Empresa de anestesistas rompe contrato em Cacoal e paralisa cirurgias no SUS
Sesau afirma que valores estavam dentro do mercado e abre apuração após interrupção dos serviços no Hospital Regional
Foto: Divulgação EUIDEAL - A Secretaria de Estado da Saúde de Rondônia (Sesau) enfrenta uma crise no atendimento hospitalar em Cacoal após a empresa CMA, responsável pelo fornecimento de médicos anestesistas ao Hospital Regional, interromper os serviços e descumprir contrato vigente, afetando diretamente cirurgias e atendimentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O contrato foi firmado por meio de processo licitatório regular, na modalidade pregão eletrônico, em que a empresa venceu ao apresentar a proposta de menor preço. Segundo a Sesau, os valores foram amplamente divulgados e considerados compatíveis com o mercado à época da contratação.
Pedido de reajuste e negativa
Em 2025, a CMA solicitou reajuste contratual, alegando defasagem nos valores pagos pelos serviços. No entanto, após análise técnica e pesquisa de preços, a Secretaria concluiu que não havia justificativa legal para o aumento e manteve os termos originalmente pactuados.
Diante da negativa, a empresa teria se recusado a continuar prestando os serviços, o que resultou na paralisação do atendimento anestésico no hospital.
Impacto direto nos pacientes
A interrupção afetou o funcionamento das cirurgias e comprometeu o atendimento a pacientes do SUS, gerando preocupação na rede pública de saúde da região.
Como resposta, a Sesau instaurou processo administrativo para apurar responsabilidades pelo descumprimento contratual e iniciou contratação emergencial para recompor a equipe médica e garantir a continuidade dos atendimentos.
Em nota, a Secretaria reforçou que não cede a pressões que contrariem o interesse público e destacou seu compromisso com a legalidade, transparência e segurança dos pacientes.
Bastidores levantam suspeitas
O caso também levanta questionamentos nos bastidores da saúde pública. Há indícios de articulações paralelas envolvendo interesses cruzados e possível influência de agentes com passagem pela gestão pública, que manteriam proximidade com empresas contratadas pelo Estado.
Embora não haja confirmação oficial dessas movimentações, a situação acende alerta sobre a necessidade de rigor na fiscalização e na condução dos contratos públicos na área da saúde.
A crise reforça um cenário delicado: serviços essenciais como anestesiologia, frequentemente terceirizados no SUS, tornam-se vulneráveis quando há conflitos contratuais, impactando diretamente a população que depende do sistema público.
A investigação segue em andamento.


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