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Porto Velho,03/10/2022

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Entrevista exclusiva com o ex-governador de RO, Confúcio Moura

Foto: Veja
Entrevista exclusiva com o ex-governador de RO, Confúcio Moura

Ex-governador Confúcio Moura



Iniciamos a entrevista numa conversa informal com o ex-governador e seu assessor, que nos receberam muito bem, falando sobre o Eu Ideal e a maneira como fazemos jornalismo, com uma pauta mais alternativa e mantendo uma fidelidade as nossas convicções. O assessor nos deu agradecimentos pondo em evidência a importância do nosso canal de informações na divulgação das ações do governo, ainda sob o mandato de Confúcio.


 





Eu Ideal - Hoje, o senhor pode ser considerado um dos grandes pioneiros no estado de Rondônia. O senhor chegou aqui quando éramos Território Federal do Guaporé, quando Ariquemes era apenas um povoado. Aqui construiu uma família, aprofundou raízes, levantou empreendimentos e fez história. O senhor tem um perfil de sucesso que reflete, de maneira amostral, os sonhos e aspirações de tantos outros cidadãos brasileiros. Como que o senhor se sente em relação a todas essas conquistas?



Confúcio – Eu não vim pra Rondônia para ser político, eu vim aqui, junto com minha esposa e duas filhas pequenas, na perspectiva de exercer minha profissão. Cheguei em Ariquemes quando não havia Ariquemes, existia apenas a Vila de Ariquemes, que era um distrito de Porto-Velho, não tinha prefeito nem vereadores, apenas um administrador indicado pelo prefeito de Porto-Velho. Então, toda essa “epopeia”, essa saga, que aconteceu comigo veio de uma forma muito natural, e foi acontecendo à medida que as situações iam surgindo. Para mim foi muito surpreendente, saltos grandiosos em termos de política: primeiramente como candidato a prefeito, depois deputado federal, por três vezes, prefeito reeleito, governador eleito e reeleito, e agora estamos postulando uma vaga com essa pré-candidatura ao Senado. Mas respondendo a sua pergunta: foi tudo maravilhoso e uma evolução muito maior do que eu esperava.



 



Eu Ideal - É impossível falar da pessoa do Confúcio Moura e não fazer uma associação imediata de sua imagem à política.



Num passado recente, um dos assuntos mais em alta foi a notícia da renúncia do seu mandato, de Chefe Executivo do Governo do Estado de Rondônia, para então lançar-se candidato na disputa por uma vaga no Senado da República. Quais são seus objetivos e metas com esse novo pleito?



Confúcio – O prazo de renúncia era até 05/06 de abril, eu afastei no dia 06, e agora vamos disputar. O Senado, é um poder muito importante dentro da configuração dos pesos e contrapesos de uma democracia. O senado significa o poder dos mais velhos, dos de maior conhecimento, sendo exercido como um poder moderador e revisor, fazendo a execução dessas funções (de revisão das leis aprovadas pela câmara dos deputados) sem emoções, mas com muita deliberação e debate, numa maior calma, ou pode, também, ter iniciativas próprias de propor leis ou emendas constitucionais, e também, agora, com o uso trivial das medidas provisórias, é também um papel muito importante, mas o lado importante do senado, nessa situação que o Brasil vive, com muitas sequelas ,muitas problemáticas, é a questão do discurso renovador, o discurso da virada do brasil, esse discurso persistente, um discurso água mole em pedra dura, junto com outros parlamentares, pode induzir a mudanças importantes no país, e essas mudanças passam sem dúvidas por reformas, alteração da constituição federal brasileira, a defesa do estado de Rondônia e a solução das suas dificuldades, uma delas é a questão fronteiriça, e assim é o trabalho do Senador, é um trabalho muito grande, mas não como o Senado americano onde eles detém a chave do orçamento. O presidente quando quer fugir de alguma coisa que não esteja orçamentado ele deve pedir permissão ao senado, somente ao Senado. O nosso presidencialismo é muito forte, mas ainda assim o senado, hoje, pode obstruir muitas das decisões do poder executivo. Eu quero participar com os outros parlamentares no sentido de ajudar na reconstrução do nosso país.



 



Eu Ideal –Nesses seus quase 8 anos de mandato, o que o senhor considera como uma das coisas mais importantes que foram feitas e que vai ficar como uma marca do seu mandato?



