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Porto Velho,09/03/2026

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Adolescente de 16 anos é torturada, morta e tem roupas queimadas em chácara na zona Leste de Porto Velho; pai confessa cárcere privado e família é presa

Vítima apresentava desnutrição severa, ossos expostos, ferimentos com larvas e indícios de imobilização prolongada; polícia apura crimes de tortura com resultado morte, maus-tratos e omissão de socorro

EUIDEAL, com informações da Polícia Militar
Adolescente de 16 anos é torturada, morta e tem roupas queimadas em chácara na zona Leste de Porto Velho; pai confessa cárcere privado e família é presa Divulgação
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EUIDEAL - Uma adolescente de 16 anos, identificada como Marta Isabelle dos Santos Silva, foi encontrada morta na noite desta terça-feira (24), em uma chácara localizada na rua Afonso Brasil, setor Chacareiro, bairro Jardim Santana, na zona Leste da capital. O caso, que apresenta fortes indícios de tortura, cárcere privado e violência doméstica, resultou na prisão do pai, da madrasta e da avó paterna da vítima.

Segundo informações da guarnição acionada pelo Centro Integrado de Operações Policiais (CIOP), por volta das 19h, a Polícia Militar foi chamada após denúncia de que a adolescente, que estaria desaparecida há cerca de três meses, teria retornado à residência com vários ferimentos e morrido por volta das 18h30.

No local, a madrasta I. F. S. F. levou os policiais até o interior da casa, onde Marta Isabelle foi encontrada deitada sobre uma cama, coberta por um lençol, já sem sinais vitais. A área foi isolada e o Samu confirmou oficialmente o óbito.


Lesões graves e cenário de tortura

A perícia constatou uma sequência de sinais de extrema violência. A adolescente apresentava:

  • Ossos expostos, incluindo o rádio do braço esquerdo e um osso na região da clavícula

  • Ferimento na perna com presença de larvas (miíase)

  • Lesões nas costas, compatíveis com permanência prolongada deitada

  • Dente frontal quebrado

  • Desnutrição severa, indicando longo período de negligência

De acordo com a perita criminal, era impossível que a vítima tivesse chegado caminhando ao local devido ao estado crítico de saúde. Ainda segundo a avaliação técnica, as dores seriam intensas, tornando improvável que a situação ocorresse sem que houvesse gritos ou pedidos de socorro audíveis.


Roupas queimadas e suspeita de ocultação de provas

Durante a varredura na área externa da residência, os policiais encontraram uma fogueira com roupas e grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas. O material foi apagado pela equipe.

A quantidade de fraldas levantou suspeita de que a adolescente permanecia no local há muito mais tempo do que o relatado pela madrasta, reforçando a hipótese de tentativa de ocultação de provas.


Relatos contraditórios da família

Em depoimento inicial, a madrasta afirmou que a jovem estava desaparecida há mais de dois meses — sem qualquer registro de ocorrência policial. Disse ainda que a adolescente teria retornado a pé, descalça e muito debilitada, e que optou por fazer apenas cuidados caseiros, sem procurar atendimento médico.

A avó paterna, B. M. S., confirmou ter visto a neta em estado grave, mas também não acionou socorro. Ambas apresentaram versões contraditórias sobre a presença do pai da vítima na residência.

Vizinhos relataram que não viam Marta Isabelle desde o período do Natal. Um deles contou que, ao questionar o paradeiro da jovem, ouvia como resposta que ela estaria em retiro religioso ou na casa de parentes.

Uma testemunha, filha da madrasta, afirmou que a adolescente já teria sofrido maus-tratos anteriormente, inclusive com registro policial.


Pai confessa cárcere privado

Após diligências, o pai da adolescente, C. J. S., foi localizado na casa da própria mãe. Em depoimento, ele confessou que a filha não estava desaparecida.

Segundo o relato, após a jovem fugir de casa meses atrás, ele a trouxe de volta e passou a mantê-la em cárcere privado por mais de dois meses. Todas as noites, a adolescente era amarrada à cama com fios elétricos, com os braços presos, e durante o dia permanecia trancada dentro da residência.

O pai, no entanto, não soube explicar os ferimentos graves e os ossos expostos.

Testemunhas também informaram que ele teria cortado o cabelo da filha como forma de castigo, alegando que ela estava com piolhos.

Abaixo vídeo do site Rondoniaovivo. 


Prisões e crimes investigados

Diante das evidências periciais, confissão e omissões da família, a polícia concluiu haver indícios de participação do pai, madrasta e avó paterna, tanto por ação quanto por negligência, nos crimes de:

➡️ Tortura com resultado morte
➡️ Cárcere privado
➡️ Maus-tratos
➡️ Omissão de socorro

Os três receberam voz de prisão em flagrante, foram informados de seus direitos constitucionais e encaminhados à Central de Flagrantes.

Durante a ocorrência, a polícia apreendeu celulares, documentos pessoais e cartões bancários em posse das envolvidas.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, com apoio do Instituto Médico Legal (IML), que irá confirmar oficialmente a causa da morte.




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