PF investiga agente da própria corporação suspeito de vazar informações sigilosas de operações no Acre
Núcleo clandestino de contrainteligência monitorava deslocamento de equipes e viaturas para alertar investigados antes de buscas e prisões; suspeitos podem responder por violação de sigilo funcional e obstrução de investigação
Foto: Reprodução/ PF O que você precisa saber
- Um agente da Polícia Federal e um ex-servidor terceirizado estão entre os investigados na Operação Umbra, deflagrada como desdobramento da Ptolomeu.
- A suspeita é de repasse indevido de informações sigilosas sobre operações policiais a pessoas ligadas a investigados.
- Um núcleo clandestino monitorava viaturas e deslocamento de equipes para antecipar mandados de busca e prisão.
- O esquema foi descoberto a partir do cruzamento de dados colhidos em fases anteriores da Operação Ptolomeu.
Um agente da própria Polícia Federal está entre os investigados na Operação Umbra, deflagrada nesta terça-feira (22) como desdobramento das apurações da Operação Ptolomeu. A suspeita é de que informações sigilosas sobre o planejamento e a execução de ações policiais tenham sido repassadas indevidamente a pessoas ligadas a investigados de fases anteriores da Ptolomeu.
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Ao lado do agente, um ex-servidor terceirizado da corporação também é apontado como parte do esquema. Os nomes dos dois não foram divulgados oficialmente pela Polícia Federal.
Segundo a apuração, o núcleo teria funcionado como uma estrutura de contrainteligência dedicada a rastrear a movimentação de equipes policiais: identificava a saída de viaturas das sedes da PF, acompanhava rotas de deslocamento e buscava antecipar a execução de mandados de busca, apreensão e prisão.
A descoberta do esquema partiu do cruzamento de dados colhidos ao longo de etapas anteriores da Operação Ptolomeu, que já investiga desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no Acre. Foi esse material que levou a Polícia Federal a identificar a rede de monitoramento e a suspeita de participação de um de seus próprios integrantes.
Em razão dessas descobertas, a Umbra foi deflagrada de forma integrada à Operação Ptolomeu IV, nesta terça-feira, resultando no cumprimento de 28 mandados de busca e apreensão em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Maringá (PR) e Navegantes (SC), com a apreensão de cerca de R$ 1 milhão em espécie.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ), instância responsável por autorizar as medidas, determinou o afastamento das funções públicas dos suspeitos, além de proibição de acesso a determinados órgãos do Estado, restrição de circulação e a obrigação de entrega de passaportes à Superintendência da Polícia Federal no Acre em até 24 horas.
Conforme o andamento das investigações, os envolvidos no núcleo de vazamento podem responder por violação de sigilo funcional, corrupção e embaraço a investigação envolvendo organização criminosa. Até o momento, nenhuma acusação formal foi apresentada contra o agente ou o ex-terceirizado, que respondem ao processo sob presunção de inocência.
Ficha do caso
- Operação: Umbra, integrada à Ptolomeu IV
- Suspeitos apontados: um agente da Polícia Federal e um ex-servidor terceirizado
- Suspeita: repasse indevido de informações sigilosas sobre operações policiais
- Método investigado: monitoramento de viaturas e deslocamento de equipes para antecipar mandados
- Como foi descoberto: cruzamento de dados de fases anteriores da Operação Ptolomeu
- Possíveis crimes: violação de sigilo funcional, corrupção e embaraço a investigação de organização criminosa
- Medidas cautelares: afastamento de função pública, restrição de circulação, entrega de passaporte em 24h
- Autorização judicial: Superior Tribunal de Justiça (STJ)


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