EUIDEAL - A Operação Reduto, deflagrada nesta quinta-feira (9) pela Polícia Federal contra um suposto esquema de "rachadinha" dentro da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), também mira outras fraudes que, segundo a investigação, estariam ligadas ao mesmo grupo criminoso. Uma delas tem endereço em Manaus: o empresário Ivair Ferreira, sócio-administrador da Millennium Locadora Ltda, é apontado pela PF como o responsável pela empresa suspeita de receber contratos direcionados em Ariquemes, no interior de Rondônia. Foi na casa dele, em um condomínio no bairro Ponta Negra, na zona oeste da capital amazonense, que a Polícia Federal encontrou os R$ 815.830 em espécie e a coleção de relógios de luxo que já haviam repercutido nas primeiras horas da operação — um detalhe que muda a geografia do caso: o dinheiro não foi apreendido em Rondônia, mas em Manaus, junto ao endereço pessoal do empresário.

A empresa, segundo dados oficiais

  • Razão social: Millennium Locadora Ltda.
  • CNPJ: 03.422.390/0001-86.
  • Sócio-administrador: Ivair Ferreira.
  • Data de abertura: 27/09/1999.
  • Capital social: R$ 30.600.000,00.
  • Sede: Rua Pensador, 115, Adrianópolis, Manaus (AM).
  • Atividade principal: remoção de pacientes (ambulâncias), além de dezenas de atividades secundárias, incluindo locação de veículos, transporte de passageiros e de carga, terraplenagem e locação de mão de obra.
Consulta ao Quadro de Sócios e Administradores da Millennium Locadora, mostrando Ivair Ferreira como sócio-administrador

Consulta ao Quadro de Sócios e Administradores (QSA) da Receita Federal confirma Ivair Ferreira como sócio-administrador da Millennium Locadora.

Contratos em Ariquemes e histórico no TCE-RO


Em Rondônia, a Millennium Locadora presta serviço de ambulâncias para a prefeitura de Ariquemes, um dos dois municípios do Estado onde a Operação Reduto cumpriu mandados nesta quinta-feira (9). Segundo a Polícia Federal, uma das frentes de investigação é justamente o direcionamento de licitações e contratos públicos no município — contratos que, segundo a apuração, teriam sido vencidos pela empresa de Ivair Ferreira.

Não é a primeira vez que a Millennium aparece sob suspeita em Rondônia. Em janeiro de 2025, o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RO) suspendeu contratos do Departamento de Estradas, Rodagens, Infraestrutura e Serviços Públicos (DER-RO) com a empresa, referentes ao Pregão Eletrônico nº 615/2023, por suspeita de sobrepreço. Na ocasião, o órgão de controle apontou risco de prejuízo de até R$ 225,2 milhões aos cofres públicos.

Os R$ 815.830 em espécie e a coleção de relógios de luxo mostrados nas imagens da operação foram encontrados na residência de Ivair Ferreira, em Manaus — não em endereços de Rondônia.

Sócio de restaurante de luxo em Manaus


Segundo apuração do portal Radar Amazônico, que consultou dados da Receita Federal, Ivair Ferreira também é sócio do restaurante Barollo, localizado no bairro Vieiralves, um dos endereços gastronômicos mais valorizados da capital amazonense. De acordo com o mesmo levantamento, enquanto a Millennium Locadora tem capital social de R$ 30,6 milhões, o Barollo está registrado com capital social de R$ 2,8 milhões.

Nota do Eu Ideal

Os dados sobre a Millennium Locadora e a qualificação de Ivair Ferreira como sócio-administrador foram confirmados diretamente pelo Eu Ideal junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e ao Quadro de Sócios e Administradores da Receita Federal. Já a informação de que Ivair também é sócio do restaurante Barollo tem como fonte a apuração do portal Radar Amazônico, que diz tê-la confirmado junto à Receita Federal; esta reportagem não teve acesso direto aos dados do CNPJ do restaurante e credita a informação à fonte original. Até a publicação desta matéria, Ivair Ferreira não havia se manifestado publicamente sobre as investigações da Operação Reduto.

O que diz a investigação


Segundo a Polícia Federal, a suposta organização criminosa investigada pela Operação Reduto atuava em duas frentes: uma ligada ao direcionamento de licitações e contratos públicos em Ariquemes — tendo a Millennium Locadora como uma das empresas beneficiadas, segundo a apuração — e outra dedicada ao desvio de salários de servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), no esquema conhecido como "rachadinha". As investigações, iniciadas em 2024 a partir de relatórios do Coaf, identificaram movimentações financeiras superiores a R$ 9 milhões incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.