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Porto Velho,21/09/2026

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Mauro Mendes, ex-governador do MT, é o principal alvo da operação da PF que também atingiu Rondônia

Ex-governador de Mato Grosso, hoje pré-candidato ao Senado, é investigado por suposto desvio de R$ 308 milhões oriundos de acordo com a Oi, repassados a fundos do Banco Master; ele nega irregularidades.

Eu Ideal - Com informações
Mauro Mendes, ex-governador do MT, é o principal alvo da operação da PF que também atingiu Rondônia Foto: Mayke Toscano/Secom-MT
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O que você precisa saber

  • Mauro Mendes, ex-governador do MT e pré-candidato ao Senado, é o alvo principal da Operação Heritage.
  • Investigação suspeita de desvio de R$ 308 milhões de acordo entre MT e a Oi, via fundos do Banco Master.
  • Denúncia partiu de Pedro Taques, ex-governador e adversário político de Mendes na disputa ao Senado.
  • Mendes e o governo do MT negam irregularidades; caso ocorre a 70 dias das eleições.

O nome que está no centro da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal nesta quinta-feira (6) com mandados também cumpridos em Rondônia, é o do ex-governador de Mato Grosso Mauro Mendes, do União Brasil. Ele é apontado como o principal investigado em um esquema que teria desviado recursos públicos por meio de uma complexa engenharia envolvendo fundos de investimento e empresas interpostas.


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O caso tem origem em um acordo assinado em abril de 2024 entre a Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., encerrando uma disputa judicial iniciada em 2009, quando o estado havia bloqueado valores da empresa por cobrança considerada indevida de ICMS. A dívida, que já havia chegado a R$ 690 milhões, foi renegociada e fechada em R$ 308 milhões. Em agosto de 2025, a Justiça de Mato Grosso validou formalmente esse acordo, encerrando a execução fiscal que se arrastava havia mais de uma década.

Segundo os investigadores, o problema não está no acordo em si, já validado judicialmente, mas no destino dado ao dinheiro depois que ele saiu dos cofres públicos.

Do acordo aos fundos do Banco Master

Entre maio e outubro de 2024, o governo estadual depositou os R$ 308 milhões em dois fundos de investimento recém-criados pelo Banco Master: metade no fundo Lotte Word e a outra metade no Royal Capital. Ambos haviam sido constituídos poucas semanas antes do fechamento do acordo com a Oi. A partir desses dois fundos, o dinheiro teria sido repassado a outras estruturas financeiras até chegar a empresas ligadas a familiares e aliados políticos de Mauro Mendes, segundo denúncia apresentada pelo ex-governador Pedro Taques, do PSB, ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso e à Procuradoria-Geral da República.

Taques, que hoje é pré-candidato ao Senado e principal adversário político de Mendes na disputa deste ano, levou o caso à CPI do Crime Organizado no Senado em março, descrevendo o funcionamento dos fundos como um mecanismo criado para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro até seu real destinatário.

O governo de Mato Grosso, por sua vez, nega qualquer irregularidade. Em nota divulgada em fevereiro, a gestão afirmou que o acordo conduzido pela Procuradoria estadual foi legal e vantajoso para o estado, e que fatos ocorridos após o pagamento pertencem à esfera privada, sem qualquer vínculo com a administração pública.

Do acordo com a Oi aos fundos investigados

  • 2009: MT bloqueia valores da Oi por cobrança de ICMS considerada indevida
  • Abr/2024: acordo fecha a dívida em R$ 308 milhões (de R$ 690 milhões originais)
  • Fev/2024: fundos Lotte Word e Royal Capital são criados pelo Banco Master
  • Mai-out/2024: os R$ 308 milhões são depositados nos dois fundos
  • Ago/2025: Justiça de MT valida o acordo

Outros nomes da política mato-grossense também são investigados

A operação não se limita a Mauro Mendes. Entre os alvos de mandados e medidas restritivas está o deputado federal Fábio Garcia, do União Brasil, indicado a vice na chapa de reeleição do governador Otaviano Pivetta, justamente um dia depois da convenção que oficializou essa candidatura. Secretários estaduais, um desembargador e um procurador também são investigados, embora seus nomes não tenham sido divulgados oficialmente até o momento.

A abrangência dos mandados, cumpridos em Mato Grosso, São Paulo, Rondônia e Ceará, sugere que a Polícia Federal mapeou uma rede financeira que extrapola as fronteiras do estado de origem do caso.

Investigação chega a 70 dias das eleições

O momento da operação não passa despercebido: faltam cerca de 70 dias para as eleições, e Mauro Mendes concorre a uma vaga no Senado justamente contra Pedro Taques, autor da denúncia que originou o caso. A disputa já era considerada uma das mais acirradas do estado, e a nova investigação adiciona um capítulo tenso a essa rivalidade política.

Procurado, Mauro Mendes afirmou, em nota, confiar no trabalho da Polícia Federal e disse que pretende colaborar com tudo que for solicitado pelas autoridades, aguardando o desenrolar do caso com a expectativa de que os fatos sejam totalmente esclarecidos. Esta não é a primeira vez que o ex-governador enfrenta investigação em âmbito federal: em junho deste ano, o Superior Tribunal de Justiça já havia aberto apuração contra ele por supostas fraudes envolvendo crédito consignado, também associadas ao Banco Master.

A Polícia Federal informou que a apuração segue em andamento e que outras infrações penais podem ser identificadas ao longo das próximas etapas da investigação.

Nota da redação

Este site acompanha casos policiais. Os envolvidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário. O espaço permanece aberto para manifestação de todos os citados.




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