Crise no PSD? Após Fúria falar em 'perdão' à Energisa, Luiz Fernando rebate e chama discurso de 'mentiroso e oportunista'
Candidato ao Senado e ex-secretário de Finanças contestou nas redes sociais a versão apresentada pelo candidato ao governo do próprio partido durante debate da SIC TV. Episódio expõe divergência pública entre dois nomes da chapa majoritária do PSD em Rond
Adailton Fúria durante o debate da SIC TV (à esq.) e Luiz Fernando Pereira em vídeo publicado nas redes sociais (à dir.). Fotos: Reprodução Resumo: Uma divergência sobre o acordo tributário envolvendo o Governo de Rondônia e a Energisa colocou dois candidatos do PSD em lados opostos. Durante o debate da SIC TV, Adailton Fúria, candidato ao governo, criticou o que classificou como "perdão" de uma dívida da empresa e prometeu revogar a medida. Depois, Luiz Fernando Pereira, candidato ao Senado pelo mesmo partido e ex-secretário estadual de Finanças, publicou um vídeo afirmando que não houve perdão e classificando esse tipo de discurso como "mentiroso" e "oportunista". Luiz Fernando não cita Fúria nominalmente no trecho apresentado, por isso não é possível afirmar que o vídeo tenha sido direcionado exclusivamente ao correligionário.
EUIDEAL - Uma discussão sobre a Energisa abriu uma divergência pública dentro do próprio PSD de Rondônia na reta final da campanha eleitoral.
Pontos principais
- Fúria chamou de "perdão" o acordo tributário entre o Estado e a Energisa e prometeu revogá-lo
- Luiz Fernando Pereira, ex-secretário de Finanças e candidato ao Senado pelo PSD, nega que tenha havido perdão
- Luiz Fernando classificou o discurso de "perdão" como "mentiroso" e "oportunista", sem citar Fúria nominalmente
- Acordo é confirmado nas demonstrações financeiras da própria Energisa, firmado em 27/06/2026
- Divergência ocorre dentro da mesma chapa majoritária do PSD, que tem Fúria ao governo e Luiz Fernando ao Senado
Fúria fala em "perdão" durante o debate
De um lado está Adailton Fúria, candidato do partido ao Governo de Rondônia. Do outro, Luiz Fernando Pereira, candidato ao Senado pela mesma legenda e ex-secretário de Estado de Finanças.
Durante o debate da SIC TV, na noite de segunda-feira (21), Fúria voltou a falar sobre o acordo envolvendo débitos da Energisa e o Estado. O candidato classificou a operação como um "perdão" e prometeu contestá-la caso seja eleito governador. A declaração foi registrada também pela cobertura do debate.
Luiz Fernando reage nas redes sociais
Depois da repercussão do debate, Luiz Fernando publicou um vídeo para apresentar uma versão diferente sobre o acordo.
Sem mencionar Fúria nominalmente no trecho divulgado, o candidato ao Senado afirmou que dizer que houve perdão da dívida seria "manipulação da opinião pública" e classificou o discurso como "mentiroso" e "oportunista".
Segundo o ex-secretário, o que ocorreu foi uma transação tributária que envolveu créditos de ICMS cobrados pelo Estado e débitos da Caerd com a Energisa.
A existência da transação é confirmada inclusive nas demonstrações financeiras da própria Energisa: o acordo foi firmado em 27 de junho de 2026 com o objetivo de regularizar débitos tributários estaduais e a dívida da Caerd com a distribuidora, incluindo compensação de créditos e utilização de depósitos judiciais.
Divergência ocorre dentro da mesma chapa partidária
O episódio chama atenção porque Fúria e Luiz Fernando fazem parte do mesmo projeto eleitoral do PSD em Rondônia. A convenção partidária oficializou Adailton Fúria para o governo e Luiz Fernando para o Senado.
Luiz Fernando, além disso, ocupou a Secretaria de Estado de Finanças antes de entrar na disputa pelo Senado.
No vídeo, ele sustentou que, após atualizações e compensações envolvendo aproximadamente R$ 500 milhões que a Caerd devia à Energisa, o Estado recebeu cerca de R$ 700 milhões. Reportagem publicada nesta terça-feira (22) também registra a versão de Luiz Fernando de que a operação não representou perdão e informa que aproximadamente R$ 179 milhões foram destinados aos municípios como participação no ICMS.
Recado foi para Fúria?
A sequência das declarações alimenta questionamentos sobre uma possível tensão interna no PSD: Fúria critica o acordo e promete revogá-lo; Luiz Fernando, pouco depois, defende a transação e reage duramente à narrativa de que teria existido perdão.
Apesar da proximidade temporal e da coincidência do assunto, é importante destacar que, no vídeo apresentado, Luiz Fernando não menciona Adailton Fúria pelo nome. Portanto, não é possível afirmar como fato que expressões como "mentiroso" e "oportunista" tenham sido dirigidas especificamente ao candidato ao governo.
O que está documentado é a divergência política entre os dois: enquanto Fúria chama a operação de perdão e promete enfrentá-la, Luiz Fernando afirma que não houve perdão e desafia quem sustenta essa versão a comprová-la.
A diferença de posições coloca um tema sensível da atual administração estadual dentro da própria campanha majoritária do PSD e pode exigir dos candidatos esclarecimentos sobre qual posição prevalece no projeto apresentado pelo partido aos eleitores.


COMENTÁRIOS