'Ela foi morrendo aos poucos, há relatos até de abusos e de que comia resto de comida de cachorro', diz delegada sobre adolescente torturada e morta por pais pastores em Porto Velho
Reprodução EUIDEAL - A delegada Leisa Loma, da Polícia Civil de Rondônia, revelou detalhes contundentes sobre o caso da adolescente Marta Isabelle dos Santos, de 16 anos, que morreu após sofrer, segundo as investigações, tortura prolongada dentro da própria residência, na capital rondoniense.
Em entrevista ao site EUIDEAL, a delegada afirmou que a morte da jovem não foi um episódio isolado, mas resultado de um sofrimento contínuo.
“Ela não morreu de repente, ela foi morrendo aos poucos”, declarou.
De acordo com a autoridade policial, Marta permaneceu por mais de 60 dias trancada dentro de casa, isolada e amarrada. As lesões identificadas indicam que ela ficou por longos períodos na mesma posição, com os punhos imobilizados, sofrendo privação de alimentação, de higiene e de qualquer tipo de cuidado médico.
Assista a entrevista abaixo.
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A delegada mencionou ainda que há relatos de possíveis abusos sexuais, que seguem sendo apurados no inquérito policial.
Outro ponto grave revelado na investigação é que a adolescente teria sido submetida a condições degradantes, chegando, conforme relatos colhidos, a se alimentar de restos de comida destinados ao cachorro.
“Ela sofreu muito, muito mesmo, tanto de forma psicológica quanto física”, afirmou a delegada.
Tentativa de ocultação
Segundo a Polícia Civil, no momento em que a equipe chegou à residência, havia indícios de tentativa de destruição de vestígios. Roupas e fraldas utilizadas pela adolescente estavam sendo queimadas.
Inicialmente, os investigados teriam informado que a jovem havia morrido em decorrência de uma doença ou fatalidade. No entanto, os elementos periciais descartaram essa versão.
A investigação também identificou que informações falsas eram repassadas a familiares, incluindo a versão de que Marta estaria frequentando a escola normalmente, o que não ocorria. Áudios indicariam que a adolescente estaria “desenganada pelos médicos”, sugerindo uma doença grave, hipótese que não foi confirmada.
Indiciamento e prisão preventiva
O pai, Callebe José da Silva, e a madrasta, Ivanice Farias de Souza, que se apresentavam como pastores nas redes sociais, foram presos em flagrante e posteriormente tiveram a prisão convertida em preventiva. Eles foram indiciados por tortura com resultado morte e cárcere privado.
A avó da adolescente, Benedita Maria da Silva, também foi presa e indiciada por participação e omissão, uma vez que, segundo a polícia, tinha conhecimento da situação e não adotou medidas para impedir as agressões.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil.




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