Adolescente de 16 anos é torturada, morta e tem roupas queimadas em chácara na zona Leste de Porto Velho; pai confessa cárcere privado e família é presa
Vítima apresentava desnutrição severa, ossos expostos, ferimentos com larvas e indícios de imobilização prolongada; polícia apura crimes de tortura com resultado morte, maus-tratos e omissão de socorro
Divulgação EUIDEAL - Uma adolescente de 16 anos, identificada como Marta Isabelle dos Santos Silva, foi encontrada morta na noite desta terça-feira (24), em uma chácara localizada na rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, bairro Jardim Santana, na zona Leste da capital. O caso, que apresenta fortes indícios de tortura, cárcere privado e violência doméstica, resultou na prisão do pai, da madrasta e da avó paterna da vítima.
Segundo informações da guarnição acionada pelo Centro Integrado de Operações Policiais (CIOP), por volta das 19h, a Polícia Militar foi chamada após denúncia de que a adolescente, que estaria desaparecida há cerca de três meses, teria retornado à residência com vários ferimentos e morrido por volta das 18h30.
No local, a madrasta I. F. S. F. levou os policiais até o interior da casa, onde Marta Isabelle foi encontrada deitada sobre uma cama, coberta por um lençol, já sem sinais vitais. A área foi isolada e o Samu confirmou oficialmente o óbito.
Lesões graves e cenário de tortura
A perícia constatou uma sequência de sinais de extrema violência. A adolescente apresentava:
Ossos expostos, incluindo o rádio do braço esquerdo e um osso na região da clavícula
Ferimento na perna com presença de larvas (miíase)
Lesões nas costas, compatíveis com permanência prolongada deitada
Dente frontal quebrado
Desnutrição severa, indicando longo período de negligência
De acordo com a perita criminal, era impossível que a vítima tivesse chegado caminhando ao local devido ao estado crítico de saúde. Ainda segundo a avaliação técnica, as dores seriam intensas, tornando improvável que a situação ocorresse sem que houvesse gritos ou pedidos de socorro audíveis.
Roupas queimadas e suspeita de ocultação de provas
Durante a varredura na área externa da residência, os policiais encontraram uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. O material foi apagado pela equipe.
A quantidade de fraldas levantou suspeita de que a adolescente permanecia no local há muito mais tempo do que o relatado pela madrasta, reforçando a hipótese de tentativa de ocultação de provas.
Relatos contraditórios da família
Em depoimento inicial, a madrasta afirmou que a jovem estava desaparecida há mais de dois meses — sem qualquer registro de ocorrência policial. Disse ainda que a adolescente teria retornado a pé, descalça e muito debilitada, e que optou por fazer apenas cuidados caseiros, sem procurar atendimento médico.
A avó paterna, B. M. S., confirmou ter visto a neta em estado grave, mas também não acionou socorro. Ambas apresentaram versões contraditórias sobre a presença do pai da vítima na residência.
Vizinhos relataram que não viam Marta Isabelle desde o período do Natal. Um deles contou que, ao questionar o paradeiro da jovem, ouvia como resposta que ela estaria em retiro religioso ou na casa de parentes.
Uma testemunha, filha da madrasta, afirmou que a adolescente já teria sofrido maus-tratos anteriormente, inclusive com registro policial.
Pai confessa cárcere privado
Após diligências, o pai da adolescente, C. J. S., foi localizado na casa da própria mãe. Em depoimento, ele confessou que a filha não estava desaparecida.
Segundo o relato, após a jovem fugir de casa meses atrás, ele a trouxe de volta e passou a mantê-la em cárcere privado por mais de dois meses. Todas as noites, a adolescente era amarrada à cama com fios elétricos, com os braços presos, e durante o dia permanecia trancada dentro da residência.
O pai, no entanto, não soube explicar os ferimentos graves e os ossos expostos.
Testemunhas também informaram que ele teria cortado o cabelo da filha como forma de castigo, alegando que ela estava com piolhos.
Abaixo vídeo do site Rondoniaovivo.
Prisões e crimes investigados
Diante das evidências periciais, confissão e omissões da família, a polícia concluiu haver indícios de participação do pai, madrasta e avó paterna, tanto por ação quanto por negligência, nos crimes de:
➡️ Tortura com resultado morte
➡️ Cárcere privado
➡️ Maus-tratos
➡️ Omissão de socorro
Os três receberam voz de prisão em flagrante, foram informados de seus direitos constitucionais e encaminhados à Central de Flagrantes.
Durante a ocorrência, a polícia apreendeu celulares, documentos pessoais e cartões bancários em posse das envolvidas.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com apoio do Instituto Médico Legal (IML), que irá confirmar oficialmente a causa da morte.







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