Ginecologista de 81 anos é preso após nova denúncia de abuso durante exame pré-parto
Investigação aponta relatos semelhantes ao longo de décadas e levanta debate sobre influência política, silêncio das vítimas e falhas de fiscalização
Reprodução Um médico ginecologista de 81 anos foi preso preventivamente na quarta-feira (6), no Paraná, acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante um atendimento pré-parto. O investigado é Felipe Lucas, profissional conhecido na região tanto pela longa atuação na medicina quanto pela trajetória política.
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A prisão ocorreu após uma mulher procurar a polícia em Teixeira Soares relatando ter sofrido abuso durante um exame ginecológico. Segundo o depoimento, o médico teria realizado toques íntimos sem justificativa clínica durante vários minutos, interrompendo a conduta apenas após a entrada de uma enfermeira na sala.
O caso reacendeu outras denúncias já registradas contra o profissional. De acordo com a Polícia Civil do Paraná, ao menos outras mulheres apresentaram relatos semelhantes envolvendo consultas ginecológicas realizadas em anos anteriores.
As investigações apontam que os depoimentos possuem características semelhantes, mesmo sem relação entre as vítimas. Entre os relatos estão supostos procedimentos invasivos considerados incompatíveis com práticas médicas regulares, incluindo “massagens íntimas” e repetidos exames de toque durante consultas de pré-natal.
Segundo os investigadores, a presença de terceiros dentro do consultório teria interrompido os supostos abusos em diferentes ocasiões.
O delegado Luis Henrique Dobrychtop afirmou que muitas vítimas deixaram de denunciar anteriormente por medo da influência política do médico. Felipe Lucas já ocupou cargos como vereador, prefeito de Irati e deputado estadual no Paraná.
Além da atuação política, o ginecologista possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina do Paraná desde a década de 1970 e chegou a ser homenageado recentemente pelos 50 anos de profissão.
A investigação também identificou ausência de registros clínicos em prontuários relacionados a um dos atendimentos denunciados. Segundo a polícia, não teriam sido encontrados anotações médicas, pedidos de exames ou descrições clínicas referentes ao procedimento questionado.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná informou que abriu sindicância para apurar as denúncias. Já o Ministério Público do Paraná solicitou medidas cautelares para afastar o médico de funções públicas e suspender o exercício profissional.
Em nota, a defesa de Felipe Lucas negou as acusações e classificou a prisão como ilegal. Os advogados sustentam que parte dos fatos narrados estaria prescrita e afirmam que o médico provará inocência ao longo do processo.
O caso ampliou o debate sobre mecanismos de fiscalização na área médica, além das dificuldades enfrentadas por vítimas para denunciar profissionais com forte influência institucional e política.


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