Cientistas descobrem câmara do tamanho de avião na pirâmide Quéops

O 'grande vazio', como eles chamam, tem cerca de 30 metros de comprimento e foi descoberto depois de dois anos de investigações

05/11/2017 - 02:51 hs

A pirâmide de Quéops, no Egito, uma das sete maravilhas do mundo antigo, escondia há 4.500 anos uma grande câmara em seu interior. Trata-se da primeira descoberta de um novo e importante espaço dentro do monumento desde o século 19, conforme publicado na revista Nature nesta quinta-feira, 2.

A cavidade é "tão grande como um avião de 200 lugares", disse Mehdi Tayubi, codiretor do projeto ScanPyramids, que fez a descoberta. Estima-se que a câmara tenha 30 metros de comprimento. Embora descartem qualquer possibilidade de encontrar tesouros perdidos ali, os especialistas esperam que a descoberta conduza a uma visão significativa sobre como a pirâmide foi construída.

Uma equipe de investigadores egípcios, franceses, canadenses e japoneses pesquisam o interior da pirâmide desde o final de 2015 utilizando uma tecnologia não invasiva. Eles usaram raios cósmicos com os quais é possível ver através das paredes da pirâmide. "Essa tecnologia não é nova, mas os instrumentos hoje são mais precisos e robustos. Podem suportar as condições do deserto egípcio", explica Sébastien Procureur, cientista francês que se uniu ao projeto em 2016.

Para evitar polêmicas, a existência da cavidade foi confirmada por três técnicas diferentes de detectação com os raios cósmicos, realizadas pela universidade japonesa, por um laboratório de investigação japonês e por outro francês.

A pirâmide, de 139 metros de altura e 230 de largura, está localizada no planalto de Gizé, nos arredores do Cairo, ao lado da Grande Esfinge e das pirâmides de Kefrén e Miquerinos. "Há inúmeras teorias sobre a existência de possíveis câmaras secretas na pirâmide, mas nenhum delas predizia a existência de algo tão grande", disse Tayubi.

A câmara, chamado pelos cientistas de 'grande vazio', fica a 50 metros de distância da câmara da rainha, no centro do monumento. "O 'grande vazio' está totalmente fechado, nada nele foi tocado desde a construção da pirâmide", disse Kunihiro Morishima, da Universidade de Nagoya, no Japão.

Os pesquisadores não sabem se esse vazio contém artefatos, porque seriam muito pequenos para serem detectados pela técnica utilizada. Eles também não sabem informar sobre o papel dessa câmara na pirâmide. Poderia ser uma sucessão de câmaras contíguas, um enorme corredor horizontal ou uma segunda galeria, por exemplo.

A única certeza no momento é que será difícil alcançar a câmara. "Nós pensamos em métodos de pesquisa muito leves, não destrutivos", disse o codiretor do projeto. O Centro Nacional de Investigação Científica e o Instituto Nacional de Pesquisa em Computadores e Automação se uniram ao projeto no ano passado para estudar um novo tipo de robô que possa passar por buracos muito pequenos.


Fonte:Estadão

 

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