Ex-presidente da Alerj é preso após cassação e perda de foro privilegiado
Ex-deputado estadual do Rio é alvo da terceira fase da Operação Unha e Carne; decisão do TSE sobre o caso Ceperj derrubou mandato e abriu caminho para nova prisão pela PF
Rodrigo Bacellar, preso por vazar informações sobre Operação da PF Foto: Thiago Lontra/Alerj O ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar foi preso nesta sexta-feira (27), em Teresópolis (RJ), por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma operação conduzida pela Polícia Federal. A prisão ocorre poucos dias após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar seu mandato, o que resultou na perda do foro privilegiado.
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A medida faz parte da terceira fase da Operação Unha e Carne, que investiga o suposto vazamento de informações sigilosas de operações policiais para integrantes do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a ação está relacionada a desdobramentos da chamada ADPF das Favelas, em tramitação no STF.
Com a cassação do mandato, Bacellar deixou de ter a prerrogativa que exigia autorização da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) para eventual prisão. Assim, a decisão judicial passou a ser suficiente para o cumprimento do mandado.
Além do mandado de prisão preventiva, a PF cumpriu ordem de busca e apreensão na residência do ex-parlamentar. Ele foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde permanece à disposição da Justiça.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bacellar por suposto repasse de informações sigilosas a integrantes do crime organizado. Segundo as investigações, dados de operações policiais teriam sido vazados, comprometendo ações contra a facção e colocando agentes públicos em risco.
A cassação do mandato está ligada ao escândalo envolvendo a Ceperj, empresa pública do Rio de Janeiro. A decisão do TSE determinou a exclusão dos votos recebidos por Bacellar nas eleições de 2022, o que levará à recontagem dos votos e possível alteração na composição da Alerj.
Entre os efeitos imediatos da decisão estão:
Perda do foro privilegiado
Execução de medidas cautelares sem necessidade de aval legislativo
Possível redistribuição de cadeiras na Assembleia
Bacellar já havia sido preso em dezembro de 2025 no âmbito da mesma operação, sendo liberado posteriormente com medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica.
Com a perda do mandato, no entanto, as garantias institucionais deixaram de existir, permitindo o cumprimento imediato da nova ordem de prisão.
O caso reforça debates sobre os limites da imunidade parlamentar, a atuação do Judiciário e o combate ao crime organizado no país. Especialistas apontam que a perda do mandato marca uma mudança significativa no andamento das investigações, permitindo maior celeridade nas medidas judiciais.
A recontagem dos votos está prevista para ocorrer nos próximos dias e pode alterar o equilíbrio político na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.




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