Ex-deputado federal pelo RJ e ex-candidato à Presidência do Brasil, Cabo Daciolo transfere título eleitoral para Rondônia e deverá ser candidato a senador pelo Estado
Reprodução EUIDEAL, com Alerta Rondônia - O ex-deputado federal Cabo Daciolo, conhecido nacionalmente por sua candidatura à Presidência da República em 2018 e por bordões como “Glória a Deus!”, transferiu oficialmente seu título eleitoral para Rondônia. O movimento reforça rumores de que o ex-parlamentar pretende disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições de 2026, o que pode reconfigurar o cenário político do estado.

Durante sua passagem por Porto Velho, Daciolo visitou veículos de comunicação locais e esteve na sede do jornal eletrônico Eu Ideal, onde concedeu entrevista exclusiva ao jornalista Juan Pantoja. Na conversa, o ex-parlamentar falou sobre política, fé e o atual cenário de polarização ideológica no país, destacando o papel da espiritualidade e da união nacional no processo político.
Daciolo ganhou projeção nacional ao disputar a Presidência da República em 2018, quando obteve 1.348.323 votos em todo o país — sendo 9.816 votos em Rondônia, o que o colocou em 6º lugar no estado. Em 2022, concorreu ao Senado Federal pelo Rio de Janeiro, conquistando 285.037 votos e novamente ficando em 6º lugar.
Com a possível entrada de Daciolo na disputa em Rondônia, nomes já consolidados no cenário político começam a reavaliar suas estratégias. O senador Marcos Rogério (PL) deve buscar a reeleição, enquanto o deputado estadual Rodrigo Camargo, aliado do prefeito Léo Moraes, desponta como um dos principais concorrentes. Camargo, que mantém diálogo com o deputado federal Rafael Fera, tem se destacado pela boa aceitação entre católicos e evangélicos, fator determinante no eleitorado local.
Outros nomes também se movimentam nos bastidores, como a deputada federal Sílvia Cristina, vista como opção entre os eleitores mais moderados, e o empresário Bruno Scheid, ligado ao agronegócio e apontado como o “candidato do agro”, com apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O peso do eleitor evangélico
Rondônia é um dos estados com maior proporção de eleitores evangélicos do Brasil, representando cerca de 42% da população. Esse perfil pode favorecer Cabo Daciolo, cuja trajetória política e pública está fortemente associada à fé e ao discurso religioso. Sua retórica messiânica, marcada por apelos à espiritualidade e à moral cristã, tende a mobilizar uma base conservadora significativa — embora cause resistência entre setores mais moderados do eleitorado.
Por outro lado, o deputado Rodrigo Camargo, católico praticante, tem se destacado por adotar uma postura mais equilibrada entre fé e política, o que o torna menos vulnerável ao avanço de Daciolo nesse segmento.
Memórias e decepções recentes
A possível candidatura de Daciolo reacende um debate entre os eleitores rondonienses: seguir figuras de projeção nacional ou apostar em novas lideranças regionais. Nas últimas eleições, políticos como Jaime Bagattoli e o governador Marcos Rocha se beneficiaram da chamada “onda bolsonarista”, mas parte do eleitorado avalia que o desempenho de ambos não correspondeu às expectativas.
Diante desse histórico, a chegada de Daciolo traz uma nova dúvida: Rondônia repetirá o voto de confiança em nomes de fora ou buscará consolidar lideranças locais com base no desempenho e na representatividade regional?
Um novo capítulo político
Entre o carisma religioso e o discurso patriótico, Cabo Daciolo representa tanto entusiasmo quanto incerteza. Sua presença no cenário político de Rondônia promete acirrar o debate ideológico e religioso nas eleições de 2026 e pode marcar o início de uma das disputas mais intensas e simbólicas da história recente do estado.




COMENTÁRIOS