Vanderlei Luxemburgo fala ao Eu Ideal: “A bola é o verdadeiro padrinho do jogador de futebol”
Em passagem por Porto Velho, o técnico Vanderlei Luxemburgo concedeu uma entrevista exclusiva ao jornalista Juan Pantoja, do portal Eu Ideal, e falou sobre futebol regional, carreira e o futuro da Seleção Brasileira. O encontro aconteceu durante sua visita à capital rondoniense, onde o treinador compartilhou opiniões fortes e conselhos diretos sobre o cenário esportivo nacional e local.
Assista.
Futebol rondoniense e o desafio da Série D
Questionado sobre as chances de clubes de Rondônia, como Gênesis e Porto Velho, chegarem à Série C do Campeonato Brasileiro, Luxemburgo foi realista:
“A Série D é a mais difícil que existe. São muitos clubes e uma logística complicada. A CBF fala em calendário anual, mas isso é uma blefada — quem cai na classificação fica o resto do ano sem jogar”, afirmou o técnico, em tom crítico.
Apesar das dificuldades, Luxemburgo acredita no potencial do estado:
“Aqui brota jogador. É preciso captar talento nas ruas, nos campos de barro, nas comunidades. O verdadeiro jogador nasce no chão duro, não em campo sintético.”
Estudo ou futebol? O conselho aos jovens
O treinador também deixou uma reflexão aos jovens que sonham com a carreira profissional. Segundo ele, o estudo é importante, mas o futebol pode ser uma oportunidade única:
“Estudar você consegue em qualquer fase da vida. Agora, virar jogador é muito mais difícil. A bola é o padrinho de qualquer jogador — se o garoto tiver talento, alguém vai descobrir.”
Luxemburgo destacou que o talento sempre se impõe:
“Não é padrinho político ou empresário que faz o jogador acontecer. É a bola. Ela é o que decide quem vai brilhar.”
Seleção Brasileira e a crise de talento
Ao comentar sobre a Seleção Brasileira, Vanderlei Luxemburgo foi direto:
“Hoje, o Brasil não tem jogadores do nível que tínhamos em 2002. Naquele time jogavam Roberto Carlos, Cafu, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho. Hoje não há ninguém com esse peso.”
O treinador reconheceu o talento de Neymar, mas criticou a falta de valorização do craque:
“Com 50% do que pode jogar, o Neymar ainda é melhor que qualquer um dos jogadores da atual Seleção. Mas ninguém quer ele.”
Experiência e legado
Sobre sua trajetória, o ex-técnico do Real Madrid e da Seleção Brasileira afirmou que cada clube apresentou desafios diferentes:
“Treinar o Real Madrid foi um aprendizado, mas a Seleção é outra dimensão. É representar um país inteiro. As duas experiências me marcaram profundamente.”
Encerrando a entrevista, Luxemburgo disse acreditar que o futebol brasileiro precisa de reconstrução e ousadia:
“Temos talento, mas falta projeto. O Brasil ainda pode voltar ao topo — mas só se recuperar a essência do futebol de rua, aquele que forma craques de verdade.”


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