Secretário de Saúde rebate protagonismo político sobre polilaminina em Rondônia: 'Não precisa de intervenção de ninguém'
Edilton Oliveira diz que contato com a equipe da pesquisa é direto entre médicos e pesquisadores e afirma que já acompanhava o tratamento antes de assumir a Sesau
Edilton Oliveira concede entrevista ao Eu Ideal. Foto: Eu Ideal O secretário de Estado da Saúde e neurocirurgião Edilton Oliveira negou que tenha sido necessária articulação política para viabilizar a aplicação da polilaminina em Laércio Torres, pré-candidato a deputado estadual que sofreu lesão medular em acidente na BR-364. Questionado sobre a atuação do deputado federal Fernando Máximo no caso, o secretário reconheceu o contato do parlamentar com a equipe da pesquisa, mas afirmou que qualquer médico pode buscar a mesma interlocução diretamente.
EUIDEAL - O secretário estadual de Saúde, Edilton Oliveira, rebateu a ideia de que tenha havido protagonismo político na viabilização da polilaminina em Rondônia. A substância, ainda experimental, foi aplicada em Laércio Torres, pré-candidato a deputado estadual, após lesão medular sofrida em acidente na BR-364.
A declaração veio em resposta a questionamentos sobre a participação do deputado federal Fernando Máximo, que já havia divulgado publicamente ter mantido contato com integrantes da equipe responsável pela pesquisa.
"Não é um serviço político"
Neurocirurgião de formação, Edilton afirmou acompanhar o desenvolvimento da polilaminina havia algum tempo por razões profissionais, e disse já manter contatos com a equipe da pesquisa antes mesmo de assumir a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau). Segundo ele, médicos de diferentes estados já se relacionam diretamente com o grupo liderado pela professora Tatiana Sampaio, da UFRJ, sempre que identificam pacientes compatíveis com os critérios do estudo.
"Não precisa de intervenção política de ninguém. Qualquer colega médico que tem um paciente pode fazer o contato e eles vêm, sim. Isso é um serviço para a população e não um serviço político."
A fala do secretário surge em meio à disputa política em torno de quem teria contribuído para trazer a polilaminina a Rondônia — cenário no qual a versão apresentada por Edilton busca deslocar o episódio do debate eleitoral para o campo técnico-assistencial.
Estado de saúde de Laércio Torres
Edilton também atualizou a situação clínica de Laércio Torres, informando que o paciente apresenta evolução positiva após a cirurgia, ainda sem recuperação dos movimentos das pernas. O secretário pediu cautela quanto ao prognóstico, lembrando que pacientes com lesões medulares graves podem evoluir ao longo de períodos prolongados de reabilitação — o que, segundo ele, torna prematuro qualquer diagnóstico definitivo sobre a resposta neurológica de Laércio.
"Ele está melhorando. É lógico que ele ainda não está andando", afirmou Edilton, acrescentando esperar que sinais mais claros da recuperação apareçam nos próximos meses.
ASSISTA A REPORTAGEM:
Estudo segue restrito a cinco pacientes
A polilaminina segue em caráter experimental. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo clínico de fase 1, limitado a cinco pacientes, voltado principalmente à avaliação de segurança da substância em lesões medulares agudas completas. Não há, portanto, comprovação científica de que o produto seja capaz de recuperar os movimentos de pacientes com esse tipo de lesão.
Segundo a Anvisa, o protocolo autorizado contempla pacientes com lesão aguda completa da medula torácica, entre as vértebras T2 e T10, ocorrida há menos de 72 horas e com indicação cirúrgica.
Durante a entrevista, Edilton revelou ainda que um novo paciente com lesão medular deu entrada em unidade de saúde do estado e deverá passar por cirurgia. O secretário afirmou que pretende retomar contato com a equipe de Tatiana Sampaio para avaliar se o caso se enquadra nos critérios do estudo — o que ainda depende de análise médica e regulatória.
O QUE SE SABE
- Edilton Oliveira nega necessidade de intervenção política para a aplicação da polilaminina em Rondônia
- Secretário confirma que o deputado Fernando Máximo teve contato com a equipe da pesquisa, mas diz que a interlocução é aberta a qualquer médico
- Laércio Torres apresenta evolução após cirurgia, mas ainda não recuperou os movimentos das pernas
- Anvisa autorizou apenas estudo de fase 1, com cinco pacientes, para avaliação de segurança da substância
- Novo paciente com lesão medular pode ser avaliado para o protocolo


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