Câmara rejeita cassação de Carla Zambelli; bancada de RO vota contra e Rafael Fera, Thiago Flores e Silvia Cristina se ausentam
Presa na Itália, Carla Zambelli participa remotamente de reunião da CCJ da Câmara que discute a sua cassação — Foto: Kevin Lima/g1 EUIDEAL -A Câmara dos Deputados rejeitou, nesta quarta-feira (10), a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A votação registrou 227 votos a favor, 110 contra e 10 abstenções. Para que o mandato fosse cassado, seriam necessários 257 votos, número que não foi alcançado — levando ao arquivamento da representação da Mesa Diretora.
Bancada de Rondônia dividida
Entre os deputados de Rondônia, a bancada se dividiu.
Votaram “não” à cassação:
Dr. Fernando Máximo (UNIÃO)
Lúcio Mosquini (MDB)
Maurício Carvalho (UNIÃO)
Coronel Chrisóstomo (PL)
Cristiane Lopes (UNIÃO)
Por outro lado, Rafael Fera (PODE), Thiago Flores (MDB) e Silvia Cristina (PL) se ausentaram da votação.
Condenação no STF e prisão na Itália
Zambelli foi condenada definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de reclusão, por envolvimento nas invasões de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo a acusação, foram inseridos no sistema 16 documentos falsos, incluindo mandados de prisão e alvarás. A deputada está presa na Itália, para onde fugiu após o trânsito em julgado. O STF aguarda sua extradição.
Parecer da CCJ recomendava cassação
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) havia aprovado parecer do deputado Claudio Cajado (PP-BA) recomendando a perda do mandato.
“Como alguém pode exercer o mandato estando recluso? O mandato exige presença e atuação”, afirmou o relator.
Relatório contrário à cassação foi rejeitado
Um parecer anterior, do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), defendia a manutenção do mandato, alegando fragilidade das provas. A CCJ rejeitou esse entendimento.
Defesa contesta provas
O advogado de Zambelli, Fábio Pagnozzi, argumentou que a condenação se baseia em depoimentos contraditórios de Walter Delgatti. A defesa afirma que manter o mandato seria essencial para demonstrar à Justiça italiana que Zambelli ainda possui prerrogativas parlamentares.
Plenário se dividiu sobre rito e consequência
Parlamentares favoráveis à cassação defenderam que o encarceramento definitivo torna incompatível a permanência no cargo. Já opositores argumentaram que a decisão poderia ser tomada posteriormente pela Mesa Diretora por faltas acumuladas.
Decisão final
Com a rejeição da cassação, Zambelli permanece deputada — embora siga presa no exterior. O processo, no âmbito da Câmara, está arquivado.




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