Ex-delegado é sentenciado a 45 anos de prisão por homicídio e três tentativas de assassinato em disputa por terras
Julgamento realizado em Porto Velho reconheceu a responsabilidade do ex-policial civil pela morte de um homem e pelos ataques contra outras três vítimas durante conflito agrário em Jacy-Paraná.
Foto: Reprodução O Tribunal do Júri de Porto Velho condenou um ex-delegado da Polícia Civil de Rondônia a 45 anos de reclusão pelos crimes de homicídio qualificado e três tentativas de homicídio ocorridos em março de 2022, durante uma disputa envolvendo acesso a uma propriedade rural na região de Jacy-Paraná, distrito da capital.
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O julgamento teve início na última sexta-feira e foi encerrado somente na noite de sábado, após longas horas de debates entre acusação e defesa. Os jurados acolheram integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público e reconheceram a autoria dos crimes atribuídos ao ex-delegado.
Segundo as investigações, o então policial possuía uma área ocupada dentro da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Branco. O acesso ao local dependia da passagem por uma propriedade pertencente às vítimas. O conflito teria se intensificado quando familiares que viviam na área iniciaram a instalação de uma porteira para controlar o trânsito no local.
De acordo com a apuração policial, no dia do crime o acusado foi até a propriedade rural e conversou normalmente com os ocupantes do terreno. Em seguida, sacou uma pistola calibre 9 milímetros e efetuou diversos disparos contra as vítimas.
Durante o ataque, Vanderlei Brandão foi atingido e morreu ainda no local. Outras três pessoas também foram baleadas, incluindo um adolescente de 15 anos na época. Apesar de terem sobrevivido, as vítimas sofreram ferimentos graves. Uma delas ficou com sequelas permanentes após ser atingida em uma das pernas.
As investigações apontaram ainda que, antes de seguir para a área rural, o acusado teria alterado as placas do veículo utilizado para evitar identificação em fiscalização eletrônica. O elemento foi incluído entre as circunstâncias analisadas durante o processo criminal.
Após o crime, a Polícia Civil instaurou procedimento administrativo disciplinar contra o delegado, que ocupava a chefia da delegacia de Alto Paraíso na época dos fatos. Ao final da apuração interna, ele foi desligado da corporação.
No julgamento, os crimes foram reconhecidos como qualificados por motivo fútil e pelo recurso que dificultou a defesa das vítimas. Com a decisão do Tribunal do Júri, o ex-delegado permanecerá preso para cumprimento da pena. Ele está detido desde outubro de 2022.
A condenação é considerada uma das mais severas aplicadas recentemente em julgamentos envolvendo conflitos agrários em Rondônia e encerra uma etapa importante de um caso que teve ampla repercussão no estado.



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