Deputado Coronel Chrisóstomo convoca Forças Armadas e imprensa para 'novo golpe de 64' contra prisão de Bolsonaro
Coronel Chrisóstomo volta a defender golpe militar e convoca a imprensa a repetir o papel que teve em 1964 para “defender o Brasil'
Imagem: Andressa Anholete/Agência Senado O deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) pediu, nesta sexta-feira (18), uma resposta das Forças Armadas à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o uso de tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Durante coletiva no Senado, o parlamentar afirmou ter “orgulho” do papel das Forças Armadas no golpe de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e instaurou uma ditadura de 21 anos. “Me orgulhava das Forças Armadas em 1964, mesmo sendo menino. Hoje, peço que estejam ao lado do povo e da democracia”, disse.
Chrisóstomo também convocou a imprensa a se alinhar ao golpismo bolsonarista.
O deputado Coronel foi o relator do Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que buscava anular o aumento das alíquotas do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) promovido pelo governo federal. No entanto, o projeto foi suspenso após o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir pela manutenção, quase integral, do decreto do Executivo que elevou o imposto.
O regime exaltado por Chrisóstomo foi responsável por sucessivos fechamentos do Congresso em 1966, 1968 e 1977, e por violações sistemáticas de direitos. Segundo o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, publicado em 2014, a ditadura matou ou fez desaparecer 434 pessoas, das quais 210 continuam desaparecidas.
. “Na década de 60, em 64, a imprensa agiu em favor do povo. Tá na hora da imprensa brasileira agir em favor do povo brasileiro. São os senhores que estão aqui, não somente nós, deputados e senadores. Os senhores que são da imprensa brasileira, defendam o Brasil, defendam o nosso povo”, declarou, em tom que remete a apelos semelhantes feitos na véspera do golpe militar.
Ação da PF
A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã desta sexta-feira (18) uma operação que tem como alvo Jair Bolsonaro. A ação, que inclui o cumprimento de mandados de busca e medidas restritivas, foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e ocorre na residência de Bolsonaro e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), legenda à qual ele é filiado.
Bolsonaro terá que a partir de agora usar tornozeleira eletrônica e não poderá acessar redes sociais por determinação do STF. Além disso, ele não poderá ter contato com outros réus do processo que envolve a tentativa de golpe no 8 de Janeiro.
Além disso, o ex-presidente também está proibido de se comunicar com embaixadores e diplomatas estrangeiros, e de se aproximar de embaixadas.
Ministros da Corte desconfiavam e tiveram indícios de que Bolsonaro se preparava para fugir do Brasil, pedindo asilo político a Donald Trump nos EUA.
Ele agora passará a ser monitorado 24 horas por dia.
Segundo informações preliminares, além da casa onde Bolsonaro reside, outros locais vinculados ao PL também estão sendo vasculhados por determinação do STF, dentro do inquérito que apura possíveis ilegalidades envolvendo o ex-presidente e seus aliados políticos.



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