a ALE de cada colaborador desse é de cinco mil reais que são pagos à empresa terceirizada, mas o trabalhador só ganha mil e duzentos. São coisas que se eu for presidente, eu acabo no outro dia. Mas se eu não for presidente da Assembleia, vou para a tribuna perguntar porque a casa gasta cinco mil, mas o trabalhador só recebe mil e pouco? É a mesma situação dos vigilantes, porque o estado não contrata direto o vigilante? Ele custa R$ 7.000,00 (sete mil reais) mas ele só recebe mil e pouco. Outra coisa que eu defendo é tornar o atual prédio da ALE um hospital.

Eu Ideal: Sua ideia é transformar o atual prédio da ALE para outro fim, como um novo João Paulo, e voltar a casa de leis para o prédio antigo?

Hermínio Coelho: Pra mim, a Assembleia “velha” parece um pouco o povo. A nova não tem nada a ver, tudo é difícil, nem os colegas que trabalham lá você consegue ver. Ali é muito elitizado. E outra coisa, é muito triste você ver um hospital como o João Paulo ali caindo e ter um “predião” daquele ali (ALE) pra nada?!


Eu Ideal: O senhor acha que o novo prédio da ALE torna o poder legislativo mais elitizado e distante do povo?

Hermínio Coelho: Torna. Porque o deputado do interior quando entra ali naquele prédio ele se sente até mais importante. Eu morei em São Paulo por quase cinco anos e não conhecia um vereador ou deputado. Mas lá o povo também não tem nem tempo, é só trabalho e casa, trabalho e casa, aquela luta difícil em São Paulo. Mas aqui em Rondônia um simples cidadão conhece o deputado federal, o governador, senador e deputados estaduais. Aqui infelizmente os políticos daqui são ruins mesmo, mas que são próximos do povo é. Eu vou trabalhar, caso seja eleito, para que a gente faça a mudança para o prédio velho depois de uma reforma, transforme o atual em um hospital e onde funciona o João Paulo hoje, a gente faz um museu. O prédio velho da ALE é muito bom.

Eu Ideal: O trabalho do senhor é conhecido por ser um grande defensor das classes trabalhistas, em especial, dos servidores públicos. Fala um pouco pra gente da sua relação com a categoria do serviço público rondoniense.

Hermínio Coelho: Sempre tive um carinho muito grande pela classe trabalhadora. Quem vem da base, como eu, sabe da dificuldade que é estar desamparado, desassistido pelo poder público ou pelo patrão. Na segurança pública, por exemplo, lembro-me que recepcionei no nosso gabinete a Comissão dos Aprovados no concurso da Polícia e lutamos, juntos, pela categoria. Cheguei a trancar pauta do governo na Assembleia para que o estado nos escutássemos. Na época, o estado alegou que não havia orçamento para a realização de uma nova academia. Diante disso, eu destinei todos os recursos de emenda parlamentar que eu tinha disponível para que fosse possível realizar a formação de 400 novos policiais para a nossa sociedade. É uma luta que me orgulho muito de ter feito parte!

Eu Ideal: O senhor também ficou marcado por defender o fim das aposentadorias para os ex-governadores, vices e viúvas dos chefes do executivo estadual. Mas o senhor também já “cortou na própria carne”, no dito popular, como diminuir os custos de um parlamentar, por exemplo?

Hermínio Coelho: Fiz sim. No meu primeiro ano de mandato na Assembleia, foi creditado na minha conta mais de 200 mil reais. Eu achei que teria sido um equívoco da Casa e fui questionar o porquê daquele pagamento, foi quando fui informado que o deputado recebia 13º, 14º, 15º, 16º e até 17º salário. Achei isso inadmissível, fiquei envergonhado por ser deputado e ter direito a um benefício desse e propus que cortássemos na própria carne essa regalia.

Eu Ideal: Deputado, o senhor é muito lembrado também pelos servidores do judiciário estadual. Conta pra gente como é sua relação com os servidores da justiça.

Hermínio Coelho: Sim, sim. Como todo funcionário público, como todo trabalhador, eu sempre fui um grande defensor de causas. Fui autor da lei das seis horas corridas que beneficiou muito os servidores do Tribunal de Justiça e sempre estive ao lado deles em todas as demandas. Como resultado disso, nós temos grandes amigos. Hoje, na nossa pré-campanha, tenho orgulho de poder contar com o ex-presidente do Sinjur (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Rondônia), o companheiro Roque, líder sindical no nosso estado.

Eu Ideal: Vamos falar de 2022. Por muito tempo, Rondônia teve grandes expoentes do Partido dos Trabalhadores no Congresso, ALE e na Câmara de Vereadores. Hoje o número é zero. Muitas pessoas que eram petistas de carteirinha negaram o PT após 2018. Como era sua relação com os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff dado o seu atual posicionamento em defesa do presidenciável Lula?

Hermínio Coelho: Eu saí do PT em 2011, no auge do partido. Roberto Sobrinho era prefeito da capital, nós tínhamos 04 vereadores, 03 deputados estaduais na ALE, 02 deputados federais e tinha a presidente Dilma com 80% de aprovação. Eu saí do PT porque tive desentendimentos pontuais com a equipe do Roberto. Em 2014, eu fui para o PSD, partido recém-criado pelo Kassab e fiz campanha pra Dilma. Não votei no Moreira Mendes para senador (até então presidente do PSD em Rondônia), não votei no Guilherme Erse pra federal, votei na Mariana Carvalho (PL) para federal e Acir Gurgacz para senador. Em 2016, como eu não falava nem com o pai e nem com o filho, que eram praticamente os donos do partido (PSD), eu saí e me filiei ao PDT. Mas aí em 2018, na primeira eleição que vou disputar pelo PDT, o Acir traz a Rosângela Donadon para o partido, foi quando eu deixei o partido e fui para o PCdoB. Eu sempre falo que a gente está vivendo um tempo que não dá para brincar de eleição. Depois as principais lideranças do PT em Porto Velho foram até a minha casa e eu me filiei de novo ao PT. Eu saí do PT, mas o PT nunca saiu de mim. Desde que o Bolsonaro foi eleito, eu defendo o PT nas redes sociais, lembrando as coisas boas. O Lula não é ladrão.

Eu Ideal: Com o cenário desenhado pelo PT tendo o PSB como vice, o senhor caminharia com o pré-candidato Vinicius Miguel aqui em Rondônia na campanha para o governo?

Hermínio Coelho: Eu defendo que tenha a união dos partidos. Tem que juntar PT, PV, REDE, PSOL, PDT, PSB. Eu não conheço o Vinicius Miguel, nunca o cumprimentei pessoalmente, mas conheço o Daniel Pereira. O Daniel eu conheço há mais de 30 anos. O nosso foco está na nossa campanha, vamos trabalhar para fazer um federal, na minha candidatura para estadual e alguns outros nomes como o Cláudio Carvalho, Fátima Cleide, uma companheira de Ji-Paraná e o Samuel Costa, a gente espera que ele faça uma boa votação para a nossa nominata.

Eu Ideal: Última pergunta. Entre dois candidatos “bolsonaristas”: Marcos Rogério e Marcos Rocha, quem o senhor votaria?

Hermínio Coelho: Marcos Rocha. Com todos os defeitos que ele possa ter, ele é bem melhor que o Marcos Rogério. O Marcos Rogério eu costumo dizer que nem na base da faca eu votaria nele.