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Porto Velho,03/10/2022

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Confúcio Moura homenageia os 32 anos de atuação social do Instituto de Ciências Biológicas da USP em Rondônia

'Na Ciência, os grandes feitos passam iguais a um relâmpago, menos para a população que recebeu o bem das mãos de seus atores; esta não os esquece jamais, pois mães e pais contarão tudo aos filhos e netos', afirma o senador.


Confúcio Moura homenageia os 32 anos de atuação social do Instituto de Ciências Biológicas da USP em Rondônia


Silenciosamente, a subunidade 5 do Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo (USP) em Monte Negro (Vale do Jamari) completa 21 anos de efetivo reconhecimento pelo trabalho desenvolvido no Estado de Rondônia e 32 desde as suas primeiras pesquisas de endemias e doenças tropicais nesta parte da Amazônia Ocidental Brasileira.

“Na Ciência, os grandes feitos passam iguais a um relâmpago, menos para a população que recebeu o bem das mãos de seus atores; esta não os esquece jamais, pois mães e pais contarão tudo aos filhos e netos”, afirmou hoje (12) o senador Confúcio Moura ao relatar a presença da maior Universidade da América Latina em Rondônia.
A subunidade 5 do ICB situa-se em Monte Negro, a 250 quilômetros de Porto Velho. “Desde o começo das suas atividades, quantos acadêmicos vieram para cá, a fim de beber na fonte de notáveis pesquisas feitas por uma valorosa plêiade de cientistas entre os quais, os professores cientistas parasitologistas Luiz Hildebrando Pereira da Silva, Samuel Bransley Pessoa e o até hoje presente em Rondônia, Luís Marcelo Aranha Camargo?”, indagou o senador.

Segundo lembrou, a cada ano a USP envia de ônibus, de São Paulo para Monte Negro dezenas de alunos para estudar na prática doenças e insetos amazônicos, sob a supervisão de cientistas “Perguntem ao doutor Aranha quantos já vieram; tenho certeza de que aqui nesse imenso laboratório cercado por rios e pela floresta, esses estudantes e futuros médicos infectologistas não apenas “descobrem” a Amazônia, mas sobretudo trabalham com as pessoas, e assim enriquecem o seu conhecimento”, elogiou Confúcio Moura.

“O ICB5 atende gratuitamente a população do Vale do Jamari, de outros municípios de Rondônia e até de estados vizinhos, na região Norte. Em apenas quatro anos (2013-2017 conforme as estatísticas conhecidas no final do meu segundo mandato de governador, 38 mil pacientes haviam sido atendidos, e realizados mais de 63 mil exames laboratoriais; além disso, houve 12 expedições pelos rios Madeira e Purus, para o atendimento em saúde da população ribeirinha, mais de 2,35 mil pessoas”, relatou.

Atualmente, o instituto atende 200 pacientes/semana pelo SUS nas áreas de Oftalmologia Básica (com apoio da Unifesp), Geriatria, Hipertensão e Diabetes, Doenças Infectocontagiosas, Saúde da Mulher e Saúde da Criança. Duas vezes ao ano recebe os colegas da Faculdade de Odontologia da USP e presta assistência odontológica e fonoaudiológica gratuita à população. Em média, de 300 a 400 estagiários/ano das áreas de medicina, enfermagem, biomedicina e biologia vêm para Rondônia.

O senador lembrou que, desde 2001, o professor Henrique Krieger, então diretor do ICB/USP, na sequência do trabalho de sucessivos reitores e diretores, e do chefe de Departamento de Parasitologia, Alejandro Katzin, estabeleceu de fato o embrião do ICB5/USP em Monte Negro. “Inicialmente a estrutura era modesta: um prédio simples de 100 m² sem muitos aparelhos e sem alta tecnologia. Em seguida, foi comprado um terreno e expandiu-se a estrutura: um terreno de 750 m² e o prédio em madeira de uma antiga serraria. Aos poucos construiu-se um laboratório de pesquisa, um laboratório de análises clínicas, um auditório e dez consultórios para atendimento da população e realização de pesquisas. Em terreno ao lado, construiu-se alojamento para 40 pessoas para receber alunos e pesquisadores. Formalmente, o ICB5/USP nasceu de fato apenas em 2015”.

“Em 2016, quando eu governava o estado, essa assistência à saúde pela USP também resultava em oito publicações científicas em revistas indexadas e à orientação de vários alunos de iniciação científica e de pós-graduação”, contou Confúcio.

SENTIMENTO


Nas décadas de 1970 e ‘1980, a Amazônia sofria uma explosão de casos de malária que aumentaram 75 vezes, concentrando 99% dos casos brasileiros da doença. Foi para se deparar com esse quadro dantesco que se dirigiram para o extinto território federal os pesquisadores do ICB-5.