Confúcio – Não existe apenas uma coisa. Se eu tivesse de escolher, eu diria a saúde, apesar de ser algo sazonal: uma hora está boa e outra ruim. É um paradoxo, quanto mais boa ela fica, mais rápido ela cai em qualidade, porque quando ela fica muito boa vem muita gente de outros estados e outras regiões, e não se pode dizer não, tem que atender, e com isso o gasto aumenta bastante. Então a saúde tem uma tendência oscilante, de pendular, mas nós melhoramos muito a saúde. A educação também fizemos mudanças importantes com melhoria dos ambientes de trabalho para o conforto dos professores e alunos, com estruturas mais bonitas nas escolas, que causam a vaidade nos alunos, e isso é algo importante. Na questão da Agricultura, nós sempre estimulamos muito a agricultura familiar, a produção de alimentos, a Rondônia Rural Show, o apoio a pesquisa científica, que nós investimos muito, hoje 80 % de toda pesquisa de mestrado e doutorado da universidade de Fio Cruz e da universidade de Rondônia são financiados pelo estado, através da FAPERO.



Eu Ideal – Nós observamos muito que o senhor teve um olhar mais diferenciado para esse lado da pesquisa e da promoção de eventos tecnológicos como a Info Party, e agora a Campus Party, eventos voltados para a juventude. Por que o senhor acha importante esse tipo de evento?



Confúcio – A inovação!  Essa promoção de competições de games é fundamental para a comunhão de jovens e internautas que manuseiam bem as ferramentas do mundo digital, porque promovem o despertamento de interesses adormecidos, e quem sabe ali sejam despertados interesses na juventude rondoniense para o campo da pesquisa científica, da tecnologia e inclusive para o campo das Startups. Como o Brasil não tem tradição no financiamento público ou privado das startups, a gente prepara esses meninos bem curiosos e interessados, para que eles possam até sair do país, para fazer as suas pesquisas nos EUA ou em outros lugares onde possam conseguir financiamentos garantidos, e isso já tem dado excelentes resultados para jovens brasileiros inovadores, e nós precisamos criar essa cultura de desejo pela inovação e produtividade da juventude.



 



Eu Ideal – O senhor foi avaliado pelo G1, site da Globo, como o segundo governador, dentre os estados brasileiros, que mais cumpriram com promessas de governo ficando apenas atrás do governador do Maranhão. Dentre as suas promessas não cumpridas temos a criação da Universidade Estadual. O que faltou para o senhor executar a ideia?



Confúcio – A ideia não era de minha autoria, era do próprio partido, mais especificamente do Tomás Correia, nosso presidente, que insistiu que colocássemos a UE como umas das propostas, o que não sou muito favorável devido ao custo extremamente elevado para manutenção de professores, doutores e instalações prediais no estado de RO inteiro. Precisamos investir no ensino médio, que hoje é o grande gargalo e funil estrangulador da juventude, muitos jovens desistem de estudar, se nós conseguimos melhorar o ensino médio, isso é um grande trabalho para o estado de Rondônia. Os que terminarem podem saltar para uma faculdade e avançar nos estudos ou ficar no ensino médio profissional, o que é muito importante, e nós criamos o Instituto do Desenvolvimento de Educação Profissional do Estado de Rondônia (IDEP), justamente para oferecer cursos diversos para a juventude rondoniense, inclusive cursos rápidos de 6 meses, de 1 ano coisas que a pessoa faça e já possa ganhar dinheiro. (Isso para o ensino médio profissional), criamos uma dessas escolas em Rolim de Moura com esse objetivo, de inclusão social de índios e quilombolas, já temos 41 alunos estudando e somente filhos de agricultores, com escolas que formam técnicos com a pedagogia da alternância.



 



Eu Ideal – O senhor falou da importância de se fazer investimentos na pesquisa científica, mas de que adianta fazer esses investimentos no fomento à pesquisa e desenvolvimento de conhecimento, mas não proporcionar maneiras de que essas pesquisas e projetos saiam do papel e se concretizem?



Confúcio – A FAPERO foi concebida como uma entidade diferente das demais fundações de pesquisa no Brasil, voltada para os interesses do estado, como a piscicultura em Presidente Médici, a bovinocultura de leite.... Então estamos concentrando as pesquisas encima de interesses do comércio e da indústria local, o que vai contribuir enormemente para o desenvolvimento do estado.



Eu Ideal - O principal papel do senador é legislar: propor, discutir e deliberar sobre a estrutura legislativa do país. Um dos pontos mais importantes, e que demandam a maior parte de seu trabalho, diz respeito às leis orçamentárias, que indicam como e quanto que o governo gastará do dinheiro público.



O que podemos esperar do Confúcio, enquanto Senador? Quais serão as suas pautas prioritárias?



Confúcio – É justamente esse papel de legislador, nos debruçando nas leis e propostas de emendas da constituição, fazendo leis consistentes, a reforma política, a reforma da previdência social e a reforma tributária. Os deputados constituintes foram generosos demais, dando direitos demais e deveres de menos. Isso é algo que devemos mudar, é preciso que todos tenhamos e cumpramos com deveres, tirando essa falta de consonância na constituição.



Eu Ideal – O senhor decidiu disputar o senado pelo MDB (Antigo PMDB), partido pelo qual o senhor já disputou nove eleições, das quais em seis foi vitorioso, além de, é claro, ter desempenhado, e continuar desempenhando grande protagonismo, tanto no que se refere ao cenário local quanto no nacional.



Com a imagem abalada pelos escândalos de corrupção, o fisiologismo escancarado e a adoção de medidas impopulares com a chegada de Michel Temer ao poder, o seu partido decidiu fazer o que os marqueteiros chamam de rebranding, uma mudança de nome para assumir, aos olhos do público, uma nova identidade. Tendo isso em vista, escolheu-se adotar a sigla originária MDB, deixando-se o “P”, para trás.



 O senhor não tem receio quanto a influência, que a imagem negativa construída pelo seu partido, em especial nos últimos dois anos, pode ter sobre os resultados nessa próxima eleição?



            Confúcio – Não, o MDB é um partido muito grande, se você fizer um levantamento das personalidades que estão envolvidas nesses escândalos de corrupção, você verá que eles não representam o partido. Temos muitos governadores sem nenhum processo, como Paulo Antunes, do Espírito Santo, e outros por aí a fora. No meu caso, há alguns inquéritos, mas que não foram acolhidos pela justiça, a maioria cai. É impossível, hoje, do jeito que está, alguém, independente do partido, que venha ocupar o governo ou alguma prefeitura, que saia sem nenhuma pendencia no Tribunal de Contas. Você pode colocar o Papa Francisco aí, pode eleger ele presidente ou governador de Rondônia, e ele saíra com multas no Tribunal de Contas e vai pegar um processinho na ação civil pública tranquilamente. Ele vai ter que responder por isso, e justificar, mesmo que de cara ele já esteja condenado, ele pode tentar fazer a defesa e ser absolvido ou condenado, se de fato existir dolo. Mas o MDB tem um valor histórico muito grande para o Brasil, ele não deve ser julgado por esse momento em que vivemos, a situação que vivemos é resultada de vícios de maus usos e costumes recentes, eu fui deputado e não tinha isso, não via esses escândalos, se houvesse eram muito bem camuflados, porque eu nem conhecia a Odebrecht naquela época. Então, estamos passando por essa fase de ir para o divã para sermos tratados e nos reconstruir deixando os erros para traz.



Eu Ideal O senhor já teve experiência na gestão de um município, de um estado.... Na sua percepção, o que ainda persiste como deficiência no nosso estado? O que o senhor, como senador, vai fazer para melhorar essas situações?



Confúcio – A queda de receita dos municípios, um certo empobrecimento justamente por causa da baixa receita municipal para investimentos no campo, os prefeitos não têm mais capacidade nenhuma de investir em obras, se não fossem por meio das emendas parlamentares estaduais, federais e municipais, não haveria como trabalhar. Então precisamos enriquecer os municípios e capacitar muito bem os prefeitos para usar o dinheiro em projetos prioritários, isto é, não fracionar o recurso em diversos segmentos e nada dar certo. É para evitar algo como decidir fazer uma viagem para São Paulo de carro, tendo dinheiro para chegar apenas até Cuiabá. Deve-se pagar a folha de salário, equilibrar essa folha e o mínimo que sobrar, fazer investimentos para fazer os trabalhos básicos, mas essenciais nos municípios.



Eu Ideal – E quanto ao saneamento? O senhor falou sobre investimentos na educação, mas há pesquisas que indicam que o coeficiente de intelectualidade das crianças e jovens em desenvolvimento pode ser reduzido em até 17% pela falta do saneamento.



Confúcio – Esse ano vamos colocar 100% de água tratada no município de Porto-Velho, quanto ao esgotamento sanitário, além de ser muito caro, o governo federal hoje não dispõe. Aqui já tivemos recurso do PAC desde o governo Cassol, que ele licitar, mas o Tribunal de Contas mandou suspender e anular, eu licitei, mas fomos parados. Devolvemos o recurso, porque foram mais de 14 anos sem executar o projeto por excesso de zelo dos órgãos de controle. Aí contraímos um empréstimo no valor de 117 milhões, que deverá ser usado exclusivamente, pela CAERD, para fazer um trecho de esgoto na Bacia Norte, próximos ao Hospital de Base, Aeroporto... Zona Norte, que deve atingir 15% da cidade.  O resto da população usará as fossas, como um quebra galho, o que será suficiente para suprir a necessidade. Mas temos muitos municípios com o sistema de esgoto e o fornecimento de água em 100% ou algo próximo disso.



Eu Ideal – Tem alguma mensagem em especial que o senhor queira deixar para os nossos quase dezoito mil leitores?



Confúcio – Busquem o conhecimento, a face oculta da prosperidade. Quanto mais conhecimento acumulado tiver, mais bem-sucedido será o jovem do futuro. Então abrace e mergulhe de ponta na quarta revolução industrial, que é o mundo digital.




Por Alife Campos - Eu Ideal


 



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