SAIDA DE IVO CASSOL DA DISPUTA EMBARALHA DISPUTA AO GOVERNO E FAVORECE MARCOS ROCHA

Dois grandes caciques deixam a disputa e o caminho quase livre para a reeleição do governador Marcos Rocha; o agrupamento de forças para se contrapor ao grupo formado por ele o Hildon Chaves é o único caminho viável para os demais concorrentes, embora pouco provável

12/03/2022 - 12:32 hs

Por Elizeu Lira

 

 

Tenho defendido neste espaço já há algum tempo a ideia de que as eleições majoritárias no estado de Rondônia serão favoráveis àquelas lideranças políticas que reunirem o maior número de outras lideranças políticas ao seu redor. Tenho dito também que o espaço para personalidades únicas com chances de vencer as eleições quase não existem e que isso se aplica também para a disputa da única vaga ao senado. Além disso, a montagem das nominatas aos cargos proporcionais será objeto de complexa engenharia, uma vez que diminuiu o número de vagas para a disputa nas duas bancadas, estadual e federal (antes eram 12 para federal e 36 para estadual; agora 09 para federal e 25 para estadual). Com isso, e em função do quociente eleitoral necessário à abertura de vagas nos dois parlamentos, os nomes escolhidos devem ser muito bom de votos.

 

A dificuldade na montagem das nominatas de se deve a uma razão bem simples: os caciques dos partidos possuem mandatos e querem mantê-los ou buscam a eleição, logo, buscarão construir o melhor arranjo para eles próprios. E como há mais caciques e candidatos com potencial de eleição do que vagas...

 

Esta semana, no entanto, o ambiente político de Rondônia foi sacudido mais uma vez por um fato de grande impacto para a sucessão estadual. O Supremo Tribunal Federal – STF decidiu não reconhecer o recurso do PDT que pedia a reconsideração do prazo do início da contagem do período de inelegibilidade dos políticos condenados por colegiados de tribunais superiores, embora o ministro relator Cássio Marques defendesse que assim fosse. Com isso, o ex-senador e ex-governador e atual empresário Ivo Cassol foi alcançado pela decisão e não poderá concorrer ao cargo de governador, ou a qualquer outro.

 

Com a saída de Cassol da disputa, que se juntou ao decidido pelo senador Confúcio Moura há três semanas atrás, restam pouco nomes que, isolados, possam fazer frente ao atual governador Marcos Rocha – e ao poderio das duas máquinas que este controla. Sem apontar nomes que possam substituí-los à altura, Ivo Cassou e Confúcio Moura pouco podem influenciar na continuidade do jogo eleitoral. Restam-lhes coordenar a montagem das nominatas dos cargos proporcionais e, se quiserem, atuar em favor deste(a) ou daquele(a) candidato(a).

 

Dos nomes com potencial para candidaturas ao governo do estado, apenas Vinicius Miguel (CIDADANIA) mantêm postura e agenda de candidato. O senador Marcos Rogério (PL) insiste com o silêncio prolongado em relação à sua participação ou não eleições de 2022. Mesmo envolvido em uma agenda agressiva pelo interior do estado, o seu silêncio recomenda cautela sobre como se comportará.

 

O deputado Léo Moraes é outro nome com estatura para pleitear os mandatos de governador ou senador. Afagado pelo MDB, após a desistência de Confúcio Moura, Moraes deseja ser ungido pelo cacique e pelo MDB para ser o candidato do grupo. Sua agenda tem priorizado ações e conversas que o levem nessa direção.

 

O candidato do blocão da esquerda rondoniense, aglomerado de 6 ou 7 partidos progressistas ainda está indefinido, mas há indícios de que o nome será o do ex-deputado federal e ex-secretário estadual da agricultura Anselmo de Jesus. Com a federalização anunciada nesta semana entre o PT, o PC do B e o Partido Verde, e reunindo bons nomes para as disputas proporcionais, estas três siglas ganham força para a condução do processo de agrupamento necessário para fazer um bom papel no pleito de 2022.

 

Para finalizar, deixo as últimas observações em relação à disputa aos cargos majoritários.

 

Com a boa articulação realizada pelo governador Marcos Rocha e pelo prefeito Hildon Chaves, o agrupamento reunido pelos dois tem força para disputar com boas chances a reeleição do governador e também eleger o senador, ou senadora. O grupo controla as duas máquinas administrativas mais poderosas do estado. E, parece, dispõem de bons operadores no manejo das engrenagens que as fazem eficientes.

 

Se não houver correspondente força aglutinada do outro lado, as chances dos concorrentes são mínimas, uma vez que dividirão os votos não simpáticos ao governador. As candidaturas isoladas de Vinicius Miguel, com ou sem apoio do agrupamento de esquerda, ou de Léo Moraes com a ajuda de Confúcio Moura/MDB, ou a de Marcos Rogério com o apoio de Ivo Cassol, são insuficientes para fazer frente à Marcos Rocha/Hildon Chaves. Neste último caso, a presença de Marcos Rogério é pouco produtiva, uma vez que ele transita no mesmo espaço político do governador.

 

Em resumo, qualquer agrupamento de apenas dois grupos não é capaz de fazer frente ao arranjo político organizado pelo governador e pelo prefeito de Porto velho. Concordo com o que disse Confúcio Moura há alguns dias atrás: a eleição majoritária em Rondônia passa pelo apoio dele e do MDB. Eu acrescentaria, com muita tranquilidade: neste ano, em função da hábil jogada de Marcos Rocha e Hildon Chaves, passa também pelo apoio do ex-senador Ivo Cassol. A ver.