Após assassinato de professora, vereadora diz que Carnaval tinha de ser cancelado e sobra até para Virgínia Fonseca: 'Cadela de homem'
Foto: Divulgação Rondoniadinamica - Durante pronunciamento na sessão legislativa desta segunda-feira (9), a vereadora Sofia Andrade (PL) fez um discurso duro sobre a violência contra a mulher em Rondônia, após o assassinato da professora Juliana Mattos Santiago, morta na última sexta-feira (6) por um de seus próprios alunos. A fala gerou forte repercussão política e social e incluiu críticas ao Carnaval, ao comportamento do eleitorado feminino e a uma influenciadora digital de alcance nacional.
Ao abordar o tema, a parlamentar afirmou que a violência contra a mulher se tornou recorrente no estado, especialmente em Porto Velho, e criticou o que classificou como ausência de ações concretas do poder público. Segundo ela, manifestações e discursos não seriam suficientes para mudar a realidade.
“Discursos não trazem a vida das mulheres que foram mortas”, declarou, acrescentando que posicionamentos públicos não garantem proteção efetiva às vítimas.
Sofia Andrade também direcionou críticas ao comportamento político do eleitorado, afirmando haver incoerência entre discursos de defesa das mulheres e escolhas feitas nas urnas. “Não adianta você fazer um vídeo pra sua rede social (…) e na hora de você votar, você votar num esquerdista”, afirmou durante a sessão.
Ao tratar da estrutura do Estado, a vereadora citou falhas na rede de atendimento às vítimas, mencionando, por exemplo, a existência de apenas um legista para atender a capital e alegando que delegacias especializadas não funcionariam aos finais de semana.
Em outro trecho do pronunciamento, questionou a realização de festas de Carnaval após o crime, sugerindo que o Governo do Estado deveria ter decretado o cancelamento temporário das festividades como forma de luto coletivo.
“Será que não era o momento da gente dizer assim, olha, nós estamos de luto (…) e durante dois dias vão ser canceladas as festas no estado de Rondônia?”, disse.
A parlamentar também defendeu medidas mais rígidas na legislação penal, manifestando apoio à redução da maioridade penal e à aplicação de castração química não apenas para condenados por estupro, mas também para agressores de mulheres. Segundo ela, a defesa da vida exigiria ações mais severas do que debates públicos.
Na parte final do discurso, Sofia Andrade ampliou as críticas para o campo cultural e digital. Sem citar nomes diretamente, fez referência a uma das mulheres mais seguidas do país nas redes sociais e afirmou que a influenciadora contribuiria para a objetificação feminina.
“Vende o seu corpo na rede social e se objetifica como mulher, com uma coleira no pescoço, como uma cadela de um homem”, afirmou.
Embora não tenha citado nominalmente, a declaração foi interpretada como referência à influenciadora Virgínia Fonseca, que recentemente apareceu fantasiada para o Carnaval usando uma coleira, em alusão a figurino histórico utilizado por Luma de Oliveira. Na versão atual, Virgínia usava uma coleira com o nome do jogador Vinícius Júnior, conhecido como Vini Jr.
O pronunciamento terminou com declarações pessoais sobre proteção familiar. A vereadora afirmou que reagiria de forma extrema diante de qualquer agressão contra mulheres de sua família.
“Se um homem tocar numa irmã minha, na minha mãe, é a última coisa que ele vai fazer nessa vida”, disse, acrescentando que preferiria enfrentar consequências legais a permitir esse tipo de violência.
Ao encerrar, Sofia Andrade fez uma mensagem de cunho religioso e pediu proteção divina à população. “Que Deus guarde cada um de vocês”, concluiu.




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