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Porto Velho,24/09/2026

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Ex-dono de restaurante japonês em Ariquemes troca a cozinha pela linha de frente na guerra da Ucrânia

Antônio Piancó, conhecido como "Delta", nunca serviu ao Exército brasileiro, mas hoje opera drones em combate e já gastou mais de R$ 3,5 mil do próprio bolso para se alistar como voluntário

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Ex-dono de restaurante japonês em Ariquemes troca a cozinha pela linha de frente na guerra da Ucrânia Foto: Divulgação
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O que você precisa saber

  • Antônio Piancó, ex-dono de restaurante japonês em Ariquemes, atua como voluntário na guerra da Ucrânia, operando drones.
  • Ele nunca serviu ao Exército Brasileiro e gastou mais de R$ 3,5 mil do próprio bolso para se alistar.
  • Conhecido como "Delta", diz que a decisão não teve motivação financeira, mas sim o desejo de ajudar a Ucrânia.
  • Pretende voltar ao Brasil após o fim do conflito para abrir um novo restaurante, em João Pessoa (PB).

Por seis anos, Antônio Piancó foi conhecido em Ariquemes como o dono de um restaurante de comida japonesa. Hoje, o rondoniense vive uma realidade completamente diferente: atua como voluntário em uma das frentes de combate da guerra entre Rússia e Ucrânia, utilizando drones para apoiar as tropas ucranianas. No front, atende pelo codinome "Delta".


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A decisão de largar a vida de empresário para se juntar ao conflito não teve motivação financeira, segundo contou em entrevista ao g1. Pelo contrário: Antônio relata ter desembolsado mais de R$ 3,5 mil do próprio bolso apenas para conseguir os equipamentos necessários e viabilizar seu alistamento como voluntário civil.

"Não estou aqui por dinheiro. Sinto que estou lutando pelo lado certo."

Diferente do que se poderia imaginar, Antônio nunca teve passagem pelo Exército Brasileiro. Sua experiência prévia se limitava à prática de tiro esportivo e ao pilotagem de drones como hobby, conhecimento que hoje aplica diretamente nas operações em que participa dentro do território ucraniano.

Da cozinha ao campo de batalha

Mesmo distante e imerso na rotina de guerra, o ex-empresário mantém contato com os seguidores através das redes sociais, onde compartilha registros de seu dia a dia usando uniforme camuflado, capacete, óculos de proteção balística e fuzil em punho.

O apoio familiar também ajudou a suavizar a decisão. Segundo relatou, mãe, irmão, cunhada e sobrinhos reagiram com apreensão diante da notícia, mas hoje enviam mensagens constantes de incentivo. Por questões de segurança, a localização exata do batalhão em que Antônio atua permanece sob sigilo, evitando expor a unidade a possíveis ataques russos.

Apesar dos riscos inerentes ao cenário de guerra, ele afirma não se arrepender da escolha e deixa um aviso para quem cogita seguir o mesmo caminho: só vale a pena se houver, de fato, disposição genuína para ajudar, e não interesse financeiro. Olhando para o futuro, o rondoniense já projeta um retorno ao Brasil quando o conflito terminar, com planos de abrir um novo restaurante de sushi, desta vez na cidade de João Pessoa, na Paraíba.

Quatro anos de guerra e milhões de baixas

O conflito que hoje mobiliza voluntários como Antônio tem raízes que remontam a 2014, quando protestos na Praça Maidan, em Kiev, derrubaram o governo do então presidente Viktor Yanukovitch, aliado do Kremlin. Em resposta, a Rússia passou a apoiar movimentos separatistas em territórios de maioria russa, culminando na anexação da Crimeia naquele mesmo ano e no apoio a milícias pró-Moscou na região do Donbass, que efetivamente tomaram controle de Donetsk e Luhansk.

Baixas estimadas no conflito

  • Ao menos 15.172 civis ucranianos mortos, segundo a ONU.
  • 55 mil soldados ucranianos mortos, segundo Zelensky; até 140 mil, segundo o CSIS.
  • Ao menos 160 mil baixas militares russas, segundo a BBC; até 325 mil, segundo o CSIS.
  • Total de baixas (civis e militares, dos dois lados) pode chegar a 1,8 a 2 milhões até o fim de março.

Passados quatro anos de guerra aberta, os números de baixas seguem imprecisos e controversos, refletindo a dificuldade de mensurar com exatidão o custo humano de um conflito ainda sem data definida para o fim.




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