Falha inicial da PM levanta questionamentos em caso de assassinato da professora e policial Juliana Mattos
Foto: Divulgação EUIDEAL - A atuação inicial da Polícia Militar no atendimento à ocorrência do assassinato da professora de Direito e policial civil Juliana Mattos de Lima Santiago, morta dentro de uma sala de aula em Porto Velho, passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de novos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Civil.
De acordo com informações apuradas, um erro considerado primário pode ter ocorrido no momento da intervenção policial: o celular do autor do crime, João Cândido da Costa Júnior, 24 anos, não foi apreendido imediatamente pela Polícia Militar logo após o ataque, mesmo se tratando de um caso de extrema gravidade e repercussão nacional.
Ainda no local e nos primeiros momentos após a prisão, o acusado chegou a relatar aos policiais militares uma versão de que teria mantido um suposto relacionamento amoroso com a vítima — narrativa que posteriormente foi categoricamente descartada pela Polícia Civil, após análise técnica das provas e mensagens.
Celular não foi recolhido no momento da prisão
Conforme revelado pela investigação, o telefone celular do acusado não estava em posse da Polícia Militar quando ele foi conduzido. O aparelho acabou sendo recolhido pelas irmãs do investigado, que também estudam na mesma faculdade, logo após o ocorrido.
Somente depois, o celular que se tornou peça-chave da investigação foi entregue aos investigadores da Polícia Civil pelo namorado da vítima, que também é policial. O aparelho foi repassado desbloqueado, permitindo o acesso imediato às mensagens, registros e demais dados que ajudaram a esclarecer a real motivação do crime.
Provas desmontaram versão inicial do acusado
A Polícia Civil informou, em coletiva, que a análise do conteúdo do celular foi fundamental para desmontar a versão inicial apresentada pelo autor do crime à PM, revelando indícios de assédio, frustração e rejeição, além de mensagens que evidenciam uma tentativa insistente de aproximação, sempre rejeitada pela professora.
Uma fonte que acompanha o caso foi ouvida pelo site Eu Ideal avalia que, caso o celular tivesse sido apreendido imediatamente pela Polícia Militar, como prevê o protocolo em crimes dessa natureza, a preservação da cadeia de custódia das provas teria sido ainda mais rigorosa, evitando questionamentos futuros.
A Polícia Civil reforçou que o inquérito segue em andamento e que todas as circunstâncias do crime estão sendo analisadas, inclusive os procedimentos adotados no atendimento inicial da ocorrência. O caso segue sob investigação com pedido de condenação do acusado por homicídio qualificado, com possível enquadramento como feminicídio.



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