Ao contrário de Lula, maioria dos brasileiros apoia classificação de PCC e CV como organizações terroristas
Levantamento mostra que 53% avaliam positivamente medida adotada pelos Estados Unidos; tema amplia debate sobre segurança pública e soberania nacional
Foto: Reprodução Mais da metade dos brasileiros considera positiva a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. É o que revela pesquisa do PoderData, realizada entre os dias 30 de maio e 1º de junho de 2026.
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Segundo o levantamento, 53% dos entrevistados avaliam a medida como boa para o Brasil. Outros 33% consideram a decisão ruim, enquanto 14% afirmaram não saber responder.
O anúncio da medida ocorreu poucos dias após o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participar de uma reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca. De acordo com o parlamentar, um dos temas discutidos no encontro foi justamente a classificação das facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
A decisão norte-americana amplia o debate sobre a segurança pública, tema que tende a ocupar espaço central no cenário político e eleitoral de 2026.
Após o anúncio, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou preocupação com possíveis impactos sobre a soberania nacional, argumentando que a medida poderia abrir espaço para interferências estrangeiras em assuntos internos do Brasil.
Por outro lado, especialistas observam que parte da população associa a classificação ao fortalecimento do combate ao crime organizado, especialmente em um contexto marcado pela preocupação crescente com a violência urbana.
Nos bastidores políticos, aliados e adversários de Flávio Bolsonaro interpretaram a decisão como um possível reflexo da aproximação do senador com Donald Trump. Caso essa percepção ganhe força entre os eleitores, a medida poderá influenciar o debate eleitoral nos próximos meses.
Entretanto, o cenário ganhou novos elementos nesta semana. Na segunda-feira (1º), os Estados Unidos voltaram a impor uma tarifa de 25% sobre uma série de produtos brasileiros, alegando práticas consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas.
A medida pode gerar impactos econômicos e também repercussões políticas, uma vez que setores da oposição e do governo passaram a relacionar o tema à aproximação entre integrantes da família Bolsonaro e a Casa Branca.
Dessa forma, o cenário atual apresenta duas discussões paralelas com potencial de influenciar a opinião pública: de um lado, o endurecimento do discurso de combate ao crime organizado; de outro, os possíveis efeitos econômicos decorrentes das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos.
A pesquisa foi realizada pelo PoderData, com recursos próprios, por meio de entrevistas telefônicas realizadas em 166 municípios brasileiros. Foram ouvidas 2.500 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.



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