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Porto Velho,14/02/2026

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Retatrutida: o que é a substância experimental e por que ela é proibida pela Anvisa

Molécula promissora para emagrecimento ainda está em fase de testes clínicos e não possui autorização para uso ou comercialização no Brasil

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Retatrutida: o que é a substância experimental e por que ela é proibida pela Anvisa foto gerada por IA
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A retatrutida tem sido divulgada nas redes sociais como uma nova alternativa para emagrecimento rápido, mas o uso da substância é proibido no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão e a proibição imediata de produtos que contenham retatrutida, de todas as marcas e lotes, após identificar a comercialização irregular do medicamento no país.

A principal razão da proibição é que a retatrutida ainda está em fase de testes clínicos e não possui aprovação para uso ou comercialização por nenhum órgão regulador no mundo.

O que é a retatrutida

A retatrutida (LY3437943) é um medicamento experimental desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, a mesma responsável pelo Mounjaro (tirzepatida). Trata-se de uma molécula considerada inovadora por atuar como triplo agonista, estimulando três hormônios fundamentais no metabolismo e no controle do peso corporal:

  • GLP-1 (Peptídeo Semelhante ao Glucagon-1)

  • GIP (Polipeptídeo Insulinotrópico Dependente de Glicose)

  • Glucagon

Essa ação combinada diferencia a retatrutida de medicamentos já conhecidos e explica o grande interesse gerado em torno da substância.

Como a substância age no organismo

Ao atuar simultaneamente nesses três hormônios, a retatrutida potencializa diversos mecanismos metabólicos. Entre os principais efeitos estão:

  • aumento da sensação de saciedade;

  • redução do apetite e da ingestão alimentar;

  • melhora do controle glicêmico;

  • elevação do gasto energético do organismo.

Essa combinação faz com que a substância apresente, nos estudos iniciais, um desempenho superior aos medicamentos atualmente disponíveis.

Resultados iniciais chamam atenção, mas ainda não garantem segurança

Ensaios clínicos de Fase 2 indicaram que pacientes com obesidade perderam, em média, até 24% do peso corporal em 48 semanas de tratamento. Os estudos também mostraram redução significativa da hemoglobina glicada, sinalizando melhora no controle do diabetes tipo 2.

Apesar dos números expressivos, especialistas alertam que esses resultados não são suficientes para garantir segurança a longo prazo. A retatrutida encontra-se atualmente na Fase 3 dos ensaios clínicos, etapa que avalia eficácia e efeitos adversos em larga escala antes de qualquer aprovação regulatória.

Por que a Anvisa proibiu a retatrutida

Segundo a Anvisa, a retatrutida não está aprovada em nenhum país e sua venda é considerada ilegal. A agência identificou que produtos contendo a substância estavam sendo anunciados e vendidos, principalmente pelas redes sociais, sem registro, notificação ou controle sanitário.

Além disso, a fabricação desses produtos é atribuída a empresas desconhecidas, o que impede qualquer garantia quanto à qualidade, pureza, dosagem correta ou condições adequadas de armazenamento e transporte.

Por se tratar de um medicamento experimental, o uso fora de protocolos científicos representa risco grave à saúde.

Diferença entre tirzepatida e retatrutida

Embora muitas vezes confundidas, as duas substâncias possuem diferenças importantes:

Tirzepatida (Mounjaro/Zepbound)

  • Atua em dois hormônios: GLP-1 e GIP (agonista duplo);

  • Já é aprovada para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade;

  • Possui eficácia comprovada e segurança avaliada em grandes estudos clínicos.

Retatrutida (em pesquisa)

  • Atua em três hormônios: GLP-1, GIP e glucagon (agonista triplo);

  • Está em fase experimental (Fase 3);

  • Apresenta potencial de perda de peso ainda maior, mas também pode causar efeitos colaterais mais intensos, como náuseas e desconfortos gastrointestinais;

  • Não pode ser comercializada ou utilizada fora de estudos científicos.

Riscos da compra pela internet

Especialistas alertam que produtos vendidos como “retatrutida” na internet podem ser falsificados, conter substâncias desconhecidas ou estar contaminados. Além disso, há relatos de transporte irregular, sem controle de temperatura, o que compromete ainda mais a segurança do consumidor.

A Anvisa orienta que pacientes e profissionais de saúde interrompam imediatamente o uso desses produtos e façam a denúncia aos canais oficiais da agência ou à vigilância sanitária local.

Alerta à população

Enquanto a retatrutida segue em avaliação científica, médicos reforçam que existem tratamentos seguros e aprovados para obesidade e diabetes. A busca por soluções rápidas, sem respaldo regulatório, pode resultar em danos graves à saúde.

O princípio que norteia a medicina continua sendo o mesmo: primeiro, não causar dano.

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