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Porto Velho,01/05/2026

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Da zona rural de Jaci-Paraná para a SBPC: aluno de escola pública busca apoio para representar Rondônia em congresso nacional

Apaixonado por stop motion e educação ambiental, jovem da zona rural enfrenta desafio financeiro para apresentar pesquisa na SBPC 2026

Rondonia Agora
Da zona rural de Jaci-Paraná para a SBPC: aluno de escola pública busca apoio para representar Rondônia em congresso nacional Reprodução
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Entre a rotina da zona rural de Jaci-Paraná e o sonho de alcançar reconhecimento nacional, o estudante Daniel da Silva de Oliveira, do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Maria Nazaré dos Santos, vive um momento decisivo: garantir recursos para viajar até o Rio de Janeiro e representar Rondônia na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).


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O evento acontecerá entre os dias 27 de julho e 1º de agosto de 2026, na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, reunindo pesquisadores e estudantes de todo o país.

Morador da linha 105, travessão 401, no Ramal Zé Legal, Daniel descobriu o interesse pela ciência ainda no 8º ano, ao participar de uma atividade com a professora Maria Luzia Ferreira Santos, conhecida como Mallu, que utilizava a técnica de stop motion — método de animação quadro a quadro amplamente usado no audiovisual.

O tema escolhido por ele foi próximo da sua realidade: as queimadas.

“Quando eu estava no oitavo ano, a professora Malu passou um trabalho de produzir stop motion. Nisso eu produzi uma animação sobre as queimadas. Desde então, isso foi despertando uma paixão em mim com essa técnica”, relata.

O envolvimento do estudante rapidamente chamou atenção. No ano seguinte, ele passou a frequentar oficinas no contraturno escolar, chegando a permanecer o dia inteiro na escola para desenvolver seus projetos.

“Tinha dias que eu passava o dia todo na escola, às vezes até sem almoçar, para produzir stop motion no curso”, conta.

Esse empenho foi determinante para sua seleção no congresso nacional.

Educação ambiental e protagonismo juvenil

O trabalho aprovado tem como tema “O uso do stop motion como tecnologia de apoio na educação ambiental: experiência interdisciplinar no 9º ano da EEEFM Maria Nazaré dos Santos – Jaci-Paraná/Porto Velho/RO”, desenvolvido a partir de oficinas pedagógicas com estudantes da escola.

Segundo o resumo acadêmico, a proposta busca estimular a reflexão crítica sobre problemas ambientais vividos pela comunidade local, como queimadas, desmatamento, descarte irregular de resíduos e impactos do complexo hidrelétrico no Rio Madeira.

A professora Mallu explica que a metodologia transforma o aluno em protagonista do próprio aprendizado.

“A animação é usada em filmes, na produção audiovisual, e eu trabalho essas oficinas justamente para implementar a educação ambiental nas escolas. O stop motion funciona como ferramenta no processo de ensino-aprendizagem e também como incentivo à educação ambiental”, destaca.

Ela ressalta ainda que Daniel se destacou pela curiosidade e dedicação.

“O empenho do Daniel não foi somente uma simples participação numa atividade escolar qualquer. Eu percebi sobretudo a curiosidade, a vontade de aprender. Foi algo muito genuíno, porque despertou nele uma paixão.”

Uma conquista que expõe também a falta de apoio

Apesar da aprovação no congresso representar um marco para a escola pública, a participação de Daniel ainda depende de apoio financeiro.

O estudante iniciou uma campanha para arrecadar recursos que cubram passagens e despesas da viagem.

“Desde então eu conto com a ajuda de todos vocês para fazer suas doações na vaquinha online e assim me ajudar a pagar passagem para o Rio de Janeiro e representar minha escola”, pede.

A situação evidencia uma realidade recorrente em escolas públicas: estudantes com potencial e resultados expressivos, mas sem condições financeiras para ocupar espaços de destaque acadêmico.

A diretora Klýcia reforça que a escola acumula conquistas relevantes, especialmente em olimpíadas científicas.

“Temos um celeiro de medalhas. O que falta pra nós é aquele empurrão, aquele apoio. Ano passado não conseguimos levar os alunos por falta de condições financeiras.”

Segundo ela, somente em Astronomia, a escola já conquistou medalhas de ouro, prata, bronze e diversas honras ao mérito. Em Química, foram 16 medalhas e mais 12 honras ao mérito.

Quando a escola pública rompe o limite do território

Para a professora Mallu, a participação de Daniel vai além de uma conquista individual.

“Quando vemos um estudante da zona rural, que enfrenta tantas dificuldades para simplesmente chegar à escola, alcançar um congresso de grande relevância acadêmica, isso mostra que a educação faz sentido.”

Ela destaca que o reconhecimento valida o esforço coletivo da escola pública.

“O processo de educação não é só transmitir conhecimento, mas criar possibilidades. Quando vemos esse retorno positivo, entendemos que estamos no caminho certo.”

Mais do que uma viagem, Daniel representa hoje uma possibilidade concreta: provar que talento, esforço e escola pública ainda podem abrir caminhos — mesmo quando o maior obstáculo não é capacidade, mas oportunidade.

Ajude o Daniel a alcançar esse sonho

Quem quiser contribuir pode doar qualquer valor via Pix pela chave: (69) 99990-5859 – Daniel da Silva de Oliveira.


Até o momento, cerca de R$ 2 mil já foram arrecadados, mas a meta é de R$ 7 mil, devido ao alto custo das passagens no período do evento.






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