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Porto Velho,25/05/2026

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Maio Furta-Cor alerta para sobrecarga emocional e saúde mental materna

Movimento criado no Brasil propõe reflexão sobre maternidade real, sobrecarga e importância da rede de apoio


Maio Furta-Cor alerta para sobrecarga emocional e saúde mental materna Reprodução
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O mês de maio chama atenção para uma pauta que precisa ser discutida com maior profundidade: a saúde mental materna. Criada no Brasil, a campanha Maio Furta-Cor é um movimento voltado à conscientização sobre os impactos emocionais da maternidade e à defesa do cuidado com mulheres-mães como uma questão de saúde pública.


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O movimento foi idealizado em 2019, na porta de uma creche, por duas mães — uma psiquiatra e uma psicóloga — e ganhou abrangência nacional em 2021. A escolha do mês está ligada ao período em que se celebra o Dia das Mães. Já o termo furta-cor simboliza a diversidade das experiências maternas, que podem envolver afeto e realização, mas também sentimentos como cansaço, culpa, solidão, medo e sobrecarga.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de uma em cada cinco mulheres pode desenvolver algum transtorno mental durante a gestação ou no pós-parto, reforçando a necessidade de ampliar o debate sobre o tema de forma acessível e acolhedora.

A médica psiquiatra Daniela Costa Lobo, mãe de duas crianças, explica que a campanha contribui para quebrar a visão idealizada da maternidade.

“Durante muito tempo, a maternidade foi tratada quase sempre pelo viés da entrega e do amor incondicional. Esses aspectos existem, mas não eliminam o sofrimento emocional que muitas mulheres enfrentam. Quando a mãe sente que precisa dar conta de tudo sozinha, sem demonstrar fragilidade, ela pode demorar mais para pedir ajuda”, afirmou.

A profissional, que atua no Idomed, alerta que sinais como tristeza persistente, irritabilidade intensa, crises de ansiedade, isolamento, culpa constante, alterações no sono e no apetite, perda de interesse pela rotina e sentimento de incapacidade precisam ser observados com atenção.

Quando esses sintomas passam a ser frequentes ou começam a comprometer a rotina, a recomendação é buscar apoio especializado.

“O sofrimento psíquico não é fraqueza nem falta de amor pelos filhos. Muitas vezes, é sinal de sobrecarga. A mãe também precisa ser cuidada, escutada e acolhida”, reforçou Daniela.

A psicóloga Andresa Souza destaca que a discussão promovida pela campanha também ajuda a questionar as pressões sociais frequentemente direcionadas às mães.

“A mulher, muitas vezes, é levada a acreditar que precisa administrar tudo ao mesmo tempo: a casa, o trabalho, os filhos, os relacionamentos e as próprias emoções. Essa expectativa cria um peso muito grande e pode fazer com que ela deixe suas necessidades sempre em último lugar”, afirmou.

Segundo ela, a rede de apoio exerce papel fundamental na redução da sobrecarga emocional.

“Apoiar uma mãe não é apenas reconhecer que ela está cansada. É participar da rotina, dividir responsabilidades, oferecer escuta e evitar julgamentos. Pequenas atitudes concretas podem fazer diferença na forma como essa mulher atravessa a maternidade”, completou.

Cuidar de quem cuida

Embora o cuidado com a saúde mental materna não deva ser responsabilidade exclusiva da mulher, algumas atitudes podem ajudar a identificar limites antes que o esgotamento emocional se intensifique.

Entre elas estão reconhecer os próprios sentimentos, pedir ajuda de maneira clara, evitar comparações com outras mães, reservar momentos possíveis de pausa e manter acompanhamento de saúde quando houver sinais persistentes de sofrimento emocional.

Sentimentos como cansaço, tristeza, irritação, medo ou frustração não diminuem a capacidade de maternar. Pelo contrário: reconhecer essas emoções pode ser um passo importante para entender que algo precisa de atenção.


“Quando a saúde mental materna passa a ser discutida publicamente, o sofrimento deixa de ser tratado como uma questão privada ou individual. Cuidar da mãe também significa cuidar da criança, dos vínculos familiares e da sociedade”, concluiu.

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