“Sempre que louvo esses feitos, me transporto ao passado, em 1976: eu, ainda jovem, chegava de Goiás decidido a trabalhar naquela Rondônia sem postos de saúde e sem hospitais, e nos fundos de quintais em Ariquemes atendia pessoas deitadas em rede, pendurando o frasco de soro entre uma árvore e outra”, recorda o senador. Naquele ano, o médico Confúcio era contratado diretamente pelo ex-governador Humberto Guedes para trabalhar como clínico geral na saúde territorial.

Lembrou Confúcio que a presença e a trajetória do ICB-5 na Amazônia Ocidental Brasileira foram relatadas em 2021 pela jornalista Mônica Teixeira no livro “ICB-USP na Amazônia: 30 anos de ciência nas fronteiras do Brasil”, lançado no ano passado.

DO CÂNCER ÀS DOENÇAS CRÔNICAS PULMONARES

O senador enfatizou a sua importância do ICB-5 “para a compreensão e combate à malária, e na melhor forma de auxiliar no atendimento à saúde da população. A USP conduz pesquisas em Monte Negro e Acrelândia (AC), reunindo casos de doenças parasitárias, epidemiologia e estratégias de controle da malária, malária gestacional e placentária. “Quando eu digo compreensão, quero demonstrar a amplitude do ICB-5, que compõe a direção do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Epidemiologia da Amazônia (EpiAmo), o único da Amazônia que atua na área de saúde humana”, disse.

O senador destacou a constatação científica, segundo a qual, na Amazônia Brasileira “caminham de braços dados as antigas doenças infectoparasitárias e as recentes doenças crônicas não transmissíveis: câncer, hipertensão arterial, dislipidemias, diabetes e doenças crônicas do pulmão.

O livro de Mônica Teixeira relata que em 1997, com a chegada do recém-aposentado professor Luiz Hildebrando a Porto Velho, o médico Marcelo Aranha, com anuência do então Departamento de Parasitologia, “migrou” para Monte Negro com o objetivo de auxiliar a prefeitura a montar um “modelo amazônico” de atenção e promoção da saúde.  E até hoje ali ele acumula diversos estudos de outras endemias, entre as quais, micoses sistêmicas, leishmaniose tegumentar, hanseníase, carrapatos (e suas doenças), “barbeiros”, mosquitos e mais recentemente o processo de envelhecimento da população.
 
Em 2017, o cientista e médico Erney Plessmann de Camargo, pai de Marcelo Aranha, narrava “o por quê” da presença do ICB-5 em Rondônia: “A população do estado cresceu de 100 mil habitantes para 1 milhão  (10 x) em 20 anos e o número de casos de malária subiu de 6 mil para 300 mil (5 x) casos por ano. O atendimento à saúde era precário, uma vez que o estado não estava preparado para esse crescimento explosivo da população. Em muitos assentamentos, a situação tornou-se de absoluta calamidade, particularmente em Ariquemes, Machadinho do Oeste e mesmo Porto Velho.”
“Nos anos 1980, relatou Erney de Camargo, o pesquisador chefe do Laboratório de Malária do Instituto Pasteur de Paris, Luiz Hildebrando Pereira da Silva, havia recentemente migrado da Escola Paulista de Medicina para a chefia do Departamento de Parasitologia do ICB da USP. Ele eu, ambos discípulos de Samuel Pessoa e originários do assim chamado Departamento Vermelho da Faculdade de Medicina, entendemos que era parte de nossas obrigações sociais atuar de alguma forma a entender e minorar as consequências dessa nova epidemia malárica.” “Procuramos nosso amigo, o professor Marcos Boulos, que já atuava em Rondônia, para nos pôr a par da situação e nos apresentar aos serviços e alguns profissionais de saúde de Rondônia. A partir daí, Luiz Hildebrando começou a vir com frequência ao Brasil e ambos passamos a visitar Rondônia com relativa assiduidade. Luiz Hildebrando progressivamente convenceu-se de que seu lugar era lá e, a meu convite, decidiu prestar concurso para professor titular no Departamento de Parasitologia do ICB. Ele e eu começamos a submeter projetos de pesquisa a várias instituições nacionais e internacionais.”

A USP conseguiu auxílios da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e assim recrutou sua primeira equipe constituída pelos médicos  Marcelo Urbano Ferreira (hoje professor da Parasitologia do ICB) e Luís Marcelo Aranha de Camargo, então pesquisador da Superintendência de Controle de Endemias (Sucen-SP).

“O doutor Erney, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e membro honorário da Academia Nacional de Medicina, viveu para ver que atualmente caminhamos para 2 milhões de habitantes”, disse Confúcio.

“O começo foi muito difícil. Ficávamos em hotéis muito simples ou casas de conhecidos. Inicialmente, juntamente com alguns docentes da Universidade Federal de Rondônia, pudemos documentar o caráter explosivo da malária em Candeias do Jamari, então, pequena vila-dormitório de caminhoneiros”.

Saiba mais dessa história, clicando aqui.

Da Assessoria



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