Polícia Federal mira mandantes e milícias rurais em operação contra assassinatos de líderes camponeses
Ação cumpre mandados em Porto Velho, Candeias e Ji-Paraná para esclarecer mortes ocorridas entre 2009 e 2016 que estavam sem solução há mais de uma década.
Foto: Divulgação A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF), deflagrou na manhã desta terça-feira (14) uma operação de grande impacto para combater a impunidade no campo em Rondônia. A ação busca colher provas decisivas sobre o assassinato de oito trabalhadores rurais e lideranças camponesas, mortos em um contexto de guerra agrária e crimes ambientais no interior do estado.
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Esta operação é o desdobramento de uma decisão histórica do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que determinou a "federalização" das investigações. O entendimento foi de que o sistema de segurança pública estadual não conseguiu, ao longo de quase 17 anos em alguns casos, punir os responsáveis.
Relatórios apontam que investigações locais foram marcadas por inércia e, em situações mais graves, por suspeitas de envolvimento de agentes públicos com milícias privadas que faziam a segurança de latifúndios e áreas de grilagem.
Vítimas e casos emblemáticos
Entre as mortes que a Polícia Federal tenta agora esclarecer, estão nomes que se tornaram símbolos da luta por terra e preservação ambiental em Rondônia:
Renato Nathan (2012): Professor e liderança camponesa, morto em Nova Mamoré em circunstâncias que levantam suspeitas de execução.
Dinhana Nink (2012): Assassinada em Porto Velho na frente do filho pequeno após denunciar a extração ilegal de madeira em terras públicas.
Gilson Gonçalves e Élcio Machado (2009): Vítimas de tortura e execução em Buritis, em um caso que ficou parado por anos nas delegacias locais.
Isaque Dias e Edilene Mateus (2016): Mortos em Alto Paraíso após denunciarem a atuação de milícias armadas na região.
Penas e Próximos Passos
Os crimes investigados são de homicídio doloso qualificado, com penas que podem chegar a 30 anos de reclusão. Além dos assassinatos, os envolvidos podem responder por associação criminosa e constituição de milícia privada.
Com os materiais apreendidos hoje em Porto Velho e no interior, a Polícia Federal espera cruzar dados e depoimentos para chegar aos financiadores desses crimes. A operação reforça o recado de que crimes contra os direitos humanos e lideranças sociais não prescreverão sem a devida justiça, mesmo que levem décadas para serem devidamente investigados pela esfera federal.



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