TCE deve mandar Prefeitura de Porto Velho suspender contrato de R$ 2 milhões para evento Tecnogame e abrir investigação; evento deve ser cancelado
Denúncia protocolada pelo vereador Marcos Combate e por ativistas aponta possíveis irregularidades no processo que contratou empresa de Manaus para organizar o evento.
Foto: Divulgação EUIDEAL - O Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO) deve determinar à Prefeitura de Porto Velho a suspensão de um contrato no valor de R$ 2 milhões firmado para a realização do evento Tecnogame 2026, voltado ao universo dos jogos eletrônicos. Além da suspensão, o órgão de controle também deverá abrir procedimento para investigar possíveis irregularidades e suposto direcionamento de licitação no processo de contratação.
A denúncia foi protocolada pelo vereador Marcos Combate, de Porto Velho, juntamente com ativistas locais, que apontaram supostos problemas no processo administrativo utilizado para viabilizar o evento.
De acordo com informações apresentadas ao Tribunal de Contas, o órgão entendeu preliminarmente que o processo possui vícios de iniciativa, o que tornaria inviável a manutenção do contrato nos moldes em que foi realizado.
Para viabilizar a realização do evento, o prefeito teria determinado o remanejamento de recursos de diferentes secretarias municipais, somando R$ 2 milhões.
Os valores teriam sido retirados de quatro pastas:
Semtran (Secretaria Municipal de Trânsito) – R$ 600 mil
SMTI (Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação) – R$ 600 mil
PGM (Procuradoria-Geral do Município) – R$ 400 mil
Seinfra (Secretaria Municipal de Infraestrutura) – R$ 400 mil
O contrato foi firmado com a empresa Ayra Hub, Inovações e Tecnologia Ltda., sediada em Manaus (AM), que teria sido contratada em caráter de exclusividade para organizar o evento.
Segundo os dados apresentados, a empresa possui capital social de R$ 500 mil, mas foi contratada para gerir um evento estimado em R$ 2 milhões.
Gastos previstos no evento
De acordo com as informações do contrato, os recursos seriam utilizados para diversas despesas relacionadas à realização do Tecnogame, incluindo:
R$ 600 mil em cachês artísticos
Mais de R$ 400 mil em estrutura física
R$ 100 mil em material gráfico
aluguel de vans e computadores gamers
passagens aéreas, hospedagem e alimentação
assessoria de imprensa e produção audiovisual
contratação de bombeiro civil e segurança privada
O evento prevê a participação de influenciadores e celebridades do universo gamer.
Investigação deve avançar
Com a decisão do Tribunal de Contas, a tendência é que o contrato seja suspenso preventivamente até a conclusão da análise técnica do caso.
O procedimento deverá apurar se houve irregularidades no processo de contratação, na justificativa de exclusividade da empresa e no remanejamento de recursos públicos para custear o evento.
Caso sejam confirmadas irregularidades, o TCE poderá determinar a anulação do contrato e responsabilizar gestores envolvidos no processo.





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