PF deflagra Operação Laudo Cego contra esquema que fraudou R$ 6,57 milhões em benefícios do INSS
Ação reúne cerca de 150 agentes e cumpre 39 mandados em seis estados; grupo é suspeito de usar atestados médicos falsos e vínculos empregatícios fictícios para liberar benefícios por incapacidade temporária
Foto: Reprodução O que você precisa saber
- A PF deflagrou a Operação Laudo Cego, cumprindo 39 mandados de busca e apreensão em seis estados, com cerca de 150 agentes envolvidos.
- O grupo é suspeito de fraudar benefícios por incapacidade temporária do INSS usando atestados médicos falsos e vínculos empregatícios fictícios.
- As investigações apontam 172 benefícios fraudados e prejuízo estimado em R$ 6,57 milhões aos cofres públicos.
- Com a suspensão dos pagamentos irregulares, a Justiça evita uma perda adicional estimada em R$ 1,01 milhão.
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (22), a Operação Laudo Cego, mobilizando cerca de 150 agentes para cumprir 39 mandados de busca e apreensão em seis estados do país. A ação mira um grupo suspeito de fraudar benefícios por incapacidade temporária concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por meio de atestados médicos falsificados e vínculos empregatícios fictícios.
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Segundo a Polícia Federal, a operação é um desdobramento da Operação Camisaria, deflagrada em setembro de 2024, que já havia identificado parte da estrutura agora alvo da nova fase das investigações.
De acordo com a apuração, o esquema funcionava a partir da inserção de dados falsos em sistemas previdenciários, combinando laudos médicos fraudulentos com registros de empregos que não existiam de fato. Essa engrenagem permitia a liberação de benefícios por incapacidade temporária a pessoas recrutadas especificamente para participar do golpe, com posterior movimentação dos valores obtidos de forma irregular.
Com a suspensão dos pagamentos irregulares já determinada pela Justiça, a inteligência previdenciária estima ainda conter uma perda adicional de R$ 1,01 milhão que seria causada caso o esquema continuasse ativo.
O grupo investigado reúne um perfil variado de suspeitos: servidores públicos, profissionais da área da saúde, contadores, empresários e intermediários, todos supostamente envolvidos em diferentes etapas da fraude, da falsificação dos documentos até a movimentação financeira dos valores desviados.
Os mandados desta terça-feira são cumpridos principalmente no Maranhão, epicentro da operação, atingindo os municípios de São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia, Presidente Sarney, Presidente Juscelino e Brejo. A ação também chega a outros quatro estados, com mandados em Cotia (SP), Parauapebas (PA), Parnaíba (PI), Santa Rosa (RS) e Ubajara (CE).
Os investigados podem responder por crimes como estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Até o momento, não há informações sobre prisões decretadas no âmbito da operação, e nenhum dos suspeitos foi condenado — a apuração segue em andamento, e a Polícia Federal não divulgou a identidade dos investigados.
Ficha da operação
- Nome: Operação Laudo Cego (desdobramento da Operação Camisaria, de setembro de 2024)
- Mandados: 39 de busca e apreensão
- Efetivo: cerca de 150 agentes da Polícia Federal
- Abrangência: 6 estados — Maranhão (foco principal), São Paulo, Pará, Piauí, Rio Grande do Sul e Ceará
- Benefícios fraudados: 172
- Prejuízo identificado: R$ 6,57 milhões
- Perda adicional evitada: R$ 1,01 milhão
- Método: laudos médicos falsos, vínculos empregatícios fictícios e inserção de dados falsos em sistemas do INSS


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