Eduardo Bolsonaro é demitido da Polícia Federal por abandono de cargo, após condenação do STF
Portaria do Ministério da Justiça, publicada nesta segunda-feira (21), encerra processo disciplinar depois de mais de 30 dias de ausência; ex-deputado vive nos Estados Unidos desde 2025
Foto: Pedro França/Agência Senado/Arquivo O que você precisa saber
- Eduardo Bolsonaro foi demitido do cargo de escrivão da Polícia Federal por abandono de cargo, após mais de 30 dias consecutivos sem comparecer ao trabalho.
- A portaria foi assinada pelo ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, na sexta-feira (18), e publicada no Diário Oficial da União nesta segunda (21).
- A medida converge com a condenação do STF, que também determinou a perda do cargo por coação no curso do processo.
- Com os recursos esgotados, o ex-deputado pode ser preso caso retorne ao Brasil, para cumprir pena em regime semiaberto.
O Ministério da Justiça e Segurança Pública oficializou a demissão de Eduardo Bolsonaro do cargo de escrivão da Polícia Federal. A portaria, assinada na sexta-feira (18) pelo ministro Wellington César Lima e Silva, foi publicada nesta segunda-feira (21) no Diário Oficial da União e encerra um processo administrativo disciplinar aberto pela própria PF.
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Segundo o documento, a demissão se justifica por abandono de cargo: Eduardo teria ficado mais de 30 dias consecutivos sem comparecer ao trabalho e sem apresentar qualquer justificativa para as ausências.
Ao longo dos anos em que exerceu mandato de deputado federal, ficou afastado da função por conta do cargo eletivo. O problema surgiu depois: perdido o mandato, ele deveria ter retomado as atividades na PF, o que nunca chegou a acontecer. Desde fevereiro de 2025, Eduardo vive nos Estados Unidos, onde afirmou, à época, pretender permanecer por considerar que enfrentava perseguição política no Brasil.
A demissão administrativa converge com outro capítulo do caso: em junho deste ano, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal condenou Eduardo, por unanimidade, pelo crime de coação no curso do processo, com base no entendimento de que ele atuou junto a autoridades dos Estados Unidos para pressionar integrantes do Judiciário brasileiro, em meio ao julgamento da ação penal contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Corte fixou pena de quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de multa, e determinou, entre os efeitos da condenação, a perda do cargo de escrivão da PF.
Com o esgotamento dos recursos no STF, a condenação segue agora para a fase de cumprimento. Caso retorne ao Brasil, o ex-deputado poderá ser preso para cumprir a pena estabelecida em regime semiaberto.
Linha do tempo
- 2010: Eduardo Bolsonaro ingressa na PF como escrivão, após aprovação em concurso
- Fevereiro de 2025: passa a viver nos Estados Unidos
- Novembro de 2025: perde o mandato de deputado federal
- Junho de 2026: STF o condena por coação no curso do processo, com perda do cargo de escrivão
- 18 de setembro de 2026: ministro da Justiça assina portaria de demissão por abandono de cargo
- 21 de setembro de 2026: portaria é publicada no Diário Oficial da União


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