Está ficando mais difícil encontrar boas ideias?

Enquanto Thomas Edison inventou a lâmpada sozinho em 1879, dezenas de pesquisadores foram necessários para criar o iPhone

03/10/2017 - 19:23 hs

Gordon Moore, co-fundador da Intel, colocou seu nome na história ao afirmar em 1965 que a capacidade dos processadores dobraria a cada dois anos.

O ritmo se mostrou impressionantemente constante, mas o número de pesquisadores necessários para cumprir a “Lei de Moore” é hoje 18 vezes maior do que no início dos anos 70.

“Ideias, e em particular o crescimento exponencial que elas implicam, estão ficando cada vez mais e mais difíceis de encontrar”, diz um estudo recente publicado pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos.

Os autores são Michael Webb, Charles I. Jones e Nicholas Bloom, da escola de Economia da Universidade de Stanford, e John Van Reenen, do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

Em um post no blog de Stanford, Bloom que houve tantas invenções revolucionárias no pós-Segunda Guerra Mundial que ficou complicado para os cientistas manterem o ritmo.

O símbolo de uma boa ideia até hoje é uma lâmpada, inventada sozinha por Thomas Edison em 1879, enquanto dezenas de pesquisadores foram necessários para criar o iPhone.

Um trabalho do economista Ben Jones sobre grandes inventores e vencedores do Prêmio Nobel mostrou que a idade média de produção de inovações subiu 6 anos ao longo do século XX.

É natural considerando que as pessoas vivem e estudam mais, mas o atraso não é compensado por uma produção mais intensa em idades mais avançadas.

Os modelos usados por economistas supõem que o crescimento de longo prazo é fruto de boas ideias e que essas ideias são resultado direto do número de pesquisadores e o quanto eles produzem.

Mas o que os dados do estudo mostram é que há cada vez mais pesquisadores na ativa produzindo cada vez menos em termos relativos.

Olhando de perto para setores como o de produtos agrícolas (como milho e trigo) e de inovações médicas de combate ao câncer, a produtividade da pesquisa cai 6,8% por ano.

Os pesquisadores levantam uma hipótese: se toda a inovação estivesse hoje concentrada na criação de novos mercados e variedades ao invés de melhora nas já existentes?

Não é o que mostram os números agregados, pelo qual a produtividade de pesquisa cai 5% por ano. Os Estados Unidos precisaram dobrar o seu esforço de pesquisa a cada 13 anos apenas para manter constante o crescimento do PIB per capita.

Essa queda da produtividade da inovação teria sido mascarada por um aumento forte nos recursos – financeiros e humanos – despejados em cima dela.

O que nos obriga a olhar para a questão pelo outro lado: talvez a queda da produtividade dentro da Lei de Moore não seja um problema justamente porque a demanda por melhora nos semicondutores seja tão alta que vale a pena gastar o que for para atingi-la. Afinal, nada vale mais do que uma grande ideia.


Fonte: EXAME