Saída de gado do Acre preocupa frigoríficos e ameaça abastecimento de carne no estado
Empresários relatam redução no número de animais disponíveis para abate e alertam para risco de demissões caso o cenário continue
Foto: Reprodução A redução da oferta de bovinos para abate começa a pressionar o setor frigorífico do Acre. Empresários do segmento relatam dificuldades para manter o funcionamento regular das unidades e apontam a saída de gado vivo para outros estados como um dos principais fatores para a queda na disponibilidade de animais.
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O estado possui 18 matadouros com inspeção estadual ou municipal, além de quatro frigoríficos submetidos ao Serviço de Inspeção Federal (SIF). Segundo representantes do setor, a preocupação com a escassez de animais também já alcança essas unidades de maior porte.
Em Plácido de Castro, o Frigovaca, conhecido como “Frigorífico do Betão”, enfrenta o mesmo problema. O empresário Tarcísio Pinheiro afirma que a comercialização de bovinos para fora do Acre vem reduzindo a oferta disponível para a indústria local.
Segundo ele, a preocupação não está relacionada à venda dos animais em si, mas ao volume que deixa o estado sem que haja garantia de abastecimento para os frigoríficos acreanos. Pinheiro relata que até matrizes com bezerros estariam sendo adquiridas por compradores de outras regiões.
A unidade possui capacidade para processar até 260 cabeças de gado por dia, mas a falta de animais tem levado o frigorífico a reduzir a frequência dos abates. Em determinados dias da semana, a empresa deixa de realizar o processamento como forma de administrar os estoques e evitar impactos ainda maiores sobre o quadro de funcionários.
O cenário também gera preocupação com os empregos. Atualmente, o Frigovaca mantém cerca de 110 trabalhadores, e a continuidade da redução no volume de animais pode obrigar a empresa a rever o número de funcionários.
Outro dado citado pelo empresário é o preço do boi. Segundo Pinheiro, a arroba chegou a R$ 310, mas ele afirma que a valorização do gado não seria a principal responsável pela dificuldade enfrentada pelos frigoríficos para encontrar animais disponíveis.
O setor defende uma discussão com o poder público sobre a saída de bovinos vivos do Acre, buscando conciliar a atividade comercial dos produtores com a necessidade de garantir matéria-prima para a indústria instalada no próprio estado.
A preocupação central é que a redução dos abates avance e provoque impactos em cadeia, atingindo frigoríficos, trabalhadores e o próprio abastecimento do mercado


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