A Polícia Federal abriu uma nova frente de apuração dentro da Operação Reduto: a possibilidade de que informações sigilosas sobre a ofensiva tenham vazado antes mesmo de os mandados serem cumpridos. A confirmação partiu do Ministério Público de Rondônia (MP-RO) nesta sexta-feira (10), um dia depois da deflagração da operação, batizada para apurar fraude em licitações, desvio de dinheiro público e um esquema de "rachadinha" no estado.
PF apura vazamento que pode ter alertado alvos da Operação Reduto em Rondônia
Ministério Público confirma que suspeita de vazamento será investigada em procedimento próprio; ação mirou fraude em licitações e esquema de "rachadinha" envolvendo a Assembleia Legislativa.
Foto: Reprodução O que você precisa saber
- A PF apura se detalhes da Operação Reduto vazaram um dia antes do cumprimento dos 19 mandados de busca e apreensão.
- O possível vazamento será investigado em procedimento próprio, e a PF deve ouvir jornalistas e autoridades que tiveram contato com as informações.
- A operação mirou fraude em licitações em Ariquemes e um esquema de "rachadinha" com servidores comissionados da Assembleia Legislativa.
- Foram bloqueados bens, contas e ativos digitais dos investigados, com teto de R$ 9 milhões.
De acordo com as suspeitas levantadas pelos investigadores, detalhes sobre a ação teriam circulado um dia antes de as equipes irem a campo cumprir os 19 mandados de busca e apreensão previstos. Caso confirmado, o vazamento pode ter comprometido parte da coleta de provas, e por isso passará a ser tratado em um procedimento investigativo separado. Como parte dessa apuração, a Polícia Federal deve ouvir jornalistas e autoridades que tiveram contato com informações sobre a operação antes da divulgação oficial, na tentativa de identificar a origem do possível vazamento.
Na quarta-feira (9), quando a operação foi deflagrada, agentes cumpriram nove mandados em Ariquemes, oito em Porto Velho e dois em Manaus. Em Ariquemes, o alvo foram servidores da própria prefeitura. Já na capital, a ação chegou até a Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero), onde policiais apreenderam documentos e mídias eletrônicas que agora passam por perícia. Até o momento, a identidade dos investigados não foi tornada pública.
Como começou a investigação
- Apuração teve início em 2024, a partir de relatórios do Coaf sobre movimentações financeiras suspeitas.
- As movimentações estavam ligadas a uma empresa de Manaus contratada pelo poder público em Rondônia.
- Foram identificadas movimentações superiores a R$ 9 milhões incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Segundo a corporação, o esquema investigado seguia por duas vias distintas. Em Ariquemes, o alvo era o direcionamento fraudulento de licitações e contratos públicos municipais. Já dentro da Assembleia Legislativa, a suspeita recai sobre o desvio de verbas por meio de contas de servidores comissionados, prática popularmente conhecida como "rachadinha".
Além das buscas e dos afastamentos determinados pela Justiça, a operação também autorizou o bloqueio de bens, contas e ativos digitais dos investigados, com teto fixado em R$ 9 milhões. Em Manaus, durante o cumprimento de um dos mandados, equipes ainda apreenderam dinheiro em espécie.
Procuradas, tanto a Prefeitura de Ariquemes quanto a Assembleia Legislativa de Rondônia se manifestaram por meio de nota. A Prefeitura afirmou estar colaborando com as autoridades e disse que os serviços públicos seguem funcionando normalmente, reforçando que, até o momento, não há conclusão sobre irregularidades. Já a Alero declarou acompanhar a operação, disse permanecer à disposição para prestar esclarecimentos e reafirmou seu compromisso com a legalidade e a transparência nos processos de contratação.
Nota da redação
A investigação sobre o possível vazamento está em fase inicial. Novas informações podem surgir conforme a apuração avance, e o espaço permanece aberto para manifestação de qualquer pessoa ou instituição eventualmente citada no processo.



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