No MT: filha de líder criminosa alvo de operação da Polícia Civil ostentava vida de luxo nas redes sociais
Investigações apontam que jovem utilizava empresas e plataformas digitais para suposta lavagem de dinheiro ligada ao tráfico de drogas.
Reprodução A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso deflagrou, na última quinta-feira (5), a Operação Showdown, para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão contra um núcleo familiar com atuação no norte do estado.
As ordens judiciais foram expedidas pela 5ª Vara Criminal de Sinop e cumpridas nos municípios de Alta Floresta e Nova Bandeirantes. Além das prisões e buscas, também foram determinadas medidas de sequestro de veículos e bens móveis, bloqueio de contas bancárias e suspensão de pessoa jurídica.
Durante as investigações, a vida de luxo exibida nas redes sociais pela filha de uma líder de facção criminosa, também alvo da operação, chamou a atenção dos investigadores.
A jovem, de 19 anos, que se apresentava como influenciadora digital e empresária, mantinha um perfil no Instagram onde mostrava uma rotina considerada incompatível com a renda declarada. Ao lado do marido, ela ostentava carros de alto valor, viagens internacionais e empreendimentos comerciais, indicando elevado poder aquisitivo.
As investigações conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) de Cuiabá e pela Delegacia de Alta Floresta apontaram que, mesmo foragida, a mãe da jovem — considerada líder de facção — continuava atuando no crime por meio de familiares.
Renda incompatível
A ostentação do casal levantou suspeitas, já que nenhum dos dois possui ocupação profissional capaz de justificar o padrão de vida apresentado, o que, segundo a investigação, indicaria ligação com crimes de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Os investigadores também identificaram uma mudança rápida no padrão de vida do casal. Publicações antigas nas redes sociais mostram uma realidade considerada mais simples.
Em 2023, por exemplo, o genro da líder da facção comemorava a compra de uma motocicleta de baixo valor. Pouco tempo depois, passou a aparecer nas redes sociais dirigindo caminhonetes de luxo.
Empresas com baixa movimentação
Apresentando-se como empresária e influenciadora digital, a jovem investigada possui ao menos duas empresas registradas em Alta Floresta: uma loja de calçados e um estúdio de beleza.
De acordo com a investigação, os estabelecimentos apresentavam movimentação muito baixa de clientes, reforçando a suspeita de que os negócios estariam sendo utilizados para lavagem de dinheiro do tráfico.
A polícia também aponta que a jovem teria papel importante na movimentação financeira do grupo criminoso, realizando a lavagem de recursos por meio de empresas de fachada e supostos ganhos com jogos de azar online.
Ostentação nas redes sociais
Com mais de 40 mil seguidores no Instagram, a jovem publicava fotos e vídeos exibindo um padrão de vida elevado.
Entre as postagens, o casal aparecia em viagens internacionais para destinos considerados exclusivos, como Suíça, Dubai, Ilhas Maldivas e o Caribe, locais conhecidos pelo alto custo turístico.
Além das viagens, o casal também exibia veículos de alto valor, entre eles uma Toyota Hilux, uma Chevrolet S10 e uma Dodge Ram 3500 Laramie 2024, avaliada em mais de R$ 415 mil. Somados, os veículos ultrapassariam meio milhão de reais em patrimônio.
Uso de plataformas de apostas
Outro ponto identificado nas investigações foi o uso de plataformas digitais de apostas, popularmente conhecidas como jogos de “slots”, incluindo o chamado “tigrinho”, para lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Nas redes sociais, a jovem se apresentava como “jogadora de slots” e influenciadora de plataformas de apostas, divulgando jogos e supostos ganhos.
Segundo os investigadores, essas plataformas teriam sido utilizadas para inserir valores de origem criminosa no sistema financeiro e posteriormente apresentar o dinheiro como se fosse resultado de ganhos em jogos online, prática típica de lavagem de dinheiro.




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