Rondônia realiza aplicação inédita de polilaminina em paciente que perdeu o movimento das pernas
O que você precisa saber
- Laércio Torres (Avante), candidato a deputado estadual e ex-secretário de Obras de Vilhena, recebeu aplicação de polilaminina em Cacoal após cirurgia na coluna.
- Ele sofreu grave lesão medular em acidente na BR-364 no último sábado (12), que comprometeu os movimentos das pernas, no trajeto de volta de Porto Velho para Vilhena.
- O procedimento foi acompanhado pelo secretário estadual de Saúde e neurocirurgião Edilton Oliveira, que confirmou que o paciente se enquadrou na janela terapêutica exigida para receber a substância.
- A polilaminina segue em fase experimental: a Anvisa autorizou em 2026 um estudo clínico de fase 1 voltado a avaliar a segurança do produto, não sua eficácia.
- O governo estadual estuda estruturar Cacoal como centro de referência para atendimento a pacientes com lesão medular que possam se enquadrar nos critérios de acesso à substância.
EUIDEAL - Rondônia registrou mais um capítulo na chegada da polilaminina ao estado: desta vez, o paciente é o candidato a deputado estadual Laércio Torres (Avante), ex-secretário municipal de Obras de Vilhena. Ele recebeu a aplicação da substância experimental em Cacoal após passar por cirurgia para tratar as graves lesões provocadas por um acidente na BR-364.
Laércio sofreu as lesões na coluna no último sábado (12), quando fazia o trajeto de volta de Porto Velho para Vilhena. Segundo informações divulgadas após a cirurgia, o trauma comprometeu os movimentos das pernas do candidato, caracterizando um quadro de lesão medular.
A aplicação da polilaminina representa uma nova etapa do tratamento de Laércio. A substância é resultado de pesquisas lideradas pela cientista Tatiana Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e segue sendo estudada como possível alternativa para pacientes com lesões agudas e completas da medula espinhal. A Anvisa autorizou, em 2026, um estudo clínico de fase 1 cujo objetivo principal é avaliar a segurança do produto — não comprovar sua eficácia.
O secretário de Estado da Saúde de Rondônia, Edilton Oliveira, que também é neurocirurgião e participou diretamente do tratamento, explicou à reportagem que Laércio se enquadrou nos critérios temporais exigidos para receber a substância. Segundo ele, o objetivo da aplicação é criar condições que possam favorecer a recuperação neurológica ao longo da evolução do quadro clínico.
"Não é um milagre. Vamos deixar bem claro."
Edilton reforçou que, depois da intervenção na coluna e da aplicação da polilaminina, o paciente segue agora para uma etapa considerada fundamental do tratamento: a reabilitação e a fisioterapia. De acordo com a Anvisa, o protocolo do estudo clínico autorizado contempla pacientes com lesão aguda completa da medula torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica — critérios que, segundo a agência, ainda não permitem concluir que a substância seja eficaz para a recuperação dos movimentos.
Durante a entrevista, Edilton revelou que o governo estadual estuda estruturar Cacoal como centro de referência para o atendimento de pacientes com lesões medulares que possam se enquadrar nos critérios de acesso à polilaminina. Segundo o secretário, a proposta já foi discutida com o governador e leva em conta, sobretudo, a necessidade de agilidade no atendimento — já que fatores como avaliação especializada, descompressão da medula, estabilização da coluna e cumprimento da janela terapêutica prevista nos protocolos podem ser determinantes para a elegibilidade do paciente ao tratamento.
A ideia, conforme explicou o secretário, é organizar os fluxos de atendimento para que novos pacientes que chegarem à rede de urgência do estado com características compatíveis possam ser avaliados com rapidez suficiente para não perder a janela de tempo exigida pelo protocolo.
Apesar da expectativa gerada pelos resultados iniciais das pesquisas com a polilaminina, o próprio secretário fez questão de reforçar que o procedimento não deve ser tratado como cura comprovada para a paraplegia. A Anvisa afirma que a primeira fase do estudo em humanos foi autorizada especificamente para avaliação de segurança, e que somente etapas posteriores da pesquisa poderão produzir evidências mais robustas sobre a real eficácia do tratamento.
A substância chega a pacientes rondonienses por meio do uso compassivo, mecanismo que permite, em situações específicas e mediante autorização regulatória, o acesso a produtos ainda em desenvolvimento e sem registro para uso terapêutico rotineiro. Agora, Laércio Torres segue sob acompanhamento médico, com a evolução neurológica sendo observada ao longo do processo de recuperação e reabilitação.
Nota do Eu Ideal: A polilaminina é uma substância experimental, autorizada pela Anvisa apenas para estudo clínico de fase 1, voltado à avaliação de segurança. A agência reguladora não confirma, até o momento, a eficácia do produto na recuperação de movimentos. As informações médicas desta reportagem têm como base entrevista concedida ao Eu Ideal pelo secretário de Estado da Saúde, Edilton Oliveira.



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