CLÁUDIO LOPES NEGREIROS
Leia hoje, porque amanhã já num serve mais.
Passada a primeira semana desde que inauguramos esta Coluna, e aquilo que foi escrito e provocado municiou o debate de, se muito, três dias. Houve quem concordasse com o que foi dito, também marcaram presença os discordantes e, a maioria, como sempre, não concorda nem discorda, aliás, “muito pelo contrário”.
Independente das inclinações, como tudo hoje em dia, o tema anterior já está obsoleto, jaz no obscurantismo da volatilidade daquilo que não mais importa. Aliás, na contemporaneidade, tudo é efêmero.
Em fevereiro de 2024, realizamos aqui no CME- PVH, uma apresentação do que havia de mais inovador no mundo tecnológico, o CHATGPT OPENAI, foi espantoso, a máquina pensava por si. Nossa proposta foi aproximar os gestores de escolas municipais da operacionalização da ferramenta mais inovadora que o mundo jamais vira, a Inteligência Artificial, dava as caras e prometia facilitar a vida da humanidade. Estamos em dezembro do mesmo ano e aquilo que, há dez meses, era inovador e vanguardista já se mostra ultrapassado e as tantas atualizações pelas quais passou a ferramenta apresentada, que no nosso evento elaborava textos autorais como se gente sabida fosse, hoje faz imagens, gráficos e conversa, como se gente mais sabida ainda tivesse se tornado.
Mas, e nós da Educação? Sabedores dessa rapidez na evolução tecnológica, o que temos feito a respeito?
Em julho, também deste ano, o Brazilian Times, divulgou que um brasileiro, Pedro Siciliano, desenvolveu uma plataforma gratuita de IA para professores e ganhou um prêmio inédito da Universidade de Stanford. Há três semanas o Brazil Journal informou que a empresa desse mesmo brasileiro captou um aporte de R$ 40 milhões para ampliação do atendimento a professores com IA.
E como a gente já sabe que, num é corrida de cavalo, mas a coisa anda ligeiro, há uma semana a Forbes Brasil noticia que o Pedro Siciliano foi reconhecido como destaque em Impacto Social da 30 Under, da 30 North America 2025.
Tá, mas tudo bem… onde é que quero chegar com essa conversa? Deve estar se perguntando o ansioso colega professor que até aqui leu estas más traçadas linhas. Explicá-lo-ei.
Há 40 anos o Brasil discute, pensa, elabora e implementa Planos decenais de educação, já vamos para o quarto. Década após década avaliamos os Planos terminados, concluímos que não alcançamos ao que se propunham, criticamos os governos passados e firmamos compromisso para o plano seguinte. Tô mentindo ou é mais ou menos por aí?
Pois bem, este ano terminamos mais um Plano, já concordamos que não prestou e tamo na peleja pra fazer um novo que, aí sim, irá resolver todos os problemas educacionais que os últimos três Planos não resolveram. A minuta do novo Plano educacional salvador da pátria, já foi entregue ao congresso e já recebeu mais mil emendas, no entanto, se aprovado, só valerá a partir de 2026, tendo em vista que já arrumaram uma Lei que dá validade ao atual até dezembro de 2025.
O texto atual tem 18 Objetivos, 56 Metas e mais l70 Estratégias, mas sabe quantas vezes a IA foi mencionada? Exatamente nenhuma! Retorne o caro leitor ao terceiro parágrafo deste texto e veja que afirmo que nós da Educação, sabemos que a tecnologia é rápida que só “coice de bacurim” e pergunto, o que temos feito sobre isso?
A julgar pela minuta do novo PNE, preferem nossos colegas ignorar a rapidez tecnológica que nos permeia, talvez sejamos espécie de profissionais vintage, achamos charmoso o tradicional giz no quadro negro nas salas com carteiras militarmente perfiladas, um luxo.
Se o caridoso leitor que chegou até aqui, tiver tido a misericórdia de ler meu artigo da semana passada, vai lembrar que falo sobre a postura pseudoempática dos teóricos educacionais da atualidade, que cheios da vontade de querer aparecer como criaturas evoluídas que criam um mundo melhor, ignoram em suas produções acadêmicas e na construção de marcos legais, os desafios educacionais prementes e jamais alcançados na plenitude, quais sejam, universalização, sala de aula devidamente estruturada, merenda e transporte escolar, e melhores índices em língua portuguesa e matemática, ao contrário disso, miram o debate nos temas que geram mais engajamento em redes sociais e que têm predileção na pauta de gente famosa, rica e hypada, parecem que o fazem de caso pensado.
Pois bem, meus caros, caso a mim fosse dada a honraria de contribuir com a discussão do PNE, eu, de pronto, ressaltaria a vociferante velocidade das dinâmicas tecnológicas e, sobretudo, sociais e contribuiria sugerindo que nunca mais se planejasse nada para dez anos. No mais, torço que o sarcasmo aqui colocado tenha alcançado ao menos um riso de canto de boca, se, por incapacidade redacional isso não tenha ocorrido, ambiciono ter acendido uma faísca de criticidade em alguns. Se no artigo anterior eu concluo alertando que o rei está nu, neste eu termino afirmando que alguns súditos fazem por onde terem o reinado que têm.




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