O que você precisa saber
- A Ping., startup de Porto Velho, é a primeira empresa rondoniense a chegar ao Top 30 do Prêmio Sebrae Startups.
- Ela disputa a categoria Serviços Digitais e concorre agora ao Top 10 nacional.
- A final acontece entre 26 e 28 de agosto, durante o Startup Summit 2026, em Florianópolis.
- A grande campeã do prêmio leva R$ 250 mil; as vencedoras de categoria recebem R$ 40 mil cada.
Pela primeira vez, uma startup rondoniense figura entre as 30 finalistas do Prêmio Sebrae Startups, considerado o maior concurso nacional voltado ao empreendedorismo inovador. A empresa é a Ping., plataforma de Porto Velho voltada à gestão inteligente de documentos, que garantiu vaga na categoria Serviços Digitais ao lado de concorrentes de Pernambuco.
A conquista representa o ápice de uma trajetória de participações consecutivas no prêmio. Segundo Tânia Borges, CEO da Ping. e responsável também pela área de pós-vendas da empresa, a startup vem disputando o Prêmio Startup Summit desde 2024, depois de uma primeira experiência apenas como observadora em 2023. Nas últimas edições, alcançou o Top 1.000 do país, avançou para o Top 100 por dois anos seguidos e, agora, pela terceira vez consecutiva no Top 30, tenta o salto inédito para o Top 10.
Ao todo, mais de 3 mil startups se inscreveram na disputa deste ano. As 30 finalistas, uma para cada uma das dez categorias estratégicas do prêmio, já garantiram R$ 10 mil em premiação e acesso a conexões com investidores e grandes empresas. A grande final acontece entre os dias 26 e 28 de agosto, durante o Startup Summit 2026, em Florianópolis, quando as dez vencedoras de categoria formarão o Top 10 nacional, com prêmio adicional de R$ 40 mil cada, além de concorrerem ao título de campeã geral, que garante R$ 250 mil.
Do Governo sem Papel a uma startup própria
A origem da Ping. remonta à experiência de parte de seus sócios no projeto Governo sem Papel, iniciativa do Governo de Rondônia responsável pela implantação do Sistema Eletrônico de Informações (SEI) no estado. Foi durante esse trabalho que Tânia Borges conheceu os demais três sócios com quem viria a fundar a empresa, em 2018, após a conclusão da etapa do projeto em que atuavam.
A proposta da Ping. nasceu, segundo a CEO, da vontade de reproduzir para empresas privadas a lógica de desburocratização que haviam ajudado a implementar no setor público. A plataforma foi desenhada para auxiliar negócios que ainda operam de forma física, ou que utilizam múltiplos sistemas sem integração, a centralizar toda a gestão de documentos e processos em um único ambiente digital, cobrindo o ciclo completo, da criação até o arquivamento final.
Sete anos de mercado e clientes em todo o país
Com sete anos de atuação, a Ping. hoje atende mais de 50 empresas e instituições espalhadas por diferentes estados, entre elas unidades do Sistema Senar, Unimed, Fiero, conselhos profissionais como Crea-RO e Creci-RO, além de instituições de ensino. Segundo a companhia, a plataforma já gerou mais de 9,8 milhões de documentos, processou 5,1 milhões de assinaturas eletrônicas e soma cerca de 5.728 usuários internos ativos, resultando em mais de R$ 9 milhões em economia relacionada a papel, impressão e armazenamento físico para seus clientes.
Números da Ping. (segundo a empresa)
- Mais de 50 empresas e instituições clientes
- 9,8 milhões de documentos criados na plataforma
- 5,1 milhões de assinaturas eletrônicas processadas
- 5.728 usuários internos ativos
- Mais de R$ 9 milhões em economia gerada para clientes
Um dos cases citados pela empresa envolve a Unimed, em unidades de Porto Velho, Rio Branco e Grande Florianópolis, onde a adoção da plataforma teria reduzido em 30% o tempo médio de tramitação de processos, além de viabilizar trabalho remoto seguro durante o período mais crítico da pandemia.
Tânia também destacou o histórico de captação da empresa. Em 2021, a Ping. participou de um programa de capacitação do Capital Empreendedor e recebeu seu primeiro aporte, batizado de investimento anjo: um cheque de R$ 250 mil em troca de 10% da companhia. Desde então, a empresa atingiu o chamado break-even, ponto em que passou a se sustentar com receita própria, sem depender de novos aportes, e já recomprou a fatia repassada ao investidor inicial.
Equipe multidisciplinar como diferencial
A sociedade da Ping. reúne cinco integrantes com formações distintas: dois advogados, dois profissionais de tecnologia e um estatístico. Para Tânia, essa diversidade de conhecimento ajudou a moldar não apenas a estrutura técnica do produto, mas principalmente sua usabilidade, fator que ela aponta como o principal diferencial da empresa diante da concorrência.
"Não adianta tecnologia se não tiver pessoas por trás fazendo com que as empresas realmente usem e transformem a forma de trabalhar." — Tânia Borges, CEO da Ping.
Segundo a CEO, o acompanhamento próximo aos clientes ao longo dos anos, incluindo relações que já duram desde a fundação da startup, decorre de um trabalho de pós-vendas contínuo. Na visão dela, tecnologia sozinha não sustenta a transformação de processos dentro de uma empresa sem que haja pessoas dedicadas a apoiar o uso efetivo da ferramenta pelos clientes.
Com a etapa final marcada para agosto, a Ping. entra na disputa como a primeira representante de Rondônia a alcançar o Top 30 do Prêmio Sebrae Startups, um resultado que a equipe já trata como uma conquista simbólica para o ecossistema de inovação do estado, independentemente do desfecho na fase decisiva da competição.
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