Marcos Rogério vira alvo de críticas após prisão de vereador aliado do PL acusado de liderar LCP envolvida em invasões de terras e desmatamento em RO
Foto: Divulgação EUIDEAL - A prisão do vereador Jair Alves de Oliveira, o “Jair da 29” (PL), durante a Operação Godos, desencadeou uma onda de críticas e cobranças dirigidas ao senador Marcos Rogério (PL-RO), presidente estadual do partido e principal liderança da sigla em Rondônia. Filiado ao PL e aliado político do senador, Jair da 29 é apontado pelo Ministério Público como um dos supostos líderes de um dos maiores esquemas de invasão de terras e crimes ambientais já identificados no estado.
Nas redes sociais, apoiadores do próprio PL e eleitores bolsonaristas passaram a cobrar posicionamento imediato da direção estadual da legenda. Muitos exigem a expulsão do vereador, afirmando que o partido — que historicamente se declara defensor da propriedade privada e crítico de movimentos de invasão — não pode manter em seus quadros alguém investigado por liderar ações atribuídas à Liga dos Camponeses Pobres (LCP), grupo com histórico de confrontos, coerção armada e ocupações ilegais de terras.
Operação expôs atuação violenta e milionária
Deflagrada na manhã desta quarta-feira (12), a Operação Godos prendeu 20 pessoas em áreas da fazenda Norbrasil e do assentamento Thiago dos Santos, em Porto Velho. Ao vereador do PL é atribuída participação direta na articulação da LCP em Nova Mamoré e regiões vizinhas.
Segundo o Ministério Público, o grupo investigado seria responsável por:
invasões de propriedades rurais mediante grave ameaça;
coação armada contra produtores;
contratos simulados para tomada ilícita de terras;
extorsões com ameaça de morte;
destruição de moradias, benfeitorias e maquinário;
desmatamento ilegal de 25 mil hectares, equivalente a 35 mil campos de futebol;
movimentação financeira suspeita superior a R$ 110 milhões entre 2020 e 2025.
O MP também identificou um complexo sistema de lavagem de dinheiro, com uso de laranjas, empresas de fachada e transações imobiliárias ilícitas.
Pressão política sobre o PL e sobre Marcos Rogério
Por ser o principal líder da legenda no estado, Marcos Rogério passou a ser citado nas críticas de eleitores que cobram “rigor interno” diante da prisão do aliado. Perfis bolsonaristas acusam o partido de omissão e questionam os critérios para filiação de candidatos.
Algumas publicações afirmam que a presença de um vereador supostamente ligado a uma organização criminosa no partido que mais defende a bandeira anti-invasão gera desgaste político e ameaça a imagem do PL no interior.
Até o momento, a direção estadual do partido não emitiu nota oficial. Nos bastidores, aliados avaliam que o caso chegou “no pior momento possível”, às vésperas de articulações eleitorais para 2026.
Próximos passos
Jair da 29 deve passar por audiência de custódia ainda hoje. A Operação Godos segue com diligências adicionais, e novas prisões ou bloqueios de bens podem ocorrer nas próximas horas.
O caso promete repercutir nos meios político, rural e jurídico do estado, reacendendo o debate sobre a infiltração de organizações criminosas em estruturas municipais e sobre mecanismos de controle no processo eleitoral.



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