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Porto Velho,19/03/2026

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Expedito Neto é a nova esperança da esquerda para sobreviver em um estado dominado pela direita

Com a esquerda fragilizada em Rondônia, PT aposta em nome moderado para tentar reconstruir base política e voltar a disputar protagonismo em 2026

EUIDEAL
Expedito Neto é a nova esperança da esquerda para sobreviver em um estado dominado pela direita Imagem gerada por IA
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Jornalista Juan Pantoja/EUIDEAL - O cenário político de Rondônia para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos — e, ao mesmo tempo, imprevisíveis. Em meio a um ambiente majoritariamente conservador, o Partido dos Trabalhadores ensaia um movimento estratégico de reconstrução no estado com a pré-candidatura de Expedito Neto ao governo.


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O ex-deputado federal esteve recentemente em um evento simbólico: o aniversário de Zé Dirceu, ex-ministro do governo Lula, onde apareceu ao lado de lideranças nacionais do PT, como Lindberg Farias, líder do PT na Câmara, entre outros nomes influentes da sigla. Nos bastidores, o gesto foi interpretado como mais do que uma simples presença institucional — trata-se de um sinal claro de que o partido nacional está disposto a investir politicamente em Rondônia.

A realidade do PT no estado é desafiadora. Hoje, o partido conta com apenas uma deputada estadual, não possui representação na Câmara Federal e sequer mantém presença relevante nas câmaras municipais. Um cenário bem distante do passado, quando nomes como Fátima Cleide, Roberto Sobrinho e Daniel Pereira protagonizavam a política local.

Ainda assim, há um dado que mantém o partido competitivo: o eleitorado fiel. Em 2022, o presidente Lula obteve 262.904 votos em Rondônia e em 2018, mesmo com uma  candidatura sangrando e impugnada, os petistas fiéis conseguiram a proeza de colocar mais de 100 mil votos em Fátima Cleide ao senado, mostrando que, mesmo em um dos estados mais bolsonaristas do país, existe uma base sólida — ainda que minoritária — de apoio à esquerda.

Diferente de estados com maior peso eleitoral, Rondônia não é prioridade pelo volume de votos. O interesse do PT nacional é outro: estratégico.

O estado vive um momento de crescimento econômico e tem recebido atenção crescente do governo federal. O senador Confúcio Moura, por exemplo, é um dos principais articuladores de recursos federais para obras estruturantes em Rondônia. Ao mesmo tempo, há um distanciamento político evidente — como ficou claro durante a visita do presidente da República ao estado, quando o governador optou por não recepcioná-lo.

Esse vácuo institucional abre espaço para o PT tentar reconstruir pontes e formar novas lideranças locais.

Expedito Neto: é o novo nome da “nova esquerda”

É nesse contexto que surge o nome de Expedito Neto. Ex-deputado federal por dois mandatos e filho do ex-senador Expedito Júnior (PSD) — hoje alinhado ao grupo de Adailton Fúria —, Neto representa uma tentativa de renovação dentro do partido.

Diferente das lideranças históricas, ele é visto como um nome mais moderado e pragmático, capaz de dialogar inclusive com setores da direita. Um detalhe curioso: o fato de ter votado a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff não é visto como problema pela cúpula petista nacional — pelo contrário, reforça a imagem de alguém fora da ala mais ideológica do partido.

Nos bastidores, alguns analistas chegam a comparar Neto a uma espécie de “Lindbergh Farias de Rondônia”: um político com trânsito em diferentes campos e capacidade de ampliar o alcance eleitoral da esquerda.

O desempenho de Expedito Neto dependerá diretamente do desenho eleitoral. Em um cenário polarizado, com nomes como Hildon Chaves, Adailton Fúria e Marcos Rogério, a fragmentação dos votos pode abrir espaço para uma candidatura alternativa crescer “pela beirada”.

Nesse contexto, Neto pode se consolidar como o candidato natural do eleitorado progressista, além de atrair votos de setores mais moderados — o que o coloca, ao menos em tese, com potencial real de chegar ao segundo turno.

Mais do que protagonista absoluto, ele surge como um possível fiel da balança em uma eleição que promete ser altamente competitiva.

Internamente, o nome de Expedito Neto ainda enfrenta resistências dentro da própria esquerda, especialmente entre setores mais tradicionais do PT de Rondônia. Mas, o apoio da direção nacional pesa — e é tudo o que ele precisa.

Caso não alcance êxito nas urnas, o capital político acumulado pode render frutos. Em um eventual novo governo Lula, não há dúvidas de que Neto tende a ocupar espaços estratégicos na estrutura federal.

No fim das contas, a pré-candidatura de Expedito Neto simboliza mais do que uma disputa eleitoral: representa a tentativa do PT de renascer politicamente em Rondônia.

Entre um passado de protagonismo e um presente de fragilidade, o partido aposta em um nome capaz de dialogar, reconstruir pontes e, quem sabe, surpreender.


Porque, em um estado onde a direita domina o debate político, qualquer movimento fora da curva já é, por si só, um fator de atenção.

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