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Porto Velho,14/04/2026

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Rondônia entra para lista rara no país com irmãos no comando do governo, ainda que de forma interina; entenda

EUIDEAL
Rondônia entra para lista rara no país com irmãos no comando do governo, ainda que de forma interina; entenda Foto: Divulgação
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Juan Pantoja/EUIDEAL - A presença de irmãos ocupando posições centrais de poder político no Brasil é considerada incomum, especialmente no comando de governos estaduais. Levantamentos sobre o tema apontam poucos exemplos clássicos no país, como os irmãos Ciro Gomes e Cid Gomes, no Ceará, e Jorge Viana e Tião Viana, no Acre — todos eleitos pelo voto popular, ainda que em períodos distintos.


Ciro Gomes e Cid Gomes / Foto: O POVO


Em Rondônia, no entanto, uma configuração diferente chama atenção. Os irmãos Raduan Miguel Filho e Alexandre Miguel não foram eleitos governadores, mas chegaram a exercer o comando do estado de forma interina, seguindo a linha de sucessão prevista na Constituição.


Os dois magistrados construíram suas trajetórias no Judiciário e integraram a cúpula do Tribunal de Justiça de Rondônia, onde ocuparam, em momentos distintos, a presidência da Corte. Pelo ordenamento jurídico, o presidente do tribunal pode assumir o governo estadual em situações excepcionais, como a ausência simultânea do governador, do vice e do presidente da Assembleia Legislativa. Foi nesse contexto que ambos exerceram, ainda que temporariamente, a função de governador.

É um caso raro por reunir dois fatores pouco frequentes: irmãos que chegam ao topo do Judiciário e que, ao mesmo tempo, integram a linha de substituição do Executivo estadual.

A diferença em relação a outros estados é evidente. Nos casos do Ceará e do Acre, o fenômeno está associado à continuidade política familiar, baseada em capital eleitoral e sucessão por meio das urnas. Já em Rondônia, a situação decorre de outro mecanismo: a trajetória na magistratura e o desenho institucional da sucessão.


Na prática, isso significa que, enquanto nos estados citados o acesso ao cargo ocorreu por eleição direta, em Rondônia a chegada ao Executivo se deu por previsão constitucional e de forma temporária.


Além da atuação no Judiciário, a família também possui inserção no campo político. O advogado e cientista político Vinícius Miguel, ligado ao grupo familiar, disputou o governo de Rondônia em 2018, foi secretário municipal na segunda gestão dos prefeitos Hildon Chaves (2020-2024) e Léo Moraes (2025-2028) e atualmente atua na direção estadual de partido político. Analistas avaliam que a coexistência de trajetórias no sistema de justiça e na política partidária pode indicar ampliação de influência, ainda que em esferas distintas.


Apesar da tradição de famílias influentes na política brasileira, não há registros recentes de irmãos que tenham exercido simultaneamente o cargo de governador. Mesmo os casos conhecidos ocorreram de forma sucessiva, em períodos diferentes.


No recorte mais específico de irmãos que chegaram ao comando do Executivo estadual, os exemplos permanecem limitados. A situação de Rondônia, embora distinta por não envolver eleição direta, amplia o debate sobre as diferentes formas de acesso ao poder no país, evidenciando a diferença entre capital eleitoral, oriundo das urnas, e capital institucional, decorrente das posições ocupadas dentro da estrutura do Estado.




